Assim que os livros encontram novos lares, os comerciantes entram em contato:

– Farelo, tá faltando título aqui para os clientes – via WhatsApp, informa a Samantha, proprietária da loja “Café Moído na Hora”.

– Pode trazer, pode trazer, meu fio! Vai descendo, vai descendo ... cê sabe que num pode faltar cultura pro pessoal – fala Zezim do outro lado da linha.

Separo os títulos. Uma sacola para cada ponto. Nesses estabelecimentos, somos recebidos com muita alegria e gratidão. Os livros gostam e a gente também. 
Café Moído na Hora: ponto do "Livros em todo lugar"

Entrada da loja do "Salão do Zezim" 


Preparo o café da manhã, depois leio um pouco. Nessas primeiras horas do dia, gosto de ler narrativas curtas. As crônicas e contos me ajudam a perceber que é um novo dia.

Hoje, por exemplo, li duas crônicas do novo livro da Silvana de Menezes, que se chama "Comédia e tragédias da vida privada de uma criança" (Ed. Compor) e reli também um conto do livro "A casa do fim", do português José Riço Diretinho.

Antes da 08h da manhã, vou correr na principal avenida. Depois de duas semanas longe das atividades físicas, em função do Festival de Cenas Curtas corri com orgulho 5km. Começo a me preparar para os primeiros 10km. No mês seguinte haverá uma prova.

Nem bem descansei da atividade física, é hora de fazer a feira, isto é, comprar frutas, verduras, legumes da semana.

Ainda não acabou. Guardadas as compras, hora de preparar um kit de tesouros para doar a uma família do nosso bairro. Trata-se de uma das ações do "Livros em todo lugar".

Para fechar a manhã do domingo, vou corrigir provas e redigir o texto de 4ª capa de um livro que será lançado em breve (não posso dizer de quem ainda)

Isso só foi um pouco da minha manhã de domingo, entre leitor, pai, escritor e produtor cultural.

Detalhe: estou em busca de um milhão de cafezinhos (risos)

... farelos por aí ... 

Foto do escritor José Riço Direitinho, por quem estou apaixonado.
Crédito da imagem: 


Alegria é saber que esse garoto saiu da escolinha de futebol, passou em um ponto do “Livros em todo lugar” e "grudou" em um título. Cenas assim nos enchem de orgulho e anunciam que devemos investir no próximo nível do projeto. Gratidão à proprietária do "Café Moído na Hora”, localizado em uma das principais ruas da quebrada.


#livrosemtodolugar 

No dia 05/06/14 tive um inesquecível encontro com o poeta Libério Neves. Para entender um pouco o motivo da minha alegria, já vou avisando que aguardava por esse momento há 05 anos. Fui professor da sua neta. Em abril de 2009, o escritor me enviou de presente um dos seus títulos, “Voa, palavra”. Mas não vou falar das minhas impressões, nesse primeiro momento. Quero lhe (re)apresentar  um pouco desse grande artista.


Libério Neves despertou seu encanto pela língua portuguesa no curso de Direito da UFMG. Nessa época, apaixonou-se pelos recursos expressivos da escrita, pelo respeito com que os mestres atribuíam à língua pátria.
Encanto e respeito presentes em sua obra, em sua pessoa, em seu presente. Ao conversar um pouco com o poeta, temos a sensação de que estamos ouvindo um grande compositor, pela escolha das palavras, pelo ritmo que conduz os fios da meada.
Embora grande parte da sua obra seja voltada para o público infantil, o seu livro de estreia, “Pedra Solidão” (1965), é para adultos. É dessa obra o seu poema mais conhecido, “Pássaro em vertical”. 
Sobre escrever para crianças e adultos, Libério Neves deixa claro o respeito ao potencial dos seus leitores. Em outras palavras, o poeta não separa muito essas denominações. 
Eu escrevo para a criança que sou. 
E para a criança que sempre serei.”

II. Trabalho de revisor de textos
É bom destacar que Libério Neves atua nessa área há mais de quatro décadas. Ele é, sem sombra de dúvida, um profundo conhecedor da gramática normativa. Trata o texto dos outros escritores com enorme respeito e sinceridade. Sabe de quem ele era considerado o revisor de confiança? Bartolomeu Campos de Queirós. Precisa dizer mais?

III. Os poetas do mestre

Libério Neves trocou correspondências com Affonso Ávila, Carlos Drummond de Andrade, Dantas Motta, Henriqueta Lisboa, José Paulo Paes, Oswaldo França Júnior e Silviano Santiago. Um time de escritores para o mundo inteiro aplaudir. Ao se referir aos seus três poetas prediletos, ele declamou os versos abaixo:


“A HORA QUE
O DRUMMOND JOGA
A CASCA DA BANANA
F         O             R         A
O CABRAL CATA
E FAZ UM POEMA
S           O         B            R       E
A CASCA DA BANANA”
Sentados na sala da Editora Lê, eu ouvia encantado a experiência do senhor Libério. A sua “música verbal” é sedutora por demais. Muitas imagens vinham à minha mente. Séculos e séculos da boa literatura naqueles poucos minutos. Fiquei mais menino, mais leve, tocado pelas palavras do mestre. Confesso que, às vezes, eu mexia no sofá para me certificar se tudo aquilo era de verdade.
Sabe as histórias que a gente ouve de um Drummond com Mário, de uma Clarice com um Lúcio Cardoso? Eu estava ali, no meio de um monte de relatos, com o principal representante do Concretismo em Minas, com o poeta que conviveu com Murilo Rubião e Emílio Moura. Ao lado de um artista que acredita “mais em motivação”. Numa entrevista ao jornalista João Pombo Barile, Libério Neves disse:
“Imagina. Um dia você acorda e diz: hoje estou inspirado, vou escrever um poema. Mas sobre o quê, o que vai te motivar a escrever? Inspirado em quê? A inspiração existe, mas motivação a dirige”.  (BARILE, João Pombo. Suplemento Literário de Minas Gerais, 2010, p.7)
         Nessa “linha de poesia mais sintética, mais descarnada, mais despojada da gordura de adjetivos e coisas assim”, Libério Neves me contou que a composição do livro “Voa, palavra” surgiu a partir de vários passeios ao zoológico de Belo Horizonte, das visitas aos pássaros que realizava com uma de suas filhas.
Na hora do café servido pela equipe da Editora, com direito as maravilhas de Minas, descobri o outro lado do poeta. O "danado", com todo respeito, é muito bom de anedotas. Tinha uma história, um causo para cada assunto. Um astral elevadíssimo. Não tinha como não sorrir. O meu sorriso era assim meio abobado, sabe? Talvez porque o encontro estivesse chegando ao fim.
Abraçamos-nos. Um abraço forte, daquele de vovô, bem apertado. Desci a Rua Januária .........leve, carregando dois livros autografados e com uma enorme alegria. Muito obrigado, Clarisse Bruno, Carminha, Alencar, Everson e todos os funcionários da Lê que promoveram esse inesquecível encontro. Libério Neves, muito obrigado pela prosa e muito sucesso nesse rico universo de prosa e verso.

"Quatro patinhas no muro" veio ao mundo numa linda manhã de sábado, ainda no outono.

Era o dia do aniversário do ilustrador Walter Lara. A loja da Paulinas, na Avenida Afonso Pena, estava em festa: lançamento do décimo livro de Elizete Lisboa!

" Quatro patinhas no muro" conta a história de Lualva, uma criaturinha muito trabalho a, dessas que nos encanta de primeira. 

Lualva é uma vira-lata engraçada, com uma energia daquelas, que deseja subir em tudo, roer um monte móveis.

Lualva é uma cachorrinha levada!

Depois de muito aprontar, Lualva vai enfrentar um grande desafio. Qual? Isso nós não podemos contar.

Cecília, A menina do Baú Vermelho, disse que contar o final não é nada legal ... Legal mesmo vai ser você pegar esse maravilhoso livro e ler a história todinha...

Um grande abraço, 
Menina do Baú Vermelho
Sr. Farelo







Em tempos de crises e momentos ruins, a arte sempre foi fundamental na vida da sociedade e isso não é diferente no mundo literário. Em “O circo mecânico Tresauti” de Genevieve Valentine, o mundo sofre um período intenso, onde cidades e vidas foram dizimadas por uma guerra fervorosa. Na tentativa de minimizar esse cenário surge “O circo Tresauti”, comandado por Boss, que viaja constantemente e por vezes foge do governo. O livro é narrado em várias vozes, e dessa forma podemos ter a visão de muitos personagens.

Inicialmente, temos uma apresentação da história e da narrativa de cada personagem, mostrando a importância que o circo teve na vida de cada um, que sempre foram vistos como os desajustados da sociedade. Com isso, sempre voltamos ao passado de cada um e, aos poucos, conhecemos e nos apegamos aos artistas.

No desenrolar do livro, conhecemos a história do par de asas que está presente na sala de Boss e porque cada personagem gostaria de tê-la. Tudo isso leva o enredo ao sequestro repentino da líder, o que desestabiliza todo aquele lugar.
A história é cercada de pontos importantes e críticos, que servem não só para entreter, mas para que o leitor observe através da distopia um pouco do nosso mundo e dos nossos problemas. Além disso, a obra foi publicada em 2016 e reflete nossos principais dilemas internos contemporâneos.

“O circo mecânico Tresauti” é uma ótima opção para as férias e finais de semana, pois é um livro com uma leitura rápida, que faz com que não nos dê vontade de parar de ler. Sem contar, com a arte feita pela conhecida “DarkSide” que já nos deixa a intenção de querer comprar o livro na primeira ida à livraria.

Receber uma obra com a dedicatória/autógrafo do escritor é uma experiência que me enche de alegria. Eis uma das felicidades no universo da literatura!
Nessa semana recebi A neta de Anita. Assim que o carteiro deixou o envelope, Cecília ficou curiosa.

– É um livro que ganhei, filha.

– Posso abrir? Quando você vai ler? Será que é um livro de poemas?

– Vamos com calma. No momento estou muito apertado com as provas pra corrigir. (Coisas da vida de professor ...rs) 

– Mas, pai, não custa nada você parar um pouquinho e...

– Amanhã à tarde, depois do colégio, você abre o envelope. Eu leio o livro em voz alta. O que acha?

E foi assim que aconteceu.

A garota do Baú Vermelho ficou tão encantada com a história que saiu da cadeira para dividir o assento no sofá, quase no meu colo. Fez questão de percorrer  as páginas, encantando-se ora com a protagonista,  ora com as ilustrações. Mergulhamos na narrativa.

Para o escritor Anderson de Oliveira, confesso que a maior alegria de um professor de Literatura foi quando, assim do nada, de modo espontâneo, a Cecília disse:

– Uai, pai, parece que é um poema! Tem rima em algumas palavras...

Cecília descobriu que sua prosa é poética, meu amigo. Quer presente maior do que esse?

Para o ilustrador  Alexandre Rampazo, relato que o “Sol muito intenso” despertou, na pequena leitora, um outro olhar para a neta da Anita. Na verdade, foi a partir dessa imagem que minha filha passou a tocar, a sentir de forma mais intensa as cores da narrativa.

Aproveito para parabenizar ao Anderson de Oliveira, ao ilustrador  Alexandre Rampazo, a todos os profissionais da Mazza Edições!


"Ao ler este livro, você caminhará ao lado de uma criança bela, corajosa e sensível, fortalecida por sua ancestralidade, mas que também vivencia o racismo e a discriminação. Situações fortes e presentes na infância, esses desafios são identificados pela neta de Anita – filha do Sol – e, de maneira delicada, mas com o vigor necessário, serão enfrentados por meio da cumplicidade e do conhecimento." 
 - Mara Evaristo
 Detalhes:
22º título: A neta de Anita
Autor: Anderson de Oliveira
Ilustrador: Alexandre Rampazo

Editora: Mazza 
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