Domingo, 03 de maio de 2026

 


Caraca, Sancho!

 

Dois dias sem tocar em um teclado. Na última sexta-feira, lutei contra as teclas minúsculas do celular para registrar nossa conversa; um exercício de paciência que quase rivalizou com os quilômetros finais de um treino longo.

 

Nesse intervalo, rendi-me ao ócio absoluto: uma série ordinária, dessas que servem de anestesia para o intelecto, permitindo-me não pensar em absolutamente nada. Às vezes, a diversão barata é o luxo de que o espírito precisa.

 

Mas o asfalto deu lugar ao barro. Corri em estrada de terra, sob o céu da Serra do Cipó, entre cachoeiras e o ar rarefeito da liberdade. Foi magnífico, meu caro. Contudo, saí da trilha da disciplina: a hidratação ficou escassa, a salada foi ignorada e as proteínas — e os horários — tornaram-se anárquicos. Até nos deslizes, a gente ri.

 

Agora, o retorno à linha é imperativo. No dia 11, a nutricionista me espera para aquela conversa que, confesso, já me causa arrepios. O tribunal da balança não costuma aceitar metáforas como desculpa.


Enquanto isso, os comentários ao redor florescem como ervas daninhas. Eu apenas rio. Dizem que o "marido está se achando", ou que "o humor se foi junto com o peso" — a clássica comparação com o Leandro Hassum. Há quem sugira, entre o sarcasmo e o desconhecimento, que eu corra até Lagoa Santa ou que vire um David Goggins das ultramaratonas.

 

Pois eu lhe digo, Sancho: se a nossa movimentação gera ruído, é sinal de que estamos avançando. O incômodo alheio costuma ser o rastro da nossa evolução e eu me divertindo com tudo isso.

 

Faltam 56 dias. A direção está traçada e o comando é superior. Vamos em frente!

 

...

   

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