– Não vá. Não vá ainda – disse a mulher, um pouco sem jeito, segurando meu braço direito.
quinta-feira, 20 de outubro de 2022
Janela 03
sexta-feira, 14 de outubro de 2022
Janela 04
Era véspera de feriado, desses prolongados, bom para reunir toda família. O posto estava vazio, gasolina nas alturas.
– O senhor deseja mais alguma coisa? – quis saber, olhando para o capô.
– Apenas isso por hoje.
Digitei a senha, recolhi o comprovante e enquanto ajeitava o cartão, a despedida inusitada:
– Bom feriado pra você e sua família!
– Pra você também. Ah, se tiver churrasco lá amanhã, fico aqui até às 14h. Cê vem me buscar?
Assim, ele encerrou o atendimento, com o sorriso mais escandaloso do planeta.
– Da próxima vez, o senhor vai abastecer com ele, certo? – indagou a caçula no banco de trás.
Caderno Azul
... farelos por aí ...
imagem: Pixabay
Janela 02
– Toda vez que foge, ele não vai pra longe.
– Que canto incrível! Há quantos anos não ouço o canto de um canarinho, meu Deus!
– O senhor sabe por que ele tá cantando assim, afinado, alto, de parar o quarteirão?
– Sei não.
– Em conversa de passarinhos, ele está chamando a fêmea. Por isso que esse canário sempre voltou.
Nessa hora, eu não sabia se apreciava o canto ou buscava entender a história de amor que o moço me contava:
– ... ele só vai se a companheira for.
Caderno Azul
...
farelos por aí ...
Crédito da imagem:
Janela 01
O seu Ronaldo ficou encantado com o par de tênis, o presente azul da garota de 12 anos.
– Vai ver que foi por conta daquela música All Star que o Nando Reis fez pra Cássia Eller.
– Na verdade, não. Eu vi no filme Eduardo e Mônica com minha mãe.
– Êta família pra gostar do Anos 1980.
Caderno Azul
...
farelos por aí ...
Crédito da imagem: Dan Cristian Păduret
quinta-feira, 21 de julho de 2022
para a poeta da Máquina de costurar concreto
Querida Amanda Ribeiro,
há três semanas venho, de alguma forma,
me preparando para este momento. Por conta de tantos insights, os reels não
foram suficientes... (mas a gente vai continuar lendo seus versos por lá, viu?)
o lance é que sua Máquina dispara
muitos flashes e a gente sai criando cenas e séries e vem o desejo de fazer um
filme, será que você entende?
o percurso pelos “cômodos preferidos”
(imagine duas personagens escolhendo o cantinho favorito do lar), um close
naquele presente-lembrete, o bilhete do “bolso na calçada”, ao ritmo do jazz,
hein?;
e a poeta ali costurando a distância,
apresentando aos espectadores a instância ... em versos inquietos livres que
nem abelha zunando por tudo quanto é
parte da Floresta, beira e centro da cidade, memórias; o instante da palavra
aqui-acolá na cozinha, banho, quartos, na “casa de estar”. A essa altura, sua
cameragirl ficando louca:
– Tudo isso tá aí no livro? Como vamos
gravar esse filme?
– Fique calma, menina. A verdade é de
que de cinema quem entende mesmo é a Amanda Ribeiro, a compositora desses cantos.
– E o que você vai fazer?
– Aquilo que mais nos aproxima das
entrelinhas do labirinto da poesia.
– Já entendi, pai. Quando você vem com
essas paradas de estrelinhas... Só não sei se ela vai curtir.
Isso eu também não posso afirmar, mas
em segredo aqui (Amanda, a Cecília estava falando das leituras do seu mais
recente livro naquele Caderno Azul, lembra?)
Outra revelação: escrevo-lhe da cozinha,
após duas xícaras de café. E você não imagina o quanto estou contente com a
leitura de seus poemas, a satisfação, surpresa em cada esquina dos seus temas: o
amor, a paixão, o ir-vir-e-o-devir da epopeia sempre à disposição cotidiano e
que só as poetas e as cronistas captam (você).
Que maravilha ... quão mágico é
ser recebido nas três portas da sua casa-livro! As epígrafes nos acolhem com
tanto carinho que acabam espalhando a vontade de a gente explorar cada cômodo
no ritmo das estações do ano. Queremos ficar!
Pode lhe parecer um pouco confuso, mas
com o elegante parafuso de suas minúsculas na cadência gostosa das vírgulas –
tudo flui e evolui – os leitores vão sempre se encontrar no fuso de sua poética;
do olhar para o céu, deitadas em “repouso”, aos mil pastéis de queijo na pastelândia,
seus versos nos abrem janelas para o “infinito ... particular”.
ATENÇÃO! ATENÇÃO! Com este ensaio malucão,
acabamos de receber uma notificação: Ao ficar ciente do interesse em gravar um
curta-metragem, a editora Peirópolis informa:
“Máquina de costurar concreto”, de Amanda Ribeiro, compõe a “Biblioteca Madrinha Lua”, coleção de poesia contemporânea inspirada numa das mais importantes poetas brasileiras do século XX, a mineira Henriqueta Lisboa (1901 – 1985). Este projeto é coordenado pela professora e escritora Ana Elisa Ribeiro.
domingo, 10 de abril de 2022
no gesto miúdo
– Com licença, minha senhora...
Confesso que o que veio depois não ficou na memória. Fiquei estático. O que pode ou deveria parecer uma simples abordagem, aos meus olhos, foi MAG-NÍ-FI-CO.
O nome daquele cliente, de poucas palavras, mas gestos nobres, é Roberto. A mãe dele, que estava na estante vizinha foi quem nos contou. Eu e a vendedora ficamos encantados com a educação do Roberto.
Roberto conta apenas com dez anos... e é um leitor
voraz e o Brasil precisa de mais meninos assim. Você não acha?
domingo, 6 de março de 2022
Entre a música e o silêncio
Meu pai começou o dia ouvindo Bach. Quando isso rola, tá pegando algum lance grave aí.
quarta-feira, 2 de março de 2022
Ô, menina estranha!
O que será do futuro dessa menina?
Que Deus a abençoe! Porque a julgar por agora, há dificuldade para descrever as
atitudes da criança. Para se ter uma ideia, ela jamais aprovou o termo
pré-adolescência.
Lá pela casa dos dez anos já
era fã do Queen, mas nunca negou o gosto pelos clássicos da música: Chopin,
Mozart, Bach e Beethoven.
Quando o assunto é livro ou
filme, seu gênero favorito é a biografia. Adora saber dos bastidores da vida e
da obra dos artistas. Com isso, sempre deixa escapar algumas curiosidades nas
reuniões familiares.
Por falar em família,
recentemente, a menina aprontou uma boa com o pai.
“Vai chegar um livro que a mamãe
comprou na internet. E é você quem vai ler para mim.”
O pai, coitado, um pouco
encantado com a disposição das duas, ali sem entender nada, soltou um “Está bem”.
A menina já tem doze anos e podia ler sozinha, não?
“Segundo o autor, o livro é dedicado
aos pais. É para você estudar e aplicar os conceitos que estão lá. Você não vai
se arrepender”.
Não vem ao caso indicar o nome
do livro; mas é com orgulho e gratidão que o moço vai explicitando os conceitos
do tal livro para a filha. Para isso, ele vem aproveitando as tardes de sábado.
A menina, a cada encontro, vem
registrando as lições no caderno vermelho. Dizem por aí que até na segunda e terça
de Carnaval, os dois estavam discutindo o comportamento de alunos e familiares
que não dão a mínima para os professores.
Pelo visto, desse capítulo aí
que eles estavam estudando, foi um folião de ideias. Com licença, vou ter que
parar de escrever, pois ela acabou de me chamar na sala: “Vem logo, pai. Quero
que você veja a budista que falei outro dia”
...
farelos por ...
sábado, 19 de fevereiro de 2022
Carta aos alunos da profª Marílhia B.
Contagem, 19 de fevereiro de 2022.
Querido(a) aluno(a) da professora
Marílhia Barros, é com muita alegria que lhe escrevo.
Primeiro, deixe-me apresentar: meu nome
é Alfredo Lima, sou o autor do livro “Garimpo das bolhas de sabão” que você vai
ler em breve. Ou será que já está lendo?
A respeito do livro, a gente pode
conversar depois. O que você acha dessa ideia?
Bem, além de escritor, eu também sou
professor, produtor cultural, pai de duas garotas mais novas do que você. Minhas
meninas têm nome de escritora e poeta.
A caçula se chama Clarice e tem 06 anos.
Já a Cecília tem 12, mas é quase do meu tamanho. Segredo nosso aqui: graças a
Deus elas puxaram a mãe em tudo, inclusive na beleza (risos).
Por falar em segredo, tenho que lhe revelar
uma coisinha: é a primeira vez que escrevo cartas para meus leitores. E quer
saber? Eu estou adorando essa experiência de poder conversar com você, antes
mesmo de a gente se conhecer presencialmente. Isso não é muito legal?
Escrevo-lhe no meio da manhã de um sábado
com o céu à espera de mais chuvas. Tem chovido muito em Ouro Branco? Escrevo-lhe
essas linhas depois de um treino de rua.
Ah, já ia esquecendo de lhe contar outro
segredinho: estou apaixonado pelas corridas de rua, desde o ano de 2018. E tudo
começou por conta de um desafio que a Cecília me fez. (Um dia lhe conto).
Nossa! Que carta enorme que ficou! Eu
escrevi demais. Você me perdoa pelo tamanho do texto?
Se leu até aqui, muito obrigado! Se
quiser responder alguma pergunta dessa carta, sinta-se à vontade. Utilize a
parte dos comentários.
Um forte abraço,
sábado, 5 de fevereiro de 2022
Livros lidos em 2022
Janeiro
A menina sem palavras, Mia Couto
A vida íntima de Laura, Clarice Lispector
A vida que ninguém vê, Eliane Brum
Filó & Carijó, Marismar Borém
Galiléia, Ronaldo Correia de Brito
Metamorfoses, Flávia Côrtes (et al)
Os Supridores, José Falero
Torto Arado, Itamar Vieira Junior






