Há personagens com quem a gente gostaria de passar um tempo. Concorda?

 

Que fosse para tomar um suco de laranja, uma xícara de chá ou café. Comer uma fatia de bolo. Quem sabe?

 

Um momento para conversar sobre as coisas simples da vida. Imagina?

 

Conhecer as manias, crenças e sonhos de cada um. O jeito que andam e trocam ideias. Entende?

 

Mais do que conversar com esses personagens, o gostoso mesmo deve ser ouvir as histórias que eles têm para contar.

 

Todas essas experiências (e outras) eu vivi lendo a obra “Jiddo”, escrita por Daniella Michellin e ilustrada por Paula Schiavon, uma publicação da editora Abacatte.

 

É impossível não ficar fascinado com a menina Lúcia e Jiddo, seu avô – um imigrante com um tantão de aventuras.

Os diálogos, as tradições, os passeios pelo bairro, a praia no final de semana e, na hora de dormir, as histórias!

 

Conforme disse a amiga Sandra Assis: “Jiddo é um livro irresistível!”

 


DETALHES:

 Livro: Jiddo

Autora: Daniella Michellin

Ilustradora: Paula Schiavon

Editora: Abacatte




 "Porque o silêncio em si é como o som dos diamantes que podem cortar tudo!” escreveu Jack Kerouac. Arrisco-me a afirmar que o porta-voz da Geração Beat, do final dos anos 1950, tinha consciência do alcance do seu timbre nas gerações futuras.

 

Primeiras constatações foram o impacto sobre a contracultura e o movimento Hippie da década seguinte. Embora seja um escritor muito conhecido, sobretudo pela publicação da obra "On the Road" (Pé na Estrada, 1957), que ainda não li, escolhi ficar apenas com a frase inicial. Em alguns momentos, uma frase basta, em outros, uma palavra.

 

Se possível, releia-a mais uma vez, antes de seguir. O mundo contemporâneo não tem lidado muito bem com os tempos de silêncio. Em certos contextos, quaisquer segundos sem som representam uma batalha.

 

A impressão é de que fazer silêncio, calar-se diante daquilo que a gente não sabe, não conhece, silenciar-se para ouvir melhor, tem sido cada vez mais difícil.

 

Parece-me que só vale o silêncio dos outros, a recusa, o afastamento. Cansei dos gritos das redes na artificialidade das telas. Cada vez mais venho apreciando o silêncio dos encontros e a paz das descobertas.


Nesse templo, apreciar os sons do silêncio pode nos levar para outras terras dessa comparação: som dos diamantes/silêncio. E bendito seja o livreiro Paulo Fernandes que, na manhã de domingo, nos trouxe Jack Kerouac!

 

A partir dessa citação, nossa! Uma série de representações do silêncio foram pousando nas páginas azuis da minha rotina. Porque além do poder de cortar que nem diamante, o silêncio tem peso.

 

Porque há o silêncio que nos derruba e o que nos levanta, o da poeira e o da lama. Não sei por que, mas sempre imaginei a eternidade como uma das dimensões do silêncio. Tá vendo aí, Paulo? Olha só pra onde a gente está indo...

 

E por fim, ou o início de um sim para as singularidades do silêncio – contrariando – quero que fique com uma cena: o estouro de uma bolha de sabão diante das asas de um beija-flor.


... farelos por aí ... 

 

 

A recuperação do joelho e os treinos regulares na academia foram importantes para pensar, pelo menos, o primeiro semestre do ano a que me propus a vencer desafio dos 18 km – Volta Internacional da Pampulha.


Com treinos regulares, nada de muitas exigências. Isso porque eu não seria louco de ficar brincando com o joelho. Companheira Estela avisou que teria uma prova no final de março, mais precisamente no dina 30/03/2019. “Bora lá!” Praticamente o mesmo percurso da estreia, porém a corrida de Sant Patrick’S tinha um diferencial, era noturna. Quase no mesmo ritmo, conseguimos correr os 05 km.


Não sei se foi benção do santo, mas na manhã seguinte, comecei a sonhar com outras distâncias. Imediatamente fiz contato com a Estela a respeito das próximas provas. Na academia, os professores deram o maior apoio, inclusive, reforçando a importância da regularidade.


De 5 para 8, em menos de 90 dias? Guardadas as devidas proporções de juízo, hoje reconheço que não devia ter ido tão rápido assim; porém é isso que você deve estar imaginando. No dia 19/05/2019, eu e Estela estreamos nos 08 km no Corrida Santander.  Por mais que fosse um percurso plano, não foi uma prova assim tão simples. Faltou preparo, não em relação à academia, mas outro de que trataremos, ao longo da jornada.


O que nos aguardava na próxima estação?  


 

Férias com a família, de molho, sem poder correr foi moleza não. Sempre nesses contextos que surgem as melhores oportunidades, a exemplo da oportunidade de viajar com a família para a cidade de Paraty, no Rio de Janeiro. E só para irritar, de vez em quando, o convite de um ou outro hóspede:


– Bora para uma corridinha leve na beira da praia?


– Você vai devagarinho, já deve dar conta. Bora?


Bora que nada. Teve momento que a cabeça fervilhou de pensamentos que jogaram na areia: será que vou ter que adiar o desafio? e se eu não conseguir correr nunca mais? será que vou ter que fazer sessões de fisioterapia?


O jeito era seguir em frente, no tempo do abençoado. Assim que voltamos da viagem, retornei à academia com aqueles quilinhos a mais.


– Fique tranquilo, logo, logo, você estará bem. Só vamos ter que mudar um pouco sua ficha e fazer alguns ajustes.


Não sei se é assim com você, mas quando machuco, no tombo, fico mais pensativo e na medida do possível, sinto que a concentração aumenta. Era preciso recuperar porque dentro de alguns dias eu estaria de volta à sala de aula, na maior parte do tempo, trabalhando em pé, e o joelho...


Curiosamente, mesmo com a ausência da dor, com o tempo fui ficando inseguro até para caminhar mais rápido na esteira. Não conseguia entender, mas ficava cheio de “larga e me deixa” para acelerar o passo. E o professor lá, depois de uma série específica de exercícios: “Vai lá, moço, você vai dar conta. Já tá recuperado”.


Depois de duas semanas, numa segunda-feira de Carnaval, subi para a Cidade de Minas e lá fui, depois de caminhar por um tempo, resolvi correr de leve. Sem pressa e hora para acabar, fui repetindo até que conseguir completar 01 volta sem ter que parar.  


Ufa! Eu estava com o joelho curado! Ao término do treino, retirei a camisa no calor de fevereiro, sentando-me debaixo de uma árvore. “Muito obrigado, Senhor! Estou de volta!”

 

 


 

De vacilo em vacilo vai nascer um atleta, ao longo das próximas páginas. Faço questão de contar sobre esses perrengues para que você não cometa os mesmos erros. Assim que leu o título do capítulo, deve ter imaginado pista, prova, km e km. Nada disso, calma lá. Como já sabe, comigo nada é assim da noite pro dia.


Primeira prova de corrida aconteceu ali no último domingo do mês, avaliações finais na escola e todo aquele tumulto típico de final de ano e lá se foram os treinos da academia mais uma vez. Aceitável?


A questão do mês seguinte. Dezembro com festas para perder de vista com aqueles pratos imperdíveis, preparados com todo carinho do mundo. Casa da mamãe, da comadre, amigos e confraternização aqui e acolá. E o resultado chega com os dígitos da balança.


Não sei sua relação com essa época do ano, mas no meu caso sempre foi difícil encarar esse contexto. Por outro lado, é também a época de minhas férias, tempo para viajar com a família.


Já na recepção do hotel em Vitória ouço alguns turistas dizendo que iam correr no calçadão mais tarde, que ali perto da praia era um lugar muito agradável para se exercitar. Em respeito ao cansaço de todos da família, tive que deixar o treino para o dia seguinte.


Eu nunca tinha corrida em beira de praia. E aquilo tinha tudo para ser inesquecível. De verdade, quando passei dos 3km, senti que estava podendo e até aumentei um pouco o ritmo. Fui pra cima com vontade e bati meus primeiros 6km. Pensei que estivesse arrasando.


Não tive tempo de comemorar, pois assim que botei os pés no hotel, um dos joelhos acenou para o desavisado que vos escreve: “ô, filhote, você passou dos limites”. À medida que o corpo ia se esfriando, a dor ia tomando conta. Farmácia,relaxante muscular e nada.


Situação: a primeira contusão, minha gente. Passei a última semana daquele ano mancando. E para carregar a filha caçula? Imagina como foi visitar alguns pontos turísticos? Mas poderia ficar ainda mais complicado?


E não é que ficou? Assim que voltei para casa fui procurar um especialista. De cara, a ressonância magnética e um montão de coisa que passa na cabeça da gente. Recordo-me que o doutor disse lá de um tal de menisco. Eu nem quis entrar em muitos detalhes, pois era muita informação. Hora do veredicto:


– Alfredo, você vai ter que ficar 30 dias sem realizar atividade física. Precisa se recuperar dessa contusão. Alguma dúvida?


  Só raiva mesmo (risos) Era a primeira semana do mês de janeiro e o primeiro perrengue. E quem nunca se machucou na corrida que me dê um par de tênis novo, combinado?  

 


 


Você conhece a história do sapo que marcou presença em uma festa lá no Céu?


Você se lembra daquela clássica história do sapo-cururu que, sem convite, pegou uma carona na viola do urubu e foi parar na festa do Céu?


Sim, essa mesma! Aquela em que, depois de se divertir pra valer, ele acabou sendo pego no flagra e foi... bem, 'despejado' do Céu."


O que talvez você não saiba é que Ícaro, o sobrinho desse sapo inesquecível, também sonhava em ir à festa no Céu.


Essa é a divertida história escrita por Marcos Nascimento, ilustrada por Walter Lara e publicada pela MRN Editora. E é um convite irresistível para a leitura! 

Já no título duas chaves que despertam nossa atenção. Por favor, releia-o, em voz alta. Desconfia de alguma coisa?

 

Primeira chave: o nome Ícaro. Ele nos remete diretamente ao filho de Dédalo da mitologia grega, conhecido por sua trágica tentativa de voar perto demais do sol com asas de cera. Lembrou agora?

 

Mas há um detalhe fascinante: repare na linda capa da obra de Marcos Nascimento que o protagonista está voando entre outros dois personagens. Quem serão eles?

 

 

Segunda chave: o título é uma frase afirmativa. Essa afirmação inicial já nos empolga e gera uma série de perguntas: Como assim? De que forma um outro sapo conseguirá chegar à famosa festa do Céu?

 

"Jamais! Não vou estragar a surpresa. Para desvendar essas e outras questões, o convite é claro: mergulhe nessa divertida história de coragem, amizade e um verdadeiro louvor à imaginação!

 

Posso adiantar que, para transformar seu sonho em realidade, Ícaro enfrentará diversos obstáculos – como a desconfiança de um sapo chifrudo e até a ira de muitas aves.

 

Por outro lado, a ajuda dos amigos fará toda a diferença nessa jornada rumo ao Céu. Ops! Quase soltei mais spoilers aqui. Que tal providenciar a leitura dessa obra agora mesmo?"

 

DETALHES:

 

Livro: Ícaro vai à Festa do Céu

Autor: Marcos Nascimento

Ilustrador: Walter Lara

Editora: MRN


 


– O homi tá cuspindo bala na cozinha. Era hora já de tá na rua atrás de mais uns quilômetros pra cumprir com o tal do desafio.


– Como sabe que ele tá nervoso?


– Ah, isso é fácil de perceber. Como sal com esse traste aí um tempo bão, menina.


– Já é vem a senhora de novo querer maltratar o pai. Só fiz uma pergunta boba e...


– Boba sou eu que tem que aturar aquela praga fazendo essa barulhada, antes das sete. Vai quebrar outra vasilha daqui a pouco, vá escutando aí. Ahh o jeito que o infeliz joga os talheres na pia. Perigoso nem olhar se tem algum copo lá.


– Então é assim que a senhora identifica que ele tá bravo, chateado?


– Fica pior do que a gente naqueles dias. E o diacho tem que descontar na pia lotada? Ô vontade de descer lá e chamar na xinxa. Ô vontade.


– Bobeira, mãe. Até sair da cama, se preparar e descer, meu pai já vai tá calmo. Deve ter perdido hora, não achou um copo limpo ou o pó de café acabou.


– Verdade. Pensando pro bem, vamu deixar isso pra lá. Vamu dormir mais, tamu de férias.


 



Casado com uma atriz e professora de teatro, sempre respeitei a mística das estreias. Aprendi com Leandra Pacífico que a estreia é sempre um tempo de ansiedade, insegurança, ausência e mistério. Só de pensar que aquela seria minha primeira prova, bateu o famoso friozinho na barriga.

 

Para minha alegria e satisfação, embora a inscrição tenha sido feita pela internet, quem retirou o kit foi minha comadre, Maria Estela. Ela, os meninos João Pedro e Toddy, foram os parceiros da minha estreia. Completando o time, quem nos levou até a pista foi o compadre Ronaldo Silva. Além de motorista, ele é o nosso incentivador número 1.

 

Na madrugada do dia 25 de novembro de 2018, choveu bastante. Era o anúncio da edição de verão do conhecido Circuito das Estações. Fato é que chovia tanto que, enquanto saía de casa, na inocência, imaginei até que a corrida pudesse ser cancelada.

 

Fomos direto para a casa da Estela. Lá, todos leram em meus gestos o clima da estreia. Sabe quando você está prestes a realizar uma atividade e fica sem entender muito bem o que está acontecendo? Eu me perguntava, em silêncio: "É isso que tá rolando? Vamos descer para a Pampulha de verdade?"

 

De fato, estava acontecendo. Debaixo de uma chuva relativamente fria, eu e Estela estávamos na pista para os 5 quilômetros. A parceira já havia participado de outras provas. Os meninos, adolescentes fininhos, se inscreveram para os 10 km. Cada um no seu ritmo, e eu, ansioso.

 

Seguindo os trejeitos típicos de um estreante, fiz os alongamentos e fui para a pista. Eis a largada e mais de 1 km para o corpo sedentário entender o que estava acontecendo. Nem fiz questão de me hidratar no 2º km. Segredinho só entre a gente aqui: era a insegurança de parar e não conseguir concluir a prova. Então, reduzi o ritmo para que a parceira se hidratasse.

 

Lá pelo 3º km, comecei a apreciar a prova. A chuva trazia um certo encanto, lavava o suor e refrescava meu corpo, que, a essa altura, já aceitava a ideia de que seria possível correr até a linha de chegada. Uma câmera desavisada facilmente capturaria minha expressão de gratidão, a alegria de quase chegar lá.

 

Ao meu lado, Maria Estela, com todo entusiasmo, companheirismo e incentivo. "Vamos conseguir! Falta pouco." Claro que não era tão simples assim. "Pouco" que nada. Eu só queria que terminasse logo, mas, sem muito o que fazer, o jeito era seguir firme.

 

Quando eu já pensava que estava perto, uns 200 metros antes da tão desejada linha de chegada, lá estava Ronaldo Silva, gritando e nos incentivando: "Vai, Farelo! Vai, Estela! Vocês estão quase lá. Bora! Bora!" Ter alguém torcendo por você faz toda a diferença. Guarde com carinho essa lição.

 

Inacreditável. Difícil descrever todas as sensações de cruzar a linha de chegada, de correr ininterruptamente os primeiros 5 km da minha vida. A gratidão pela primeira conquista, debaixo de chuva. Em 35 minutos, o batismo: um importante passo rumo ao Desafio proposto pela minha filha.

 

Agora, você sabe: a prova dos meus primeiros 05 quilômetros foi no famoso Circuito das Estações. O que será que vem por aí?

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