Ah, se eu tivesse ouvido a professora de Educação Financeira… Custava ter feito uma pequena lista?
— Pelo amor de Deus,
Jean, não vá quebrar nada nas prateleiras. Da última vez, o prejuízo sobrou pra
minha carteira.
— Sim, Júlia, pode
levar dois refrigerantes. Vai bem com cachorro-quente. Os outros ingredientes
eu compro aqui. Vai lá atrás dos meninos.
E o que esse povo
vai querer pro jantar? Sobremesas simples… Ai, ai, ai. Pensar que fui a tonta
de aceitar vir ao supermercado. Ah, se ao menos a dona Veridiana pudesse dar um
palpite. Deixa para lá. Ela já veio de boa vontade, justo quando todo mundo lá
em casa foi vencido pela preguiça. Deixa-a quietinha lá fora, sentada pegando
um vento. Logo, logo estaremos de volta.
Eu nem tinha
começado a pegar o básico e o corredor já parecia uma gincana para ver quem
jogava guloseimas mais rápido no carrinho. Pastilhas de chocolate, biscoitos e
um tantão de balas que eu nunca tinha visto na vida.
— Pode parar, gente!
Tem que ser uma sobremesa comum, que sirva para todos.
Coração mole que
sou, bastou entortarem o nariz para eu ceder. Devolveram algumas besteiras às
gôndolas. Algumas.
Já nos finalmentes,
quase tudo pronto para encarar a fila do caixa, eis o rebuliço. Os repositores,
em silêncio, apertavam o passo em direção à entrada da loja. Um assalto?!,
pensei.
— Vem para cá,
depressa! — chamei as crianças.
Só que o sobrinho
mais novo não resistiu à curiosidade. Foi ver o que se passava e voltou
sorrindo, como se não fosse nada.
À medida que nossa
vez chegava, acompanhei de perto o riso dos outros funcionários. Alguns até
filmavam com o celular. Certamente viraria meme, assunto no grupo da família.
Fiquei quieta, me
comportando como uma típica senhora em compras. Fiz sinal para os meninos não
interferirem. Era momento de disfarçar. Eles mantiveram o tom baixo até
esvaziarmos o carrinho, ensacolarmos tudo e pagarmos.
Com os meninos a
postos perto da saída, fui chamar dona Veridiana.
— Conceição! Tá
precisando de ajuda aí? Já compraram tudo? Nem vi a hora passar, menina. Peguei
no sono aqui — disse ela, assustada, ajeitando-se na cadeira.
— Se a gente não
acorda a senhora, ia até de noite!
— Dormir foi pouco!
A vó até roncou. Roncou tão alto que chamou a atenção das moças do caixa!
Depois de rir da
própria soneca em pleno supermercado, dona Veridiana tomou um gole de água da
velha garrafa e suspirou:
— Pelo menos já
diverti algumas pessoas por hoje.



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