Sancho querido,
E não é que tivemos uma segunda-feira diferentona? Não se
assuste com o adjetivo, amigo. Vou te contar como foi.
Primeiro, que amanhã é feriado nacional – Dia de
Tiradentes, um cavaleiro lá do século XVIII. Hoje foi recesso na escola e a
consequência disso? Família toda em casa. Ao menos por um tempo.
Comecei o dia com aquele treino que nomeei “Espelho dos
Princípios”, está lembrado? Um trote, Sancho. O tipo mais leve de corrida; é
possível executá-lo conversando, trocando ideias, entende?
Assim que voltei, a família já se preparava para o tão
aguardado rolê do feriadão: passar o dia em um hotel-fazenda, a uns 60 km de
casa! Partimos para lá sem café da manhã. Acredita?
Ah, Sancho, só faltou você à mesa. Quantas iguarias!
Bolos, biscoitos, roscas, pães deliciosos. Até matei a saudade do leite
queimadinho. Memória dos tempos de menino.
A filha caçula foi logo se trocando; a outra caçou uma
rede entre as árvores para recuperar o sono, já que dormiu tarde.
Nem sei como, enquanto eu lia a obra Toada da terra de lá, de Gisele Garcia, apareceu uma gata de três cores
esbanjando charme, mas que também implorava por carinho. Resultado: só fui
terminar a leitura às vésperas do almoço, após ter apagado em uma das redes
debaixo das árvores.
Não foi só leitura e soneca, não. Rolou piscina, muita
música boa e o almoço em si... bem, esse nem tanto (faltou um pouco de sal).
Mas estar assim com a família está acima de qualquer tempero, Sancho. Todos nós
precisávamos muito deste dia, um momento de descanso. Como foi bom!
Pretendo até dormir mais cedo. Estou pregado!
Boa noite!
...

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