Inacreditável!
(39/48) Contei pro amigo do Sancho que iria
tentar os 21,1k sub 2h e ele me deu uma dica: “Vai lá, campeão! Comece bem
cedo!”. Segui à risca! Tá feito! #meiamaratonadebh Segue o plano!
Sancho querido, é isso mesmo que você leu: um
story do cavaleiro Adriano Britto nos mencionando. Às quatro e meia da
manhã, o moço já cruzava o asfalto da Lagoa da Pampulha para aquele treino
especial. Motivo de orgulho e pura inspiração.
O problema é que o mundo virtual corre rápido
demais, meu amigo. Assim que repostei a imagem, choveram mensagens. Teve quem
pensasse que o Farelão aqui já tinha batido o martelo em uma nova prova, que o
perrengue no pé esquerdo era página virada e que eu já estava de volta às ruas.
Ledo engano. A realidade tem outra cadência: meu último treino foi lá no dia 29
de maio, há longos nove dias.
Na manhã do último sábado, ainda na casa da
minha mãe, o tempo parou. Acessei o resultado da ressonância magnética. Putz! A
leitura de um leigo na tela do celular nunca é bom prenúncio.
Pesquisa daqui, levanta hipótese dali, faz
contato com o treinador e, de repente, o diagnóstico nos atropela: uma lesão
grave, nível 3, às vésperas de uma fratura por estresse. Nessa hora, Sancho, o
peito aperta. Diante do visor, dispo-me da armadura e reduzo-me,
inevitavelmente, ao Cavaleiro da Triste Figura. O moinho de vento venceu o
primeiro assalto.
Mas quem tem um exército em casa não cai sem
lutar. Minha esposa e as meninas chegaram com tudo, trazendo o bom senso que me
faltava:
— Calma aí! Você precisa ouvir a opinião de
quem entende, do especialista. Vai que, com o repouso dos últimos dias, a
sandália ortopédica e os remédios, o cenário mudou e você já melhorou o
suficiente para encarar o desafio?
A hora da verdade é amanhã, na parte da
manhã. Neste dia 8 de junho, teremos o veredito do ortopedista. Ainda há
esperança, Sancho. A centelha está lá, viva. Uma réstia que seja, mas há.
Por outro lado, o realismo também bate à
porta, e o coração vai aceitando o peso de adiar a nossa grande estreia nos 42k
para 2027. E as nossas conversas de asfalto? Bem... a gente conversa sobre isso
depois.
Um abraço,
D. Farelo
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