Terça-feira, 21 de abril de 2026

 


Sancho querido,


Por ir para a cama mais cedo, rolaram alguns pesadelos. Ao despertar, que dia é hoje? Nossa! É dia de coleta. Separa daqui, corre para lá... será que vai dar tempo de o caminhão recolher? Cachorras latem, querem a liberdade da rua. Cadê a chave? Caminhão buzinando, os atletas da limpeza gritando. Não, não deu tempo.

 

A tarefa não foi concluída. A casa da sogra? Lá eles passam um pouco mais tarde, vai dar tempo! Tiro o carro da garagem, saco no porta-malas e lá vamos nós; do contrário, só na quinta para o acumulado desses dias. Até lá, seriam três sacos de lixo. Meu Deus!

 

Ufa! Deu tempo. Deixei o saco no passeio da minha querida sogra. Tomara que ela não descubra essa minha "arte". E teve padaria, comida, água para as cadelas, o café preparado para a esposa... Sem pensar muito, hora do treino mais temido da semana: CANEQUINHA! Aquele em que contamos devagar para não perder a linha.

 

Já conversamos a respeito desse abençoado. O Marcelo Camargo o chama de “TIROTEIO”; no mundo da corrida, INTERVALADO. O abençoado consegue separar o corpo da alma com uma habilidade incrível. Parece que o ponteiro do relógio congela nosso esforço.

 

Assim que comecei a fazer esse tipo de treino, levava uma canequinha azul com milho ou feijão e ia contando os tiros. Cada grão, um tiro concluído. Divertir-se com a própria dor. Agora, coloco em um bloco de notas e, enquanto caminho, dou um “check”!

 

Sobrevivi! Agora, vou me desdobrar nas tarefas do instituto “Livros em Todo Lugar” e da escola. Como sabe, Sancho, minha vida não se restringe à corrida; há outras lutas, não é mesmo?


...


 


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