Sancho, a gente nem se viu ontem. Hora de me desculpar também com quem veio acompanhar nossas conversas e não encontrou nada por aqui.

 

Como teremos um feriado na próxima sexta, alterei os dias de treino. Isso mudou muita coisa, meu amigo. Comecei a semana com 15 tiros de 400 metros na esteira. E não é que gostei? Hoje foram apenas 45 minutos, bem leves.

 

Agora, só de pensar na programação de amanhã, dá um frio daqueles na espinha. Será um teste de 5 km, o segundo do ciclo. Meu Deus!

 

Alimentação regada a carboidrato (na medida), roupa separada, esparadrapos nas unhas que ainda restam e dormir cedo. Vou precisar de Vitamina S.

 

Até lá, Sancho, vamos rir um pouco? Coisas da vida de professor:


Justamente na hora da prova de matemática, passa o carro da pamonha quentinha, do bolo, do suco de milho verde... "Tá gostoso! Tá uma delícia!"


Eu nunca tinha visto uma turma tão religiosa, mas, na primeira oportunidade, fecham com o diabo e colam... Como gostam de cometer esse pecado, Sancho!

 

Era isso por hoje. Reze por mim, meu amigo.


 


Noite de domingo,

 

Sancho amigo, tive um dia de pernas para o ar. Consegui ficar um tempo até longe do celular, ali antes de encomendar o frango assado para o almoço.

 

Neste dia de descanso, não há treino. Só começo a trabalhar no final da tarde, início da noite. Importante deixar registrado que, nesta data, o mundo da corrida assistiu a um fato absurdo. Fantástico!

 

O queniano Sebastian Sawe estabeleceu um novo recorde mundial na maratona, tornando-se o primeiro homem a correr abaixo de 2 horas em uma prova oficial. O guerreiro venceu a Maratona de Londres, em 26 de abril de 2026, com o tempo histórico de 1h59min30s. Consegue imaginar esse tempo, Sancho?

 

Por aqui, em nossas palhoças de seres reais, tomei um susto daqueles com a planilha de treino que acabou de chegar. Que Deus nos abençoe, meu amigo! O chicote vai cantar.

 

Faltam 63 dias para o dia da prova. A cada semana, uma série de descobertas. Uma delas, que tem mexido bastante comigo, diz respeito à vontade de aprender, experimentar e desengavetar projetos antigos. Quer saber a real? Estou apreciando bastante este ciclo de treinamento. Pronto, confessei! O que vem por aí? Deixo nas mãos de Deus, meu irmão.

 

Agora, preciso cuidar de outras coisas. Vou escrever uma carta para uma pessoa muito importante com quem a vida nos presenteou ao longo da jornada do empreendedorismo cultural.

 

Abraço,

...


 


Tarde de sábado, seu safado!

 

Sancho, Sancho, meu amigo, quase apanhei em casa no início da tarde. Eu ia contar para a dona esposa que lá no Bar do Coquinho eu conheci a tal da Germana.

 

Nos seus tempos de boteco, você chegou a experimentar uma dose da Germana? Por falar em aguardente, Sancho, seus amigos todos lá querem notícias suas. Cadê o Pança? Ele está bem? Continua fofo? Você é muito popular, meu amigo. Será que, quando ela descobrir, a patroa vai me xingar?

 

Estou te contando essas coisas porque eu precisava comemorar o LONGÃO de hoje. E, claro, já mando um salve para quem lá da BH Run estiver lendo este texto. Graças à assessoria deles, seguimos firmes aí no ciclo de treinamento.

 

Sancho, hoje estava tudo certo para dar errado. Não é trocadilho barato não, moço. Começou zebrando ontem à tarde/noite. Hidratação capenga por conta das atividades do instituto, fiquei muito tempo sem comer, o jantar lá pelas tantas, umas 23h. Exausto, dormi tarde para madrugar. Comecei o dia indo três vezes ao banheiro antes de descer para a pista. Barriga pesada, a falta de vitamina S; mas fui assim mesmo: disciplina.

 

Escolhi o lado da Pampulha que ainda tem matinho, caso batesse algum desconforto... se é que você me entende. O treino não encaixava de jeito maneira: ora rápido demais, às vezes abaixo do proposto; mas me mantive firme. Não parei. E água gelada na cara, na garganta, na cabeça, porque o sol já castigava. Pela graça de Deus e pela constância que venho buscando manter — com todo o apoio da assessoria —, conseguimos, Sancho.

 

Em comemoração, a Germana me fez companhia enquanto era preparada a porção de tropeiro e torresmo para a família. Eita nós!

 

Aqui, sobre essas atividades do instituto, a gente conversa depois, demorou? Agora tenho um compromisso: uma batalha de hip hop para prestigiar.

 

Fui.

 

...


 

Querido Sancho,

 

Que semana incrível estamos vivendo, hein?! Foram tantas mancadas, vacilos tão grandes que nem consigo listá-los todos aqui.

 

Ah, mas como sei que você vai ficar curioso, aí vão alguns: passei um tempão preparando a aula especial sobre o Naturalismo, mas confundi a data. Na minha cabeça, seria no dia 22, só que rolou ontem. Pelo menos valeu cada segundo com os nossos viajantes... uma aventura pelo final do século XIX.

 

Há três semanas, pensei que tivesse enviado um documento importante para um dos setores de apoio da escola. Só ficou no pensamento. Quase morri de vergonha quando fui cobrado e assumi o descuido.

 

O dia de ontem foi tão tranquilo, mas tão "de boa", que não tive tempo nem para tomar café da manhã, acredita? Só que, no meio desse caos todo, tive mais uma ideia estranha: antecipar o final de semana com as atividades culturais, marcando a estreia com um "filtro de horário" nos stories do Instagram — @farelodequiat — vai que alguém queira nos seguir por lá?


22:04 — No porão de casa, selecionando obras literárias para um evento do “Instituto Livros em Todo Lugar”.

 

22:41 — Curadoria concluída, hora de se preparar para dormir um pouco.


04:50 — Já de pé, preparado para o treino leve de corrida.


05:53 — Treino concluído, dentro do carro para levar a filha mais velha para a escola.

 

08:07 — Na Escola Estadual Boa Vista, em Contagem, preparando a biblioteca para a roda de conversa sobre a importância da leitura literária.

 

10:24 — Ação concluída com sucesso. Um salve para o nosso mediador Paulo Fernandes, que conduziu a atividade com grande maestria. Hora de voltar para casa.

 

11:27 — A segunda curadoria, em menos de 24h, para o evento que vai rolar em outra escola, dessa vez na cidade de Belo Horizonte.

 

Bem, a ideia é continuar registrando até a tarde de sábado. Que Deus nos abençoe até lá. Agora tenho que ir me preparar para as próximas ações.

 

Até breve, Sancho amigo.

 


 Meu caro Sancho,

 

Hoje, o silêncio da casa antes do sol nascer foi meu único companheiro. Sabe, há dias em que o corpo e o relógio travam um duelo, e hoje o despertador sequer precisou tocar. Eu já estava lá, de olhos abertos, encarando o teto e calculando as passadas.

 

A meta eram 10 km, Sancho. E não era qualquer leveza; era ritmo puxado, daqueles que exigem cada gota de concentração e não admitem interrupções. Era para "sentar a botina". Era.

 

Se eu saísse para buscar esse tempo, não estaria aqui para acordar a filha mais velha, preparar o banho e organizar a ida para a escola. Em dias de trote leve, a gente até troca ideias com o asfalto, vai e volta, dá um jeito. Mas hoje? Hoje a pista exigia exclusividade.

 

A verdade, meu fiel escudeiro, é que a noite passada foi longa. Entre o lançamento de notas do colégio e os pequenos reparos que uma casa sempre pede, o sono chegou tarde.

 

Aqui, não são desculpas esfarrapadas, você me conhece — é apenas a vida real se impondo sobre os moinhos de vento da minha rotina rumo à maratona. O resultado? Não deu. O treino ficou no "quase".

 

Mas não desanimo, pois o cavaleiro aqui não entrega a armadura. Amanhã a agenda estará apertada, cheia de tarefas que me dão vida, e é nesse tom que vou encontrar uma janela para correr.

 

O sábado nos reserva o treino longo, o verdadeiro teste de resistência, para que no domingo eu possa, enfim, dar o descanso merecido aos pés e à mente.

 

Seguimos, Sancho. Se não foi na velocidade de hoje, será na toada de amanhã.

 

...


 

 

Querido Sancho,

 

Nesses últimos dias, ingeri algumas cápsulas de Vitamina S. E essa última noite... bom, sem comentários. Eu me senti tão bem.

 

Sono. Consegui dormir bastante, descansar o corpo, a mente e dormir até estranhar a cama. O trote de hoje foi incrível; parecia até que eu estava de férias. Fluiu, rendeu. Pena que foram apenas 40 minutos, mas tudo bem, porque amanhã é dia de "sentar a botina". Não quero nem pensar nisso agora, amigo.

 

Sancho, na escola, peguei um estudante co-lan-do. Na hora de depositar o celular no armário, ele jurou: “não trouxe”. Estava lá, registrado na lista de presença. Passados alguns minutos, eis que surge um aparelho com a tela quebrada, escondido na cadeira, entre a parede e a perna do menino. E o pior: pedindo socorro para o GPT? Graxa.

 

Depois da aplicação de provas, seguiu-se o roteiro: reflexões sobre os “olhos de ressaca” da Capitu, lançamento de notas, preparação de aulas e aquele povo que adora conversar pelos cotovelos. Tive até que esclarecer:


— Comigo está tudo bem. Não estou doente, muito menos tomando Mounjaro, certo?

 

Agora, vou saindo de fininho, Sancho, porque ministrarei uma aula especial sobre um estilo literário lá do Século XIX.

 

Abraço,

...

 


Sancho querido,


Por ir para a cama mais cedo, rolaram alguns pesadelos. Ao despertar, que dia é hoje? Nossa! É dia de coleta. Separa daqui, corre para lá... será que vai dar tempo de o caminhão recolher? Cachorras latem, querem a liberdade da rua. Cadê a chave? Caminhão buzinando, os atletas da limpeza gritando. Não, não deu tempo.

 

A tarefa não foi concluída. A casa da sogra? Lá eles passam um pouco mais tarde, vai dar tempo! Tiro o carro da garagem, saco no porta-malas e lá vamos nós; do contrário, só na quinta para o acumulado desses dias. Até lá, seriam três sacos de lixo. Meu Deus!

 

Ufa! Deu tempo. Deixei o saco no passeio da minha querida sogra. Tomara que ela não descubra essa minha "arte". E teve padaria, comida, água para as cadelas, o café preparado para a esposa... Sem pensar muito, hora do treino mais temido da semana: CANEQUINHA! Aquele em que contamos devagar para não perder a linha.

 

Já conversamos a respeito desse abençoado. O Marcelo Camargo o chama de “TIROTEIO”; no mundo da corrida, INTERVALADO. O abençoado consegue separar o corpo da alma com uma habilidade incrível. Parece que o ponteiro do relógio congela nosso esforço.

 

Assim que comecei a fazer esse tipo de treino, levava uma canequinha azul com milho ou feijão e ia contando os tiros. Cada grão, um tiro concluído. Divertir-se com a própria dor. Agora, coloco em um bloco de notas e, enquanto caminho, dou um “check”!

 

Sobrevivi! Agora, vou me desdobrar nas tarefas do instituto “Livros em Todo Lugar” e da escola. Como sabe, Sancho, minha vida não se restringe à corrida; há outras lutas, não é mesmo?


...


 



 Sancho querido,

 

E não é que tivemos uma segunda-feira diferentona? Não se assuste com o adjetivo, amigo. Vou te contar como foi.

 

Primeiro, que amanhã é feriado nacional – Dia de Tiradentes, um cavaleiro lá do século XVIII. Hoje foi recesso na escola e a consequência disso? Família toda em casa. Ao menos por um tempo.

 

Comecei o dia com aquele treino que nomeei “Espelho dos Princípios”, está lembrado? Um trote, Sancho. O tipo mais leve de corrida; é possível executá-lo conversando, trocando ideias, entende?

 

Assim que voltei, a família já se preparava para o tão aguardado rolê do feriadão: passar o dia em um hotel-fazenda, a uns 60 km de casa! Partimos para lá sem café da manhã. Acredita?

 

Ah, Sancho, só faltou você à mesa. Quantas iguarias! Bolos, biscoitos, roscas, pães deliciosos. Até matei a saudade do leite queimadinho. Memória dos tempos de menino.

A filha caçula foi logo se trocando; a outra caçou uma rede entre as árvores para recuperar o sono, já que dormiu tarde.

 

Nem sei como, enquanto eu lia a obra Toada da terra de lá, de Gisele Garcia, apareceu uma gata de três cores esbanjando charme, mas que também implorava por carinho. Resultado: só fui terminar a leitura às vésperas do almoço, após ter apagado em uma das redes debaixo das árvores.

 

Não foi só leitura e soneca, não. Rolou piscina, muita música boa e o almoço em si... bem, esse nem tanto (faltou um pouco de sal). Mas estar assim com a família está acima de qualquer tempero, Sancho. Todos nós precisávamos muito deste dia, um momento de descanso. Como foi bom!

 

Pretendo até dormir mais cedo. Estou pregado!

 

Boa noite!

...

 
Caro Sancho*,


Nesta data, aproveitando que é dia de merecido descanso das atividades físicas, quero esclarecer alguns pontos para quem está chegando agora. Bora lá?!


Farelo na Pista é o nome do projeto de preparação para a minha primeira maratona. Teve início em 3 de janeiro de 2023. Não foi uma promessa vazia de Ano Novo, mas uma proposta de nova vida.


Na estrada: já se foram algumas voltas na Lagoa da Pampulha, umas poucas meias maratonas e os desafios de aniversário do Instituto Livros em Todo Lugar.


Eu não "meti o louco": não acordei e disse "vou correr uma maratona". Nada disso. Desde 2022, conto com o apoio técnico, profissional e psicológico da BH Run, assessoria com longa experiência.


O batismo: nessa assessoria, após completar um desafio, meu treinador me presenteou com um adjetivo que carrego com honra: Atleta do incentivo à leitura.


A inspiração: após sete semanas mergulhado nos dois volumes do clássico de Miguel de Cervantes, elegi Dom Quixote como personagem-símbolo desta jornada. Para quem não sabe, em um ciclo de maratona a gente leva inúmeras pancadas — tal qual o cavaleiro andante em sua jornada.


O sinal: ainda sobre o personagem, ao final de cada semana, no famoso LONGÃO, aparece lá nos stories uma ilustração dele sobre o cavalo, acompanhada dos detalhes do treino.


O pacto: a referência explícita ao fiel escudeiro de Quixote, a partir de agora, será o modo como começarei nossas conversas.


Sabe o que isso significa? Todos que estiverem comigo nessa jornada serão meus confidentes. Jovens, adultos, idosos... todos vocês serão, para mim, Sancho Pança.


Vamos que amanhã tem TREINO. 


Bom descanso e boa noite!

 

Diário querido,

 

Nem comecei a sentir o cheiro do almoço ainda, mas a curiosidade falou mais alto e vim correndo te contar as novidades. Uma tem a ver com dor; a outra, com a cara das nossas conversas daqui para frente. Preparado?

 

1. O preço da velocidade

 

Às 03h40, dei início ao treino mais rápido da minha vida. O resultado? RP triplo: bati minhas marcas nos 10 km, nos 21 km e nos 30 km!

 

Estou radiante com a conquista, mas, como tudo tem um preço, levei uma bronca do treinador (com razão, o risco de lesão foi alto) e conheci o famigerado "mamilo de corredor".

 

Eu achava que isso era lenda ou coisa de atleta de elite. Para quem não sabe, é um sangramento causado pelo atrito constante da camiseta com a pele, potencializado pelo suor. No meu caso, não foi nenhum filme de terror, mas o alerta acendeu: o próximo item da lista de compras é vaselina. Já não basta carregar o "charme" de algumas unhas a menos nos pés, agora a teta resolveu protestar? Rindo para não chorar!

 

2. Identidade renovada

 

Saindo da dor e indo direto para a estética — ou melhor, para a identidade visual do Farelo na Pista. A partir da próxima postagem, teremos uma capa fixa aqui no site. Uhuuuuu!

 

Depois de uma semana intensa de registros neste "Diário da Maratona", sempre com fotos naquele mesmo clima (caneta, papel, mãos escrevendo), chegou a hora de formalizar. A imagem será a mesma, mudando apenas a contagem dos dias. Com isso, começo também a divulgar o projeto oficialmente.

 

Não sei onde essa trilha vai dar, mas quem sabe alguém não se anima a embarcar nessa jornada comigo?

 

Até amanhã...

 

Farelo na Pista


Diário amigo,


Não sei se foi descuido da rede ou a curiosidade dos estranhos, mas descobri que já temos uns três leitores por aqui. O curioso é que não soltei o verbo para ninguém: nada de Instagram, WhatsApp ou qualquer outra vitrine. Como essa turma chegou?


Quer saber? Pouco importa. Quero é lhe contar que, ao contrário de ontem, hoje eu venci a preguiça e fui correr — não exatamente como a planilha mandava, mas fui. O motivo do ajuste? Alimentação capenga nos últimos dois dias, hidratação falhando... não deu outra: foi na base do "o chamado do banheiro". Quase no fim, tive que sair em disparada. E tudo bem. Não é a primeira vez, nem será a última. A gente ri para não chorar, né?


Depois, levei a Clarice para a escola e acabei emendando o trabalho por lá mesmo. Manhã produtiva: consegui zerar as provas da 1ª série e limpar a caixa de entrada, disparando aqueles e-mails que estavam me assombrando.


Agora, já no final da tarde, o foco mudou. Começaram os preparativos para o treino mais longo da temporada. Amanhã vou encarar os 32 km pela segunda vez. É ritual de preparação: suco de uva integral, gel de carboidrato, sachê de eletrólitos e, principalmente, tentar descansar o corpo.


REFLEXÃO


Uma das grandes lições que este ciclo da maratona tem me trazido é a importância de consumir a "Vitamina N". Aprendi essa com o Eliud Kipchoge, o monstro queniano que foi o primeiro a correr uma maratona abaixo de 2h.


Vitamina N. Pode vir em cápsula ou scoop de 3g, tanto faz. O lance é que ela precisa fazer parte da dieta diária. Vitamina Não. Aprender a dizer não para o que tira o foco e a energia.


Até amanhã, meu amigo.


Farelo na Pista

 

73 dias para a maratona. O bagaço também faz parte do treino. “Não ria não”

 

Hoje a madrugada foi silenciosa. O despertador tocou, mas o treino de 1h10min não rolou, minha gente. Não teve "farelo na pista" na última manhã, e a culpa nem entra aqui – entra o bom senso.

 

Ontem foi daqueles dias de jornada tripla, dobras à força: dois turnos de trabalho, reunião, e ainda uma hora e meia de formação no final. Quando cheguei em casa, o corpo deu o recado: sinusite chegando, olho lacrimejando, nariz querendo zoar e a cabeça latejando. Tentei jantar, tentei descansar, mas o sono foi interrompido algumas vezes pela dor.

 

O diagnóstico da falha: além da maratona de trabalho, vacilei no básico. Sem marmita, acabei recorrendo a restaurante, e a hidratação ficou lá embaixo. O resultado? Imunidade sentindo o golpe.

 

Hoje, a ordem é silêncio absoluto. Sem treino, sem academia, sem caçar conversa com o acaso. O foco vira a recuperação para amanhã soltar um trote leve – só para avisar o corpo que o longão de sábado está chegando.

 

Vida de corredor tem dessas: a gente planeja o cenário no detalhe, mas a realidade impõe os seus arranjos. Como venho escrevendo aqui: sem filtro, sem firulas. É aceitar o tranco, se cuidar e seguir.

Farelo na Pista

 

(amanhã, com fé).

 


Quarta-feira, 15 de abril de 2026

 

A 74 dias da maratona, o celular desperta. Se eu tentasse negociar com a minha mente, perderia fácil. Ela diria assim:

 

“Fique mais uns 30 minutos na cama. Você merece descansar, pois ontem trabalhou manhã e tarde, e ainda entregou o treino intervalado. Coitado! Foi dormir tarde... blá, blá, blá!”

 

Como dizem por aí: “nem pensa, só vai”. Fui. Sem me preocupar com a performance, uma vez que o treino de hoje era leve, estilo regenerativo — compreende?

 

Nos primeiros três horários, treinei panturrilha enquanto aplicava provas; depois, uma aula com questão discursiva e duas janelas para sonhar. Janelas na rotina de um professor são templos de respiro na jornada. Adoro.

 

Nenhum motivo para reclamar de nada. Se estou de boa? Com muitas tarefas da profissão — trabalhos e provas para corrigir, projeto para escrever, entre outras demandas urgentes —, mas sim, estou em paz, em ritmo de ajustes.


Encerro por aqui a escrita de hoje, pois ainda tenho uma reunião e um curso de formação pela frente.


E vamos que VAMOS...


Farelo na Pista



Quando saio do ritmo, levo algumas horas ou até dias para reencontrar o tom. O erro ao final da manhã de ontem foi apenas a ponta dos desajustes que desabrocharam ao longo da tarde, atravessaram a noite e despontaram na manhã de hoje: prazos não cumpridos, negativas de projetos importantes e uma queda de energia nos preparativos da próxima atividade. Parecia o fim. Mas não; era apenas o enredo dos desarranjos protagonizando alguns sinais.


Não bastassem os equívocos, foi preciso encarar uma inquietação antiga: a perda temporária de objetos pessoais. Desta vez, sumiu o estojo com canetas, pincéis de quadro branco, lápis, lapiseira e um pen drive com arquivos importantes.


Com o atraso causado pela procura, veio a mudança repentina no plano de aula. No lugar do conteúdo previsto, a análise e a correção da prova aplicada ontem. Sobrou tempo para a chamada e para a conversa, sem a toada frenética e desenfreada das últimas semanas. Foi um momento para me sentir mais próximo dos estudantes — mais humano, menos máquina; menos um robô que "cospe" matéria sem pestanejar.


Antes de receber a notícia de que o estojo estava em casa — largado debaixo do sofá após pular da mochila no final de semana —, eu já começava a interpretar os sinais da necessidade de me desligar.


A tarde foi mais leve. Não apenas pelo reencontro com os pertences, mas pela reconexão; por me pertencer novamente. Há horas em que a vida nos lembra de que somos humanos, e quando aceitamos isso, é gratificante.


Jamais imaginei que estaria, no início da noite, escrevendo assim, de modo visceral: períodos longos, frases sem filtro, compromisso apenas com a entrega. Em respeito ao seu tempo, não entrarei em mais detalhes.


O dia, porém, não acabou. Às 21h, haverá o treino intervalado — que o amigo Marcelo Camargo chama de "tiroteio". Até lá, buscarei minha filha no inglês, atravessaremos a cidade, faremos um lanche e, finalmente, a academia.


Peço desculpas por me alongar.


... E vamos que VAMOS ...


Farelo na Pista

 

A 76 dias da maratona. Dei início às atividades às 05h. Foi um treino fraco de 40 minutos, comumente chamado de "trote".


Desde 2024, venho ressignificando cada uma dessas atividades; então, por uma questão de estética, chamo-o de "Espelho dos Princípios".

 

Antes mesmo das 06h, levei a filha mais velha para a escola. Na volta, passei na padaria e segui para o segundo treino: musculação. Força!

 

Café da manhã com a esposa e a filha caçula, ida ao barbeiro, passada no açougue para solicitar os cortes da semana. Eis que recebo uma notícia, via WhatsApp, sobre um descuido no trabalho.

 

Uma questão a menos. Assumi. O erro foi meu. Eu estava no final do processo e deveria ter conferido o arquivo da prova com mais atenção, mas, infelizmente, falhei e... paciência.

 

Sim, é chato. Acontece — mas não deveria. Só não vou deixar que esse descuido estrague meu dia.

Eis um pouco da minha segunda-feira. Vida real, sem filtros, nada "instagramável", apenas o registro no branco da página.

 

E... vamos que vamos.

 

Farelo na Pista.

                                     

Domingo, 12 de abril de 2026

Um cabeçalho típico como este te lembra algum gênero textual? Uma carta pessoal, a página de um diário, a abertura de um relatório, um memorando, talvez?

 

Nesta nossa conversa, o texto será um pouco sobre tudo isso. É que estou experimentando uma série de emoções que ultrapassa as fronteiras de quaisquer gêneros textuais.

 

Que experiência é essa que estou vivendo? O ciclo da primeira maratona. Nesta data, estou a 77 dias da maior prova de corrida da minha vida.


1) Começo essa série de registros, primeiramente, na incerteza de que terei algum leitor; assim, poderá ser um conjunto de cartas pessoais para o "eu" do futuro;


2) Por mais ultrapassadas que possam parecer, as páginas de um diário são a forma mais adequada para o registro dos desafios, descobertas, surpresas e foco na preparação para uma maratona;


3) Por enquanto, nada de vídeos longos ou "textões" nas redes sociais; por meio desses escritos aqui na minha página, vou compondo uma espécie de relatório da jornada;


4) Todas as formas, vistas de longe, lá na frente, talvez rumo a outros desafios, funcionarão bem como um memorando.


Mas, como escreveu Paulo Leminski: “não discuto com o destino/o que pintar eu assino”. O futuro a Deus pertence. E que Ele me abençoe nesta jornada que está começando.


Farelo na Pista 

Por conta dos indicativos de chuva, lá em dezembro de 2025, entre as temperanças do forte calor, cancelamos uma das atividades da programação do instituto. Naquela vez, as águas não caíram.

 

Caíram no restante de dezembro, em boa parte de janeiro e chegaram com toda força em fevereiro. Março, nem se fala: chuva por semanas. Nova data, dia 15. Todos de olho nas previsões. Chuva na quinta, na sexta... o sábado amanheceu com garoa ao longo da manhã. Contato com o contador de histórias, mensagem para o fotógrafo, post indireto para São Pedro no story... colocamos nas mãos de Deus. O que tivesse de ser, seria; não iríamos desmarcar.

 

Manhã de domingo com sol tímido, antes das 7h. Agradecemos a bênção e "bora" terminar de separar os livros. Gêneros textuais, faixa etária, livros infantis, os de adultos (os moradores têm solicitado muito romance) e os quadrinhos, que não podem ficar de fora. E vamos que VAMOS!

 

Antes mesmo de a missa começar, já estávamos espalhando os títulos no entorno da principal praça do bairro Nacional (Contagem-MG). “Cês vão vender livros aqui hoje?”, “Até que horas cês vão ficar?”, “O sinhô só pode tá de brincadeira com a gente!”.

 

E ali começa o espanto para alguns — porque para nós é sempre um encanto. O motivo da desconfiança: pessoas doando livros na praça... livros de graça, 0800? Para nós, a gratidão de seguir firme na missão de garantir o acesso à literatura de modo simples, sem protocolos, fichas, cadastros ou quaisquer tons de burocracia. Simplesmente o prazer de ler e encontrar novos mundos, reinventar-se a partir da palavra: imaginação, fantasia, descoberta e coragem.

 

Com três palavras, no último parágrafo deste simples relato, o contador de histórias Paulo Fernandes, que está conosco desde o princípio do início (risos), definiu a atividade da manhã do dia 15/03/2026.

 

 “Eu não sabia desse projeto do ‘Livros em todo lugar’. Poxa! Agora que entrei na EJA, estou entusiasmada”. Dona Tereza tem 56 anos e vibrou com a ação, com um entusiasmo semelhante ao das crianças, que queriam confirmar se, de fato, poderiam levar os livros para casa.

 

 Livros espalhados, depois escolhidos e acolhidos em novos lares. E assim, a manhã que poderia ser de chuva compôs, com alegria, livros e encontros, mais um capítulo na praça onde tudo começou. Como é bom retornar às origens!

 



Por um desejo antigo, uma vontade adormecida, talvez. Estava lá, entre as listas de sonhos: um dia ler, para valer, o clássico.

 

As adaptações indicadas nos tempos de escola — embora bem-intencionadas e, muitas vezes, ilustradas — já não bastavam. O sabor já havia se dispersado em meio às inúmeras degustações. Era hora de colher os próprios frutos para, enfim, apreciar o néctar da obra.

 

Por isso mesmo, recusei todos os tipos de ajuda, como escadas ou equipamentos de colheita.

 

Dito de outra forma, em "linguagem de dia de semana": não fui atrás de nenhum estudioso ou especialista em Miguel de Cervantes. Nada de estudos orientados. Aceitei o desafio de ler sem suporte ou auxílio de qualquer natureza. Quis ler a obra pela obra.

 

Resultado parcial: valeu cada segundo diante das aventuras do "Cavaleiro da Triste Figura". Em breve, em linguagem direta, quero lhe contar um pouco sobre as janelas que essa obra abriu em minha casa.

Boa noite e ...

farelos por aí...

 


Nossa última conversa foi no domingo, com promessas de novidades. Veio a programação intensa da semana e depenou este inocente que vos escreve.


A ideia era lhe trazer um texto mais coeso e esperançoso sobre a temporada que passei com Dom Quixote e Sancho Pança. Estava previsto para terça-feira, mas com tantas demandas, nem peguei a lapiseira para o primeiro rascunho.


Já é tarde de quinta-feira e não sei em quais pilhas de contratos com o tempo foi parar meu tempo de escrita e leitura. Não se trata de uma reclamação; é apenas uma observação insensata sobre as atividades que vão nos atropelando, nos detonando.


E quando consigo fazer uma breve pausa para estar com você, percebo que me encontro em cacos. Depois dizem que professor trabalha pouco, que atleta amador não tem lá seus perrengues e que escritor não precisa batalhar por tempo para exercer seu ofício. Ai, ai, ai... viver só de escrita ainda é um sonho.


Bem, essa nossa conversa já se estendeu demais. Como você tem lidado com as inúmeras tarefas do início de ano? Conte-me aqui. Quem sabe não estamos no mesmo barco?


Boa noite e

... farelos por aí...

 


Ao final de janeiro, publiquei um texto sobre a influência de uma obra que mexeu demais comigo. O título é El Carpintero. Sério, gente! Passei sete semanas mergulhado em um clássico da literatura universal: Dom Quixote de La Mancha. Ao clicar no link, em azul aí, você entenderá um pouco da loucura que foi. Ou não... 


Jamais imaginei que uma obra pudesse virar minha cabeça desse jeito. Aconteceu em vários planos, compreende? Sob a perspectiva dos enredos, a importância dos intérpretes e, acima de tudo, como lição de vida. De modo prático, Cervantes nos ensina que não devemos levar a vida tão a sério. Precisamos rir mais da realidade, desde sempre cheia de disfarces, concorda? 


Ao criar o "Cavaleiro da Triste Figura", transitando entre o silêncio e a inocência, entre a loucura e a paciência, Quixote e Pança nos envolvem de modo esplêndido. Acredito que esta segunda página tenha ficado um pouco mais clara que a anterior, mas as impressões acerca de Dom Quixote estão apenas no início. Preparem-se para a próxima postagem!


Ah sobre a prova?! A corrida de hoje foi especial. Após 407 treinos, contando lá de 2023, consegui bater o RP: completei a meia maratona em menos de 2 horas — mais especificamente, 1:57:50, com ritmo médio de 5:32/km. Gratidão a Deus e a todos os envolvidos, direta ou indiretamente.


Agora, preciso interromper a escrita para arrumar a cozinha do almoço. As vasilhas ficaram por minha conta e não quero "apanhar" da esposa!


Boa noite e

... farelos por aí ...

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