Terça, 02 de junho

 

Sancho,


Era dia de estrear o horário das 5h na academia, logo após o primeiro trote da semana. Mas ao pisar o chão frio da madrugada, os planos mudaram: a musculação ficou para depois do café da manhã.


Era para conseguir ensaiar a primeira parte de um treino leve na esteira, logo após vencer os exercícios de membros inferiores.


Era para ser o dia de entrar em contato com o treinador, dando-lhe boas e aliviadas notícias a respeito do meu quadro.


Era para perceber algum efeito do medicamento mais forte que, desde sábado, venho ingerindo religiosamente, conforme dita a bula.


Era para não perder a cabeça. Para, por um tempo, conseguir não pensar na terrível possibilidade de não cruzar a linha de chegada.


Era para ser uma tarde produtiva, livre do cansaço dessa busca incessante por um ortopedista — um especialista em pé, Sancho. Era para deixar para amanhã, mas não dá mais. Preciso ir, porque careço de respostas sobre quando, afinal, terá fim essa dor.


Era para eu estar mentindo sobre esse perrengue, inventando desculpas. Mas não, meu caro: aqui não tem firula, não tem filtro. Só lhe peço, mais uma vez, o de sempre: continue rezando por mim.


Era para ser uma despedida, mas é somente um até breve (te peguei... risos).

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