Caraca, Sancho!
Dois dias sem tocar em um teclado. Na última
sexta-feira, lutei contra as teclas minúsculas do celular para registrar nossa
conversa; um exercício de paciência que quase rivalizou com os quilômetros
finais de um treino longo.
Nesse intervalo, rendi-me ao ócio absoluto:
uma série ordinária, dessas que servem de anestesia para o intelecto,
permitindo-me não pensar em absolutamente nada. Às vezes, a diversão barata é o
luxo de que o espírito precisa.
Mas o asfalto deu lugar ao barro. Corri em
estrada de terra, sob o céu da Serra do Cipó, entre cachoeiras e o ar rarefeito
da liberdade. Foi magnífico, meu caro. Contudo, saí da trilha da disciplina: a
hidratação ficou escassa, a salada foi ignorada e as proteínas — e os horários
— tornaram-se anárquicos. Até nos deslizes, a gente ri.
Agora, o retorno à linha é imperativo. No dia
11, a nutricionista me espera para aquela conversa que, confesso, já me causa
arrepios. O tribunal da balança não costuma aceitar metáforas como desculpa.
Enquanto isso, os comentários ao redor
florescem como ervas daninhas. Eu apenas rio. Dizem que o "marido está se
achando", ou que "o humor se foi junto com o peso" — a clássica
comparação com o Leandro Hassum. Há quem sugira, entre o sarcasmo e o
desconhecimento, que eu corra até Lagoa Santa ou que vire um David Goggins das
ultramaratonas.
Pois eu lhe digo, Sancho: se a nossa
movimentação gera ruído, é sinal de que estamos avançando. O incômodo alheio
costuma ser o rastro da nossa evolução e eu me divertindo com tudo isso.
Faltam 56 dias. A direção está traçada
e o comando é superior. Vamos em frente!
...

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