Quarta-feira, 29 de abril de 2026

 

Sancho,

 

É noite já, meu amigo, e a sensação que os professores vivem ao final de cada etapa letiva se parece muito com as várias batalhas em que lutamos juntos.

 

A exatos 60 dias da maratona, após a correção de todas as provas, somos uma sucessão de cacos, só o bagaço. O pó.

 

Reclamação? Claro que não! Tenho motivos de sobra para expressar minha eterna gratidão. Venha conferir como foi um pouco do meu dia:

 

Às 04h01 eu já estava na principal rua da nossa quebrada, aquecendo para o segundo teste de 5 km que mencionei ontem. Assim que o terminei, passei em casa para acordar a Cecília, minha filha mais velha. Depois, retornei e corri mais 8 km. Um feito digno de nota, Sancho. Ainda não sei o resultado oficial, mas o fato é que consegui sobreviver.

 

Mesmo sem gás de cozinha em casa e com pouca Vitamina S, no trabalho houve tempo para a devolutiva das provas, finalização de conteúdo e alguns lançamentos de notas.

 

À tarde, vivi um momento inesquecível, daqueles em que a gente diz: “Muito obrigado, Deus! Eu vivi para assistir a um espetáculo dessa natureza!”

 

Trilha sonora impecável, sincronicidade mil, o clássico e o contemporâneo entrecruzados no palco da pluralidade e da nossa diversidade... do Brasil para o mundo: “PIRACEMA”, do Grupo Corpo.

 

Ah, Sancho, simplesmente inenarrável. Terminar um dia de trabalho com arte foi um suspiro de alento. Que este registro chegue a você como um sinal de renovação e esperança. Agora, preciso ir: é hora de buscar minhas filhas.

 

Até breve.

 

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