Quinta-feira, 23 de abril de 2026


 Meu caro Sancho,

 

Hoje, o silêncio da casa antes do sol nascer foi meu único companheiro. Sabe, há dias em que o corpo e o relógio travam um duelo, e hoje o despertador sequer precisou tocar. Eu já estava lá, de olhos abertos, encarando o teto e calculando as passadas.

 

A meta eram 10 km, Sancho. E não era qualquer leveza; era ritmo puxado, daqueles que exigem cada gota de concentração e não admitem interrupções. Era para "sentar a botina". Era.

 

Se eu saísse para buscar esse tempo, não estaria aqui para acordar a filha mais velha, preparar o banho e organizar a ida para a escola. Em dias de trote leve, a gente até troca ideias com o asfalto, vai e volta, dá um jeito. Mas hoje? Hoje a pista exigia exclusividade.

 

A verdade, meu fiel escudeiro, é que a noite passada foi longa. Entre o lançamento de notas do colégio e os pequenos reparos que uma casa sempre pede, o sono chegou tarde.

 

Aqui, não são desculpas esfarrapadas, você me conhece — é apenas a vida real se impondo sobre os moinhos de vento da minha rotina rumo à maratona. O resultado? Não deu. O treino ficou no "quase".

 

Mas não desanimo, pois o cavaleiro aqui não entrega a armadura. Amanhã a agenda estará apertada, cheia de tarefas que me dão vida, e é nesse tom que vou encontrar uma janela para correr.

 

O sábado nos reserva o treino longo, o verdadeiro teste de resistência, para que no domingo eu possa, enfim, dar o descanso merecido aos pés e à mente.

 

Seguimos, Sancho. Se não foi na velocidade de hoje, será na toada de amanhã.

 

...


 

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