Segunda, 18 de maio de 2026

 

Sancho querido,

 

Há três dias desaparecido, seu amigo aqui está o puro pó da rabiola. Bem, talvez não chegue a tanto. Exagerei um pouco, mas a verdade é que tô feito pipoca, pulando de um lado para o outro.

 

Ainda sinto o corpo meio tonto, fraco. Sei lá o que aconteceu, meu caro. No sábado, o treino já começou com atraso. Para ajudar, uma dor de barriga me pegou quando faltavam 5 das 12 voltas programadas na Rua Cidade de Minas. Terminei e saí de casa no galope: precisava levar a Cecília para o Simulado do Enem. O banho e o café da manhã ficaram para o meio do caminho; o repouso necessário, esse nem existiu, Sancho.

 

 

Ao retornar para casa, antes do almoço, inventei de abrir uma garrafa de vinho. Queria comemorar a façanha de rodar a maior distância da minha vida até aqui — 24 km — na principal rua do bairro. O tombo veio logo depois. Da hora da sesta até a noite do dia seguinte, fui assolado por uma indisposição total. Daquelas de nem ter coragem de colocar a cara na janela. Na semana passada foi a Cecília; ao longo dos dias, a esposa; e eu, o cavaleiro tardio, fiquei por último na fila da virose.

Correr hoje? Não corri. O tempo que seria da pista foi compensado em cima do trono. Cruz credo! E você acredita que, depois de deixar a mais velha na escola, ainda tive a cara de pau de ir à academia?

 

Já que não vou meter um atestado, já que estou cumprindo todas as obrigações e amanhã estarei firme com meus alunos, não ia ficar de bobeira esperando a melhora cair do céu. Nada disso, Sancho. Água de coco, xícaras de café e fé. Logo, logo estaremos de volta às pistas. Afinal, a folha do calendário não espera: daqui a 41 dias, a Maratona. Esses pequenos gigantes, os dias e os obstáculos, vão caindo um a um ao longo do caminho.

 

Que eu não desapareça por tanto tempo assim.

 

Um abraço


 


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