"Porque o silêncio em si é como o som dos diamantes que podem cortar tudo!” escreveu Jack Kerouac. Arrisco-me a afirmar que o porta-voz da Geração Beat, do final dos anos 1950, tinha consciência do alcance do seu timbre nas gerações futuras.
Primeiras constatações foram o impacto
sobre a contracultura e o movimento Hippie da década seguinte. Embora seja um
escritor muito conhecido, sobretudo pela publicação da obra "On the
Road" (Pé na Estrada, 1957), que ainda não li, escolhi ficar apenas com a
frase inicial. Em alguns momentos, uma frase basta, em outros, uma palavra.
Se possível, releia-a mais uma vez,
antes de seguir. O mundo contemporâneo não tem lidado muito bem com os tempos
de silêncio. Em certos contextos, quaisquer segundos sem som representam uma
batalha.
A impressão é de que fazer silêncio,
calar-se diante daquilo que a gente não sabe, não conhece, silenciar-se para
ouvir melhor, tem sido cada vez mais difícil.
Parece-me que só vale o silêncio dos
outros, a recusa, o afastamento. Cansei dos gritos das redes na artificialidade
das telas. Cada vez mais venho apreciando o silêncio dos encontros e a paz das
descobertas.
Nesse templo, apreciar os sons do
silêncio pode nos levar para outras terras dessa comparação: som dos
diamantes/silêncio. E bendito seja o livreiro Paulo Fernandes que, na manhã de
domingo, nos trouxe Jack Kerouac!
A partir dessa citação, nossa! Uma
série de representações do silêncio foram pousando nas páginas azuis da minha
rotina. Porque além do poder de cortar que nem diamante, o silêncio tem peso.
Porque há o silêncio que nos derruba e
o que nos levanta, o da poeira e o da lama. Não sei por que, mas sempre
imaginei a eternidade como uma das dimensões do silêncio. Tá vendo aí, Paulo?
Olha só pra onde a gente está indo...
E por fim, ou o início de um sim para
as singularidades do silêncio – contrariando – quero que fique com uma cena: o
estouro de uma bolha de sabão diante das asas de um beija-flor.
... farelos por aí ...
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