Sábado, 09 de maio de 2026

 


Sancho,


quebrado não; moído. Foi assim que enfrentei os desastres do treino desta manhã, meu amigo. Uma sucessão de equívocos: quebradeira total.


Pela primeira vez, não consegui entregar a quilometragem proposta pela assessoria; dos 32 km previstos, saíram apenas 28. Os 4 restantes foram ca-mi-nhan-do.


Agora, passada a decepção inicial, eis uma análise dos erros, meu amigo. E veja que não foram poucos:


1. larguei forte, pensando que sustentaria o ritmo até o final. Da metade para a frente, comecei a ficar tonto, com as vistas escurecendo;


2. o plano era correr 16 km e voltar, dividindo o esforço em dois movimentos. Inventei de fazer 18 km para depois tentar fechar com 7 + 7. Caí na besteira de negociar com a mente e perdi feio;


3. pela primeira e última vez, deixei de ingerir a cápsula de cafeína. Certamente é ela que segura a onda na segunda metade do treino;

4. a hidratação dos últimos dias foi insuficiente. Nunca fui de beber muita água e ainda estou lutando para melhorar esse quadro;


5. Faltou carboidrato na noite anterior. Inventei de sair com a família para comer uma porção de carne e acabei tomando uma caipirinha também;


6. Com a nova palmilha, por conta da fascite plantar, algumas unhas foram maltratadas — coitadas.


Quebradeira. Além desse quadro, senti muita dor nos membros superiores. Ao chegar em casa, tomei banho, comi uma banana e apaguei: exausto, decepcionado.


Assim foi a 9ª semana do ciclo de treinamento. Estamos a 50 dias da maratona e, até lá, esses erros não poderão ocorrer novamente. Preciso ajustar o peso e levar a hidratação a sério.


Sancho, que esta conversa de hoje sirva de lição para outros cavaleiros-corredores. Como pude ser tão ingênuo?


Boa noite!


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