Certamente você também não faz a menor ideia do ritmo dos movimentos da centopeia.

 

Eu também nunca tinha parado para pensar em quantas viagens por mês fazem as formigas.

 

A essa altura, você deve estar pensando que estou procurando intrigas.

 

Nada disso. Estou de boa, conhecendo a vida do sapo na lagoa.

 

Confesso que estou um pouco preocupado com o porco-espinho, que nem pode receber um abraço, um carinho.

 

Mas, ao mesmo tempo, estou rindo sozinho de uns jabutis “apostando corrida para ver quem anda mais devagar”.

 

Gente, eu não estou ficando louco. Foi apenas um pouco do livro “Bicho-Carpinteiro e outros bichos viraram poesia” que acabei de apresentar.

 

São poemas leves, divertidos e ilustrados, feitos para serem lidos em sala de aula com os estudantes, em casa com os filhos… aliás, para serem lidos em qualquer lugar.

 

Bora conhecer e apreciar a poesia da bicharada?

 

 

DETALHES:

Livro: Bicho-Carpinteiro

Autor: Luís Pimentel  

Ilustrador: Biry Sarkis

Editora: Compor

Tema: Poesias sobre animais e a natureza, mostrando que a poesia está em todo lugar.


 

 


Um dia favorito da semana, quem não tem?

 

Tem gente que tem até mais de um, dois, três…

 

E quando a gente se depara com o título “Todos os dias, menos terça-feira”?

 

Um montão de ideias surge na hora. Uma curiosidade daquelas.

 

Não pensei duas vezes e me joguei na leitura dessa obra de Andreza Félix, com ilustrações de Faw Carvalho.

 

Já nas primeiras páginas, a gente conhece Ana, a menina que “detestava todos os dias da semana, menos terça-feira”.

 

Ela esperava ansiosamente por esse dia, contando as horas. Mas não era porque o pai ia almoçar em casa ou porque não tinha aula à tarde. Não.

 

Terça-feira era o dia de “olhar o cabelo no espelho e vê-lo pronto”.

 

Era o dia de trançar o cabelo, de deixá-lo “cheiroso e prontinho”. Era o dia da conversa, das gargalhadas, das comidas gostosas. Era dia de festa com bolo, café, de sentar-se no quintal, dia de ouvir e contar histórias.

 

Porém, chega o dia em que Dona Vitória, a mãe de Ana, adoece, e a trajetória da menina toma outro rumo.

 

Para saber o que acontece, só lendo essa linda obra...

 

Eis um livro sobre autoestima, cuidado entre mãe e filha, com linhas importantes para se pensar na nossa ancestralidade.

   

DETALHES:

 Livro: Todos os dias, menos terça-feira

Autora: Andreza Félix

Ilustradora: Faw Carvalho

Editora: MRN


Por passar um certo tempo com as obras de um artista, a gente vai sendo contaminado, ficando doente.

 

Bastou a pergunta de uma jovem estudante para que eu me desmanchasse em incertezas. A pergunta?

 

“Por que nem sempre é tempo de ler Clarice Lispector?”

 

Às vezes, as palavras apenas surgem como tinta, em cores ainda sem nome, à disposição na paleta de um pintor expressionista.

 

Leio para me despertar de sonhos intranquilos da noite imprecisa que se estende por muitas semanas.

 

Leio para voltar à superfície, frágil, mesmo deixando as raízes dos meus dilemas à mostra.

 

Leio por estar cansado de fugir. Existir dói menos que pensar. Leio para encontrar uma gota de força na rua do reencontro. 


Leio e escrevo porque preciso me reencontrar.

 

Será que com essas linhas de nuvem eu consegui responder?

 



Há personagens com quem a gente gostaria de passar um tempo. Concorda?

 

Que fosse para tomar um suco de laranja, uma xícara de chá ou café. Comer uma fatia de bolo. Quem sabe?

 

Um momento para conversar sobre as coisas simples da vida. Imagina?

 

Conhecer as manias, crenças e sonhos de cada um. O jeito que andam e trocam ideias. Entende?

 

Mais do que conversar com esses personagens, o gostoso mesmo deve ser ouvir as histórias que eles têm para contar.

 

Todas essas experiências (e outras) eu vivi lendo a obra “Jiddo”, escrita por Daniella Michellin e ilustrada por Paula Schiavon, uma publicação da editora Abacatte.

 

É impossível não ficar fascinado com a menina Lúcia e Jiddo, seu avô – um imigrante com um tantão de aventuras.

Os diálogos, as tradições, os passeios pelo bairro, a praia no final de semana e, na hora de dormir, as histórias!

 

Conforme disse a amiga Sandra Assis: “Jiddo é um livro irresistível!”

 


DETALHES:

 Livro: Jiddo

Autora: Daniella Michellin

Ilustradora: Paula Schiavon

Editora: Abacatte




 "Porque o silêncio em si é como o som dos diamantes que podem cortar tudo!” escreveu Jack Kerouac. Arrisco-me a afirmar que o porta-voz da Geração Beat, do final dos anos 1950, tinha consciência do alcance do seu timbre nas gerações futuras.

 

Primeiras constatações foram o impacto sobre a contracultura e o movimento Hippie da década seguinte. Embora seja um escritor muito conhecido, sobretudo pela publicação da obra "On the Road" (Pé na Estrada, 1957), que ainda não li, escolhi ficar apenas com a frase inicial. Em alguns momentos, uma frase basta, em outros, uma palavra.

 

Se possível, releia-a mais uma vez, antes de seguir. O mundo contemporâneo não tem lidado muito bem com os tempos de silêncio. Em certos contextos, quaisquer segundos sem som representam uma batalha.

 

A impressão é de que fazer silêncio, calar-se diante daquilo que a gente não sabe, não conhece, silenciar-se para ouvir melhor, tem sido cada vez mais difícil.

 

Parece-me que só vale o silêncio dos outros, a recusa, o afastamento. Cansei dos gritos das redes na artificialidade das telas. Cada vez mais venho apreciando o silêncio dos encontros e a paz das descobertas.


Nesse templo, apreciar os sons do silêncio pode nos levar para outras terras dessa comparação: som dos diamantes/silêncio. E bendito seja o livreiro Paulo Fernandes que, na manhã de domingo, nos trouxe Jack Kerouac!

 

A partir dessa citação, nossa! Uma série de representações do silêncio foram pousando nas páginas azuis da minha rotina. Porque além do poder de cortar que nem diamante, o silêncio tem peso.

 

Porque há o silêncio que nos derruba e o que nos levanta, o da poeira e o da lama. Não sei por que, mas sempre imaginei a eternidade como uma das dimensões do silêncio. Tá vendo aí, Paulo? Olha só pra onde a gente está indo...

 

E por fim, ou o início de um sim para as singularidades do silêncio – contrariando – quero que fique com uma cena: o estouro de uma bolha de sabão diante das asas de um beija-flor.


... farelos por aí ... 

 

Você conhece a história do sapo que marcou presença em uma festa lá no Céu?


Você se lembra daquela clássica história do sapo-cururu que, sem convite, pegou uma carona na viola do urubu e foi parar na festa do Céu?


Sim, essa mesma! Aquela em que, depois de se divertir pra valer, ele acabou sendo pego no flagra e foi... bem, 'despejado' do Céu."


O que talvez você não saiba é que Ícaro, o sobrinho desse sapo inesquecível, também sonhava em ir à festa no Céu.


Essa é a divertida história escrita por Marcos Nascimento, ilustrada por Walter Lara e publicada pela MRN Editora. E é um convite irresistível para a leitura! 

Já no título duas chaves que despertam nossa atenção. Por favor, releia-o, em voz alta. Desconfia de alguma coisa?

 

Primeira chave: o nome Ícaro. Ele nos remete diretamente ao filho de Dédalo da mitologia grega, conhecido por sua trágica tentativa de voar perto demais do sol com asas de cera. Lembrou agora?

 

Mas há um detalhe fascinante: repare na linda capa da obra de Marcos Nascimento que o protagonista está voando entre outros dois personagens. Quem serão eles?

 

 

Segunda chave: o título é uma frase afirmativa. Essa afirmação inicial já nos empolga e gera uma série de perguntas: Como assim? De que forma um outro sapo conseguirá chegar à famosa festa do Céu?

 

"Jamais! Não vou estragar a surpresa. Para desvendar essas e outras questões, o convite é claro: mergulhe nessa divertida história de coragem, amizade e um verdadeiro louvor à imaginação!

 

Posso adiantar que, para transformar seu sonho em realidade, Ícaro enfrentará diversos obstáculos – como a desconfiança de um sapo chifrudo e até a ira de muitas aves.

 

Por outro lado, a ajuda dos amigos fará toda a diferença nessa jornada rumo ao Céu. Ops! Quase soltei mais spoilers aqui. Que tal providenciar a leitura dessa obra agora mesmo?"

 

DETALHES:

 

Livro: Ícaro vai à Festa do Céu

Autor: Marcos Nascimento

Ilustrador: Walter Lara

Editora: MRN


 


Gratidão ao trio Bruna, Tonico Poesia e Paulo Fernandes! 

                 

                                        

Dar-se um nome, que seja na forma de um apelido, é o que o menino de camisa de listras se deu, na narrativa que se inicia e se conclui com a palavra “Silêncio”, no que é “Um Estranho para o Céu”, de 2016, o seu prenúncio de uma vida andante, a vida do Dito, nosso personagem magnífico, dócil e encantador.

 

A boa-vontade do garoto desponta em suas primeiras ações, atos das mãos, dos pensamentos que elabora, das palavras que pronuncia, dos gestos que empreende. Dito mora com quem o recebeu, desmedidamente, acolhendo-o com afeto e carinho, aos quais ele retribui em similar medida. Piedade e Miguel proporcionam a Dito um lar, e ele irá fazer resplandecer sobre o povoado o fogo que trouxe do céu, o reavivamento da esperança e da solidariedade.

 

Neste texto, insere-se o personagem Bartô, que “deita a vida em livros”, um eu-outro do escritor Alfredo Lima, reflexo e espelho, homenagem e reconhecimento das influências estimuladoras de um fazer poético.

 

“Nublado”, de 2024, se inicia com uma palavra nebulosa “Nuvem”, título que nos reporta ao estado de cobrir-se de nuvens, mas a narrativa é finalizada com a palavra “Céu”, termos que levam à reflexão de que os substantivos configuram estados de alma, camadas viscerais que se transmutam e se transformam, embora ambos sejam espaços integrantes do éter, solúveis, gasosos, finos ao tato, delicados, pois são estágios e sensações do sentimento.

 

Dito cresceu, é um adolescente. Sensível, bem-conversado, tenaz, perspicaz, atuante, ousado, integrador, a desenvolver, cada vez mais, as capacidades em semente, presentes nos episódios de sua infância.

 

A tônica da solidão, do coração que dói perante o abandono, das casas que se esvaziam, dos entes que se distanciam são os elementos que as nuvens carregam no peito do sr. Rafael, nome de arcanjo, sentindo as faltas, mas resgatado pelo próprio nome que significa a cura de Deus. E essa cura vem via Dito, (uma espécie de Santo Expedito, invocado diante dos problemas urgentes, protetor da família?).

 

Estamos lidando com uma escrita que mescla terra e valores espirituais muito elevados, derivados da virtude, da filosofia, dos diálogos, dos olhares, das percepções. E tudo oferece um grande perigo aos que delegam ao destino as agruras e as soluções em si-mesmas.

 

Porque há em “Nublado” intercessões pelo veio da bondade. O mal não é qualificado ou recebe lugar na mesa da narrativa, sobre ele estando a toalha deveras esticada. Não se dá lugar ao mal, ele é simplesmente expulso, afastado, e o bem assume o protagonismo de toda e qualquer situação.

 

Para as perturbações do mundo em que vivemos, texto de Alfredo Lima é uma afronta ao poder mais mesquinho, bélico, vampiresco, grotesco, imperialista, fascista, porque ele põe abaixo dos pés toda tentativa de golpe. A bondade viceja abundante, sorridente, pacificadora, restauradora, “gostosa e demorada como um abraço”, sem que haja fresta para a infiltração do ódio e da malevolência.

 

É de misericórdia e de paz que a narrativa ergue a potência do texto, por isso atingimos o “Céu”, quando o enredo nos conduz a ele, lapidando-nos pela ternura, pelo desnudar dos nossos padrões mesquinhos, pelo desvestir das nossas imoralidades, pelo romper das nossas tradições atravancadas, ultrapassadas, nutridas pela falta de um refletir mais coerente.

 

E vendo-nos nuvens no vazio, ansiamos o alimento às nossas carências e faltas, o que de graça nos é ofertado, pela faculdade de compreendermos ser o amor que vivifica e agrega o homem, que o faz homem, que o preserva na condição humana, pela colaboração, pelo desprendimento, pela vocação de constituirmos a humanidade, independentemente de qualquer argumento que possa diminuir qualquer ser entre nós.

 

Se era objetivo do autor nos ciceronear pelo caminho da luz, o vale das trevas não seduziu ou nos fez desmoronar nos desfiladeiros agonizantes; atingimos o Céu, com passos mesmo, numa solidária direção, nem nos foram necessárias asas.

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Anderson de Oliveira é escritor. Participou de inúmeras coletâneas, publicou Pá & Pedra, finalista do Concurso Nacional João de Barro, em 2000; Dona Feia narrativa selecionada para o PNBE 2011; A lenda dos dinossauros foi escolhida para o Catálogo de Bolonha, no ano de 2014; A, B… Z Bicho é um “bichonário” de musicalidade; A neta de Anita, cuja temática é o processo de reconhecimento racial e identitário, destacou-se entre os 13 livros mais marcantes da literatura infantil pela Casa Vogue/2019.  Um dos seus mais recentes títulos é Mona Lua e o Monstro Cinzento, publicado pela editora Alumbre.



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