— Desça já daí, diacho! Vai derrubar as flores da mangueira e, desajeitado do jeito que é, vai se esborrachar no chão a qualquer momento.
— “Ocê qué apanhá? Qué?”
— O que meu anjo aprontou dessa vez? Ah, cortou as folhas do inhame de uma vez só! Agora eu vou te cortar é no couro, bênção de Deus!
— Jesus amado! Está de castigo de novo.
Por parte de pai, por parte de mãe, os tios todos tinham uma opinião peculiar a meu respeito na infância: en-ca-pe-ta-do!
Já as tias de Belo Horizonte eram mais delicadas na hora de tecer os elogios: inconsequente, inadequado, ávido por travessuras, enérgico, agitado...
Recordo-me de que, quando fui morar na cidade grande, os vizinhos eram tão afáveis que, assim que eu saía à rua para brincar de bola ou tentar entrar no time, eles tratavam de escondê-la.
Para as festas de aniversário, eu quase nunca era convidado. Por que será?
— Tudo certo, senhor. Já temos dados suficientes para
encaminhá-lo à consulta. Sala Verde, por favor.

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