É uma mentira das grandes o que contam por aí sobre avó. Outro dia, na escola, quase briguei com o orientador quando ele falou:
– Difícil demais! Esses meninos criados
por vó...
Onde já se viu uma coisa dessas, senhor Marcelo? Falar assim, desse jeito, por quê?
Ele nem quis dar confiança. Deu de
ombro, como diz minha tia, e foi embora.
Ah, o que eu mais queria era morar na casa da minha vó. Já pensou eu lá, brincando na lama, correndo na poeira e, à noite, ouvindo histórias na cama?!
Lá, eu iria para a escola a pé e, na volta, colheria os ovos das galinhas no ninho que fica atrás da antiga oficina do vovô.
Gente do céu! Ela ia me ensinar a cuidar do jardim, a escolher o nome
para cada planta.
Na cozinha, então? Minha vó prepara os melhores pratos. Sabia que ela põe um monte de chefe no chinelo? Todas essas vontades foram passando na minha cabeça.
Só que eu estava em silêncio, no banco
de trás do carro. Na frente, minha mãe e minha irmã criticavam o trânsito do
caos, a fumaça e a poluição. Brava com aquela falazada toda, entrei e saí da
conversa com um único comentário:
– Se está difícil pra gente esse inferno,
imagine para as plantas e os animais que são mais sensíveis. Imagine.

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