Galha

 


Sancho,

Preciso te contar o que rolou na última noite. Prepare o espírito, meu amigo, porque a notícia é de cair o queixo. Só te peço uma coisa: não me chame de trouxa, combinado?

Flagrei minha esposa me traindo na última madrugada. E o pior: foi na nossa cama. Virei para o lado e lá estava a dona, abraçadinha com o outro. Hug é o nome do infeliz.

Não, Sancho, não precisa preparar ciladas, armadilhas ou carregar a espingarda. Vou ter que conviver com esse sujeito por muito tempo. E antes que você me chame de chifrudo, saiba que as meninas já garantiram a cota de zombaria do dia:

– A mãe disse que o novo marido dela é muito mais fofinho que você!

– Lá vem ele, o "corno" arrumadinho, só esperando os braços da esposa para mais tarde...

Vou protestar na porta da fábrica da Ortobom. Como permitem criar um travesseiro carinhosamente batizado de “marido”?

Depois dessa "traição" de espuma, só me restou buscar refúgio no asfalto. Saí para o treino de cinquenta minutos. O ritmo estava bom, a respiração cadenciada, mas, por um vacilo de cronômetro ou do destino, entreguei quarenta e nove minutos e cinquenta segundos. Dez segundos que o ego reclama, mas que as pernas ignoram.

De lá, direto para a nutricionista. Afinal, prova se corre com o coração, mas se sustenta com o que se coloca no prato.

Para quem quiser saber como estão as medidas, os cortes e as novas metas dessa jornada rumo ao próximo desafio, tenho pouca coisa a dizer. Tudo isso não passa de uma baita loucura.

Já para você, Sancho, não esconderei nada. Muito menos as próximas traições.

0 Kommentare:

Postar um comentário

+