Quinta-feira, 07 de maio de 2026

 


Sancho,

 

Após trabalhar manhã e tarde, tive uma reunião com a equipe de Linguagens, das 19h às 20h30. Na sequência, a correria ao shopping para comprar o presente da mãe das meninas e um jantar tardio. Cama, só depois das 23h. Quarta-feira, 06 de maio de 2026.

 

Acordei antes do alarme, fui ao banheiro com os olhos ainda fechados, sem acender a luz e com uma dor de cabeça medonha, pesando sobre os olhos. O cálculo do treino: aquecimento, depois uns 6,7 km num ritmo forte; se eu ficasse até completar 1h15, daria tempo de voltar e despertar a Cecília? A conta não fechava. Era a soma dos cansaços juntamente com a carência de Vitamina S.

 

Voltei para a cama com os olhos cheios de areia, o embaraço dos pensamentos e os sintomas de uma gripe — seria esse outono um presságio de inverno? Ou apenas a insatisfação de não conseguir subir para a pista, interrompendo o segundo treino da semana? Esse negócio de ser disciplinado mexe com a gente.

 

Só nos dirigindo ao trabalho, em conversa com a Cecília (ô menina boa de prosa, gente; você teria orgulho de trocar umas ideias com ela), cheguei à conclusão de que tudo isso não passa de moinhos de vento espalhados ao longo dos caminhos daqueles que inventam de correr uma maratona. Em contextos do Mestre Cervantes, ouso dizer que se trata da penosa luta que travamos com os pequenos gigantes do cotidiano.

 

Enquanto aqui estou em diálogo com meu fiel escudeiro, liberto-me da ideia de que inventei uma desculpa esfarrapada para não treinar. Nada disso. No limite. E de uma coisa estou certo: ao escrever, aprimoro o manuseio da espada, alimento o Rocinante e vou tirando as palavras sombrias da caixola.

 

Sancho, perdoe-me por estar assim, nesse estado confuso; estou sob o efeito de uma Dipirona. Que Deus me abençoe! Dor de cabeça não presta.

 

Abraço,

...


 


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