Segunda, 11 de maio

 

Sancho,

 

preciso te contar o que aconteceu na última noite. Prepare o espírito, meu amigo, porque a notícia é de cair o queixo. Só te peço uma coisa: não me chame de trouxa, combinado?

 

Flagrei minha esposa me traindo na última madrugada. E o pior: foi na nossa cama. Virei para o lado e lá estava ela, abraçadinha com o outro. Hug é o nome do infeliz.

 

Não, Sancho, não precisa preparar ciladas, armadilhas ou carregar a espingarda. Vou ter que conviver com esse sujeito por muito tempo. E antes que você me chame de chifrudo, saiba que as meninas já garantiram a cota de zombaria do dia:

 

— "Pai, a mãe disse que o novo marido dela é muito mais fofinho que você!"

 

— "Lá vem ele, o 'corno' arrumadinho, só esperando os braços da esposa para mais tarde..."

 

Vou protestar na porta da fábrica da Ortobom. Como permitem criar um travesseiro carinhosamente batizado de “marido”?

 

Depois dessa "traição" de espuma, só me restou buscar refúgio no asfalto. Saí para o treino de 50 minutos. O ritmo estava bom, a respiração cadenciada, mas, por um vacilo de cronômetro ou de destino, entreguei 49min50seg. Dez segundos que o ego reclama, mas que as pernas ignoram. De lá, direto para o consultório da nutricionista — afinal, maratona se corre com o coração, mas se sustenta com o que se coloca no prato.

 

Para quem quiser saber como estão as medidas, os cortes e as novas metas dessa jornada rumo aos 42km, deixem um comentário aqui na página.

 

Já para você, Sancho, não esconderei nada. Muito menos as próximas traições.


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