É noite de lua cheia! Lá no alto, ela está esplêndida. O segundo mês do ano se despede após semanas de Carnaval e as águas de janeiro. Eis que o céu se prepara para receber as canções de uma nova fase.

 

Janeiro foi período de férias escolares e viagem com a família. Nas leituras — ou melhor, na leitura, a única que realmente fez a minha cabeça. Fevereiro que já se vai foi um mês de adaptações. Janeiro é "nascer novamente", fevereiro é "mudando de Roupagem". Quanto ao mês de março, lá está escrito assim "Cresça viçosamente". Trata-se de um desses livros de caráter filosófico que nem vem ao caso dizer o título por agora.  

Já é tarde.

É hora de dormir, pois amanhã é dia de prova. A primeira do ano: uma meia maratona. Prometo entregar um texto mais conexo na próxima postagem. O sono bateu pesado e, escrevendo pelo celular, tudo parece um pouco bagunçado.

Boa noite e 

... farelos por aí ... 



 


A experiência de passar sete semanas envolvido na leitura da obra fundadora do romance moderno destravou uma das janelas da Casa Jornada.


A começar pela extensão do inciso na entrada, sinto-me à vontade para revelar: a janela lateral foi a primeira a ser reaberta.


Responsável pela principal entrada de luz natural, é por ela que recebemos o anúncio das estações meninas — o leque sereno de cores na primavera e as notas rústicas, à base de amêndoas, aos ritmos dos violoncelos no outono.


Para desemperrar essa moldura, foi preciso chamar o maior marceneiro de todos os tempos. De tudo o que há de mais moderno na mobília do mundo ocidental, um de seus traços sempre lá está.

 

A cada dia que vinha à minha sala para o ajuste da fresta, Mestre Cervantes abria sua caixa de ferramentas. Discorria docemente, entre risos, sobre como cada aparato fora utilizado em sua principal empreitada, lá nos tempos de prisão. A verdade? Eu sempre me dividia durante essas sessões de concerto cervantino, enquanto ele operava o conserto urgente da minha casa.

 

Por ribeiros, estalagens, castelos, luas e lutas, ecoavam sinfonias de liberdade pelas estradas da aventura. Entre glosas de cenários, estiletes de diálogos, martelos de vozes e o serrote dos cochichos; sob o prego dos adjetivos, o parafuso do disfarce, a cola dos embustes e o esquadro do humor sobre a mesa da ironia, eu me perdia...

 

Até que chegou o dia em que o serviço ficou pronto. Na manhã de um 26 de janeiro, Mestre Cervantes partiu antes das nove. O carpinteiro não aceitou pagamento. Disse apenas estar grato pela água fresca do filtro de barro e pelo chá com biscoitos de cada encontro. E antes de ganhar a estrada, sentenciou:


— Como prestastes atenção em cada parte do ofício, menino, agora estás preparado para cuidar das outras janelas — e até das portas — de sua Jornada.


Que o Mestre continue consertando janelas mundo afora.

Para João Eustáquio - BH Run


Acordei atrasado, a noite mal dormida ainda pesava. Para piorar, martelava na cabeça a pulga do recado importante que não foi dado — aquele aviso que deveria ter chegado no momento exato ao destinatário. Que danado!

 

A manhã já nascia com sabor de pressa e erro.

 

Saí em disparada. Quando menos esperei, a constatação gelada:

 

Putz! O relógio da corrida ficou para trás. O gadget que registra o exercício!

 

Para completar a sinfonia do desastre, no desespero de sair rápido, acabei amarrando o tênis um pouco mais apertado.

 

Ainda bem que só fui sentir a pontada de incômodo e a leve dormência lá pelas tantas voltas do treino.

 

Quase finalizando o percurso, veio o golpe de misericórdia. Um apito no celular: bateria esgotando. Quinze, quatorze, treze... Antes da tela se apagar, deu tempo de registrar a atividade feita até ali. Ufa! Um sopro de vitória em meio ao caos.

 

"Santo dos Corredores! Santo dos Atletas Amadores!", implorei mentalmente: "Que minha manhã finalize bem e que a tarde e a noite sejam, por favor, melhores!"

 

Porque, até aquele ponto, a impressão que ficava era que eu nem deveria ter saído para a rua. Aquele era um dia de cama e silêncio.

 

Ao retornar, a mulher ouviu tudo, do recado perdido ao tênis apertado, com a atenção de quem conhece os tropeços do cotidiano. E arrematou com a sabedoria que só ela tem:

 

"Verdade! Não era para você ter calçado o tênis. O universo acenou para você ficar. Mas NÃO... você foi lá, contra todos os imprevistos e descuidos, e treinou. E é isso que importa."

 

Depois dessa conversa, meu dia não apenas melhorou: foi salvo.

 


– Senhor Alfredo, estou com uma entrega pro senhor. Não tem ninguém em casa.

 

– Tem como você deixar na casa de grade aí da frente? Por favor, procure pelo seu Ronaldo. Muito obrigado!

 

Pelo menos dessa vez o entregador ligou, porque da vez que tive que retirar a encomenda no depósito foi uma canseira daquelas.

 

No carro cheio de crianças do teatro, deixei um aqui, o outro desceu no quarteirão de lá, fiz questão de guardar segredo. A destinatária da encomenda não fazia ideia da surpresa.

 

Depois de guardar o carro, tomar uma xícara de café, esqueci de bater lá na residência do seu Ronaldo. Até que Júlia, sua netinha, bateu no portão:

 

– Tio Farelo! Tio Farelo! O moço deixou isso pro senhor.

 

Era um embrulho simples, desses bem comerciais, padrão, no interior envolvido com plástico bolha. Senti.


Agradeci a vizinha e o seu Ronaldo que se encontrava do outro lado da rua. Nem bem fechei o portão e um berro:

 

– CLARICE! CLARICE! Olha só o que chegou. Vem ver, depressa...

 

Assim ela fez, largou desenho, pincel e tinta, o chinelo ficou pelos caminhos e VAPO! Pegou a encomenda e ali no escuro entre a garagem e a sala foi abrindo o pacote e...

 

Clarice sorriu dos pés à cabeça. Pulos de satisfação. Encantada. A menina comemorou com o corpo inteiro. Imediatamente foi para o canto do sofá da sala. Sentou-se e começou a leitura. O mundo parou.

 

Na sala, aos olhos dos outros moradores, tudo se movia em câmera lenta, ao redor daquela pequena leitora.

 

Em seguida, ajeitou a almofada, esticando os pés e, segurando o livro, eis que se desligou por completo da realidade.


A mãe que assista à telenovela dela pra lá. A irmã que ficasse de papo com as amigas nas redes sociais. O pai que fosse preparar a salada da noite.

 

Segundo a mãe, ela só fez uma parada na viagem, antes de dormir. Nesse tempo, fugiu para o escritório e lá começou a desenhar, inspirada, de forma livre. A leitura!

 

A forma como recebeu a encomenda, o mergulho nas páginas, os traços das histórias que também vai compondo, tudo isso nos enche de alegria.

 

A menina Clarice ainda não sabe, mas naquele outubro foi ela quem presenteou os pais na Semana das Crianças.


... farelos por aí ... 

 


Narrar com detalhes o sonho da última noite não é uma tarefa simples.

 

A riqueza de detalhes de um sonho depende de vários fatores, como sua natureza, o que pode influenciar a clareza das imagens.

 

Em certas épocas da vida, os pesadelos podem ser frequentes.

 

Em outras, somos transportados para cenários tão encantadores que não queremos acordar.

 

Diante dos mistérios da linguagem dos sonhos, surge uma pergunta intrigante:

 

E se eles pudessem ser transformados em literatura?

 

Isso foi o que fez o escritor Eduardo Galeano ao voar pelos sonhos de Helena Villagra, sua esposa.

 

“Ela entra na noite como quem entra num cinema, e toda noite um sonho novo está à sua espera”.

Com narrativas curtas e leves, o livro convida você a sonhar junto com a personagem Helena.

 

Depois de mergulhar nesses sonhos, talvez você passe a apreciar ainda mais os mistérios da noite.

...

Leia sempre

 

DETALHES:

Livro: Os sonhos de Helena

Autor: Eduardo Galeano

Ilustrador: Isidro Ferrer

Editora: WMF Martins Fontes

Temas: memória, sonho, fantasia.

 

Peter Augustus Duchene, um menino de chapéu com uma moeda na mão, caminha pelas ruas da cidade de Baltese.

 

Ele vai até o mercado central para comprar pão e peixe. O que ele não imaginava era que encontraria, entre as barracas, a tenda de uma vidente.

 

Para a vidente, o menino sabia exatamente o que perguntar: "Minha irmã está viva? Se sim, onde posso encontrá-la?".

 

Em poucos segundos, veio a resposta misteriosa: "O elefante! O elefante o levará até sua irmã!"

Peter Augustus volta para casa sem a moeda, que teve de usar para pagar a mulher.

 

Sem pão e sem dinheiro, ele fica com a cabeça cheia de dúvidas: "Seria aquilo possível? Impossível de acreditar, mas pode ter certeza de que sim... é a verdade".

Por conta de questões complicadas do século retrasado, Peter foi obrigado a se separar da irmã muito cedo.

 

Em sua nova jornada, ele enfrenta inúmeros desafios, a começar pelo seu tutor, um soldado maluco amigo de seu falecido pai.

 

Antes de chegar ao milagroso elefante, o garoto busca ajuda na casa de um oficial de polícia, Leo Matiene, e sua esposa Glória.

 

Glória muda a vida desses meninos em um enredo com muitas surpresas e personagens pra lá de inusitados.

 

É uma história que provoca susto — um elefante se despencando de um teto —, riso e, claro, arranca algumas lágrimas.

 

Eis uma narrativa de aprendizado e amor fraterno!

 

 

 DETALHES:

 

Livro: O elefante do mágico

Autora: Kate Dicamillo

Ilustradora: Yoko Tanaka

Editora: WMF Martins Fontes

Temas: a busca pela família, conexão e bondade, aprendizado e crescimento e realismo mágico.

 

Certamente você também não faz a menor ideia do ritmo dos movimentos da centopeia.

 

Eu também nunca tinha parado para pensar em quantas viagens por mês fazem as formigas.

 

A essa altura, você deve estar pensando que estou procurando intrigas.

 

Nada disso. Estou de boa, conhecendo a vida do sapo na lagoa.

 

Confesso que estou um pouco preocupado com o porco-espinho, que nem pode receber um abraço, um carinho.

 

Mas, ao mesmo tempo, estou rindo sozinho de uns jabutis “apostando corrida para ver quem anda mais devagar”.

 

Gente, eu não estou ficando louco. Foi apenas um pouco do livro “Bicho-Carpinteiro e outros bichos viraram poesia” que acabei de apresentar.

 

São poemas leves, divertidos e ilustrados, feitos para serem lidos em sala de aula com os estudantes, em casa com os filhos… aliás, para serem lidos em qualquer lugar.

 

Bora conhecer e apreciar a poesia da bicharada?

 

 

DETALHES:

Livro: Bicho-Carpinteiro

Autor: Luís Pimentel  

Ilustrador: Biry Sarkis

Editora: Compor

Tema: Poesias sobre animais e a natureza, mostrando que a poesia está em todo lugar.


 

 


Um dia favorito da semana, quem não tem?

 

Tem gente que tem até mais de um, dois, três…

 

E quando a gente se depara com o título “Todos os dias, menos terça-feira”?

 

Um montão de ideias surge na hora. Uma curiosidade daquelas.

 

Não pensei duas vezes e me joguei na leitura dessa obra de Andreza Félix, com ilustrações de Faw Carvalho.

 

Já nas primeiras páginas, a gente conhece Ana, a menina que “detestava todos os dias da semana, menos terça-feira”.

 

Ela esperava ansiosamente por esse dia, contando as horas. Mas não era porque o pai ia almoçar em casa ou porque não tinha aula à tarde. Não.

 

Terça-feira era o dia de “olhar o cabelo no espelho e vê-lo pronto”.

 

Era o dia de trançar o cabelo, de deixá-lo “cheiroso e prontinho”. Era o dia da conversa, das gargalhadas, das comidas gostosas. Era dia de festa com bolo, café, de sentar-se no quintal, dia de ouvir e contar histórias.

 

Porém, chega o dia em que Dona Vitória, a mãe de Ana, adoece, e a trajetória da menina toma outro rumo.

 

Para saber o que acontece, só lendo essa linda obra...

 

Eis um livro sobre autoestima, cuidado entre mãe e filha, com linhas importantes para se pensar na nossa ancestralidade.

   

DETALHES:

 Livro: Todos os dias, menos terça-feira

Autora: Andreza Félix

Ilustradora: Faw Carvalho

Editora: MRN

+