Quinta, 14 de maio

 



Sancho,

 

Às 15h22, o corpo ainda é um mapa de dores silenciosas. Estou moído, é verdade, mas carrego aquela satisfação densa de quem não negociou com a planilha. Cumpri o rito.

 

Às vezes, eu mesmo duvido da cena: o relógio marcando 03h30 e eu lá, na pista, recebendo no rosto o frescor úmido desse outono que já ensaia o inverno. Foram 16 quilômetros de entrega absoluta. Para alguns, o diagnóstico é o surto; para outros, o rótulo é o foco ou a disciplina inabalável. Para mim? É apenas o compromisso de não faltar com a palavra que dei a mim mesmo. Nada mais.

 

No ciclo da maratona – que, sejamos sinceros, não difere tanto assim da vida – a regra é o passo a passo. É o fracionamento da energia para que nada falte no final. Quem diria que eu teria o estofo psicológico e a condição física para completar oito voltas na mesma rua onde, anos atrás, comemorei o meu primeiro quilômetro ininterrupto? A vida insiste em ser circular para nos mostrar o quanto avançamos.

 

Gratidão a Deus e a todos que, direta ou indiretamente, sustentam esse processo — especialmente minha esposa e filhas e o time da BH Run.

 

Ah, e um último comentário, meu caro Sancho: aquela nossa conversa sobre o "chifre" que levei... Olhe, tem dado o que falar.

 

Fui.



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