É o último dia do ano! E o que mais quero é
escrever, produzir, ao longo dos próximos 365 dias. A hora de publicar mais
livros chegará e estaremos todos preparados para este momento.
A leitura e a escrita assídua serão de grande relevância
também para o retorno às ruas. Ou melhor, às corridas de rua.
Porque uma das lições que aprendemos neste ano foi:
recomeçar é essencial!
Prova desse recomeço é que vou digitar agora um conto que
escrevi em homenagem ao escritor Mia Couto, lá em dezembro de 2019.
Tenho
um profundo respeito pelo templo de amadurecimento das narrativas, em especial , o tempo dos
contos.
Qual leitor nunca
desejou ter mais tempo para exercer sua paixão?
Confesso-lhe que só fico totalmente disponível aos livros
assim no período das férias escolares.
Neste ano distinto, buscando fixar as experiências do
vivido e do sonhado, organizei uma dieta literária. Semelhante às recomendações
das três frutas pelos nutricionistas, estou me alimentando de pelo menos três
gêneros: poema, conto e ficção.
Sinceramente não imagino o resultado. Só tenho certeza de
que, no mínimo, está fazendo muito bem para minhas relações neurais. O cérebro está ficando biruta com os trilhos
que venho encontrando.
Oh, também não quero lhe prometer nada quanto aos
números, tudo bem?
Há semana retirei o açúcar do café. Algumas mudanças já
sinto no cheiro, a qualidade do pó, é outro paladar.
Por enquanto tudo no lugar, pois minha esposa não se
importa em adoçar sua xícara do amargoso-energia.
Para comemorar a conquista desses sete dias, vou
presentear nossa cozinha com um açucareiro daqueles bem finos. Assim, quem
sabe, quando for me visitar vai lembrar desta página de diário.
Ah, está no caminho do retiro o abençoado refrigerante,
aquele líquido que é o açúcar em gotas. Não o trato como o vilão. Todos os
alimentos são sagrados. O problema está com quem vos escreve. Sou
descontrolado, às vezes, obsessivo.
Por que, então, não mudar o ângulo para ingestão de água,
a prática dos exercícios físicos e o consumo de elementos mais saudáveis?
Não consigo parar de escrever
diariamente. Não falo da escrita das crônicas semanais, dos contos eventuais ou
dos capítulos das novelas juvenis que componho.
Falo da escrita em si, sem adjetivos,
com propostas distintas. Agora entendo o porquê de há sete anos ter passado 365
dias escrevendo de forma ininterrupta.
Seria isso uma maldição? A última coisa
com que me importo nessa vertigem é com os leitores. Perdoe-me, caso você tenha
lido esse texto por um acaso na rede. Fique à vontade para comentar o que
quiser.
A verdade é que sempre escrevemos para
nós mesmos. A gente escreve porque não suporta tantas ideias tomando conta de nossas
vidas. É para se livrar das impressões, dos horrores que não contamos para
ninguém. A novela que escrevo agora é para deixar de me aborrecer com uma
pessoa próxima. Vou escrever para esquecer essa pessoa ou aceitar que ela nos
ame de um modo assim diferenciado. Sei lá...
Gosto de escrever e tenho consciência de
que esse ofício por mais insignificante que seja oferece risco, aprendi com o
poeta Armando Pereira Filhos:
“Ao escrever, estamos sempre muito perto do fogo”.
Ando
exausto. Um professor em dúvida sobre a ceia de Natal e as aulas de despedida
nos dias 21 e 22 de dezembro, com Conselho de Classe agendado para o penúltimo dia
do ano. É a real....
Antes
disso, reunião com a equipe de um Sistema de Ensino no sábado pela manhã. Não
reclamo, é só o cansaço de todos os profissionais da Educação, mas que ninguém
tem a coragem de mencionar, de falar. Com você, eu tenho.
Como
leu no início da semana, caro D, a rotina do lar foi para os ares com o teste positivo
da Covid-19. Está lembrado? Dificilmente vamos esquecer esse episódio.
Muitos
dos companheiros foram desligados da empresa, logo do início da semana. Essa
notícia mexeu com todo o corpo docente, abalando-o. Dói.
No
blog rolou a publicação de narrativas da série “Banquete dos sentidos”, uma
entrevista com o músico Marcus Vinícius de Souza e mais recentemente a “Migalha
de quinta”.
Agora,
o corpo quer voltar para a rua. O corpo está pedindo a corrida, a caminhada já
não me satisfaz, não dá conta de vencer a barriga. E a bichinha está esticando
em uma proporção considerável.
É
preciso também retomar as leituras sistemáticas e ... o mais urgente: escrever.
Estou envolvido com uma narrativa breve que há uns nove meses vem arrancando
uns calafrios, tessitura de arames, muitos espinhos na língua das feras que
terão que cuspir enzona.
Assim
que rolar algum progresso em uma desses verbos – Ler / Escrever / Correr (LEC)
– volto aqui para compartilhar. Darei um tempo
para o excesso da rede, inclusive para os posts com fotos.
Eis uma das façanhas que
só as mulheres conhecem e conseguem praticar com desenvoltura, maestria.
Para mim, uma descoberta?!
Descobri? Aliás, passei a
por sentido, a lançar um pó sobre aquelas ações todas, muitas vezes, invisíveis
em muitos lares brasileiros. Confesso que isso tudo só me ocorreu por conta da
pandemia. Uma lição. A necessidade.
Eu descobri. Assim,
sinceramente... posso dizer que serei um eterno aprendiz, mas isso importa e
festejo a descoberta em si.
Eu descobri que para
cumprir as tarefas, as obrigações que nos consomem, somem com nossas energias,
as mulheres brilham no “Jogo do Enquanto”.
Ah, para você entender,
apresento-lhe meus primeiros passos, após a caminhada diária:
enquanto a água do café ferve,
tiro o carro da garagem, volto e preparo o coador, o filtro, coloco uma colher
de pó. Enquanto o café está sendo coado, exalando o cheiro que desperta todas
as manhãs que ainda moravam em meu corpo, ouço uma canção sagrada de Bach;
enquanto lavo as vasilhas
do lanche ou jantar da última noite, ouço uma série de conversas sobre assuntos
do universo da sexta arte e sonho um dia me encontrar disponível às ideias
desprezíveis do mundo da pressa;
enquanto os outros
moradores buscam se atualizar diante dos noticiários tão monótonos, tão
marrons, verifico se os protocolos das aulas daquele dia estão corretamente
preenchidos, leio as mensagens que nos chegam em caixas.
Eis um pouco das manhãs!
Acredito que não seja assim difícil esboçar meu desempenho no “Jogo do
Enquanto”, ao longo do dia; mas lembre-se de que sou um aprendiz.
Por que temos dificuldade
de reconhecer que esse jogo é real? Por que o tratamos como arranjos
invisíveis, dentro de uma casa?
Quero continuar aprendendo
a respeito desse jogo. Quem sabe a escrita não vai me ensinar?
Salve! Salve! É com muita
alegria e satisfação que venho compartilhar um pouco da prosa que tive com o poeta
e músico Marcus Vinícius de Souza, que está lançando o EP “Todo tempo é TEMPO”.
Confira a seguir a entrevista que fiz com o artista, dentro do quadro Farelo
7.
Marcus Vinícius,
primeiro, muito obrigado por aceitar o convite para essa entrevista aqui no meu
blog! Para começar, gostaria que falasse um pouco da sua relação com a música.
Quando você se despertou para essa linguagem artística? Esse primeiro contato
surgiu na infância? Você foi influenciado por alguém da família?
Desde
criança, ouvia muita música em casa e na rua. Meu pai era músico da Polícia
Militar e um dos meus irmãos estava começando as primeiras aulas em uma banda
comunitária do bairro Santa Cecília, em Barbacena, minha cidade de nascimento.
Conhecemos o Marcus
Vinícius saxofonista, o professor da área de Linguagens, o poeta, autor dos livros
“Ecos de uma escrita” e “Etymon”, lançados respectivamente em 2018 e 2019 pela
editora Ramalhete. E agora, estamos conhecendo o cantor e compositor. O que te
levou a compor e cantar?
As
composições, as primeiras, nasceram muito espontâneas. Tinha aulas de violão
com o Beto Lopes e, a cada semana, praticamente, escrevia uma canção. Desse
processo, saíram seis músicas, duas delas em parceria com esse querido amigo. O
cantar veio no início da pandemia. Senti essa necessidade de me expressar
também pela voz, pois era um instrumento pouco utilizado por mim. Na verdade,
não achava que tinha voz para cantar, porém isso mudou com as aulas de Paula
Santoro e hoje estou e aprimorando nessa expressão.
É impressão nossa ou o
lançamento do livro-disco “Etymon” foi uma espécie de centelha para a origem do
Marcus cantor e compositor? Conte-nos estudo, não esconda nada (risos)
Foi sim, mas
principalmente o show de lançamento. Naquele momento, foi a primeira vez que
estava à frente de um público não mais acompanhando um artista, mas conduzindo
um trabalho, um show autoral. Me senti muito bem fazendo isso. Então, percebi
que a música para mim é uma necessidade de alma. Hoje sinto que tenho alguma
coisa pra dizer, pra expressar através dela. Essas seis músicas, inicialmente,
comecei de forma despretensiosa, mas percebi que elas tinham um recado a dar.
Então, me apliquei fazer cada letra, melodia ou harmonia de forma ainda mais atenta
ao que cada canção “pedia”.
Marcus Vinícius, o
processo de criação de um EP leva em conta muitas etapas. Você pode nos revelar
alguns segredos dos bastidores da criação/gravação das músicas que fazem parte
desse projeto?
Na verdade, iria
gravar apenas as duas canções que fiz em parceria com o Beto. Lancei as duas
como “single”. Um mês depois animei a gravar mais duas e lancei uma delas
também no formato de “single”. Aí pensei, bom! Estão faltando só mais duas para
terminar o EP...
O processo é
muito intenso. Gravar num estúdio de alto nível, acompanhado de ótimos músicos,
dá um frio na barriga, até porque era a primeira vez que ouviria a minha voz em
uma canção. Foi um processo de muitos sentimentos misturados. No final, ufa,
consegui! Todos os envolvidos se empenharam demais e me deram confiança para
fazer este EP, “Todo tempo é tempo”. Ah, só pra registrar que o Marcksofone
aparece neste EP também.
Na parte da
composição, percebi que as três primeiras músicas abordavam uma leitura acerca
do tempo, então resolvi escrever mais três que tratassem deste assunto e fechar
um ciclo de seis composições que estão tematicamente interligadas.
Quais foram os desafios
para produzir o EP “Todo tempo é Tempo”, no ano da pandemia?
Certamente, a
questão financeira era uma preocupação, visto que banquei todo o projeto. É um
investimento de longo prazo. E, num contexto de pandemia, ficava a dúvida se
era o momento de ter essas despesas. O outro desafio era pessoal. “Será que
está na hora de gravar estas músicas e lançar em formato digital e sem show de
lançamento? As pessoas já estão um pouco enjoadas de vida virtual”, me
questionava.
Quem te acompanha nesse
projeto, Marcus Vinícius?
Beto Lopes,
que além de participar como músico, fez os arranjos, direção e produção musical;
Lincoln Cheib na bateria; e a Paula Santoro, que fez uma participação especial
em “Vidas Ciganas”, além da minha preparação vocal. A parte de mixagem e
masterização foi o Ricardo Cheib.
Com uma equipe tão
talentosa dessas, tenho que perguntar: como você está se sentindo nessa semana
do lançamento?
Muito feliz
de poder conseguir levar esse trabalho adiante e naquela expectativa para saber
aonde essas músicas vão chegar.
Marcus Vinícius, mais
uma vez quero te agradecer por fazer parte do quadro Farelo 7, aqui do blog e,
claro, parabenizá-lo pelo mais novo projeto. Para fechar, gostaria que
indicasse e comentasse um trecho de uma das composições do EP
Gostaria de
destacar um trecho de “Vidas ciganas”, essa música que escrevi pensando no
tempo ligado ao nosso tempo socialmente falando.
“[...]
Vida que afana
Vidas
ciganas
Corpos
que vão morrer
Elos tão
frouxos
Lábios
tão roxos
Tempos de
insolidez
Vozes que
não se escutam
A não ser
pela fala abjeta e ter
Sempre
razão na conversa que
É escudo
escuso pra se defender
Mas se
importar para quê?”
Essa canção
trata do valor nulo ou quase nulo que a vida humana possui nestes tempos, do
apagamento do outro, bem como dos elos humanos construídos pela perniciosa
conveniência. Nesse sentido, expressa-se arrogância humana, que só dá ouvidos à
própria voz e, pior, reprime e reprova o outro, como se este não tivesse
direito de expressão. Nessa letra, o
tempo foi construído por meio da indignação frente ao individualismo, à
intolerância, aspectos que caminham na contramão do que, de fato, é ser humano.
Os ciganos foram povos migrantes duramente reprimidos e mortos, assim como
outros povos e, hoje, de alguma forma, quase toda a humanidade.
Enquanto aguardamos o
lançamento do EP, minha sugestão é: confira o teaser do projeto, neste vídeo:
– Veja bem, meu amigo, como essa deusa nos sorri! Bela amante e sinuosa. Como eu a
amo!
Grita o homem alinhado, com seu terno branco
leite, a seda cai muito bem ao corpo negro e forte, fica em riste o peitoral
jovem. O lenço vermelho tem um caimento impecável, o chapéu se posiciona sobre
os fios, enrolados pretos fios. Os sapatos, embora gastos pelo samba jambo, se
vão polidos, andarilhos cansados. E o odor? Exala jovialidade marginal, perfume
manga rosa que a Europa não há de comprar! Já não era mais o cargueiro da
manhã. Era um príncipe da mocidade, sorriso cálido e gentil.
– Bate palma, meu amigo! Que hoje o banquete é
de se fartar!
Ia lá ele, por vielas velhas, ruas mortas e
vivas, negras e brancas, boêmias e egocêntricas. Cantando uma cantiga de
malandro, algo como “laralauê larauê lará”, um sambinha mole como as conversas
que ele levava às moças de alma virgem.
– Um banquete, meu amigo! Todas as moçoilas trajando seus vestidos apertados, suas saias bufantes que submergem o canal dos
anjos, seus seios comprimidos contra o marfim daqueles espartilhos! Meu amigo!
Aqueles pezinhos doces, aqueles colos cheirosos. Compadre! Que banquete! Os
lábios frágeis, hein! A espera de um grande amor para segredar seus maiores
medos e malícias! Jorge que mora na Lua sabe! Como eu as amo! Todas elas!
Maria, Carolina, Eugênia, Angélica, Sebastiana, Catarina, Fátima, Camila!
E lá vai ele, sambando com seu terno leitoso
de seda pelas ruas dos amantes, amando todas e nenhuma, saboreando a madrugada.
Chester,
salada e os acompanhamentos. Acho que tenho tudo que preciso. Os doces ventos
da cidade tecem o porcelanato singelo que é essa Lua cheia.
O
orvalho crescente transcreve lindas canções nos carros dessa mundana área
comercial.
Enfim,
cheguei em casa; minha áurea transmitia cor azul ciano, como se nada pudesse me
atrapalhar.
O
som da chama do meu fogão parece dançar com minha alma, em um dueto de balé.
Começa a chover. Ó doce chuva, que hidrata os grisalhos cabelos da minha avó,
gotas que percorrem o casaco do meu precavido tio e criam poças para meus
pequenos primos pularem. Parece até uma canção.
Seria
eu um bardo? Enfim, todos à mesa. Começo a fatiar a alface, que desliza
suavemente pela lâmina da minha faca; alface guerreiro, passou a participar na
dança do meu espírito.
Chester
cozido, tão corado quanto o Sol ao se despedir dos céus, dando espaço para a
crua Lua. Tudo posto à mesa, hora de degustar a comida ao comando do luar
profano daquela noite. Tudo à perfeição, minha família clama por um bis, assim
como eu clamo para que meu espírito encontre a Lua.
–
O mundo vai acabar daqui a pouquinho, cê vai ver e ouvir.
–
Vamos dormir, criatura. Uma chuva gostosa dessas e cê vem me acordar com o fim
do mundo?
–
Antes dessa chuva gostosinha, rolou um vendaval dos diabos que parecia o
anúncio do próximo dilúvio.
–
Ah, cê tá vendo muita televisão. Vamos dormir?
–
Estou pensando como evitar o fim do mundo e isso a gente faz acordado, não?
–
Então... tá, boa noite!
–
Ela... vai ser assim ... ela vai mexer na cama e encontrar o Botas, vai fazer
carinho na barriga dele. O Botas? Cê nem presta atenção nessas coisas, né?
Botas é aquele macaquinho de pelúcia, que tá lá do lado do travesseiro dela.
Quando abrir os olhos e não perceber que seu novo companheiro não está lá,
pronto!
–
?
–
O que aconteceu? Ele simplesmente se esborrachou no chão e se espatifou
todinho.
–
NÃO! É verdade isso? O que a gente comprou na última tarde?
–
Ó, pensei que já estivesse dormindo. Não estava querendo apreciar a “chuvinha
gostosa”?
–
O mundo vai ficar pequeno. Ela vai gritar e acordar os vizinhos do prédio
inteiro. Minha nossa! Como aconteceu?
–
O vento foi muito forte. Nem com aquela barriga saliente e o peso do saco de
presentes, o velho conseguiu enfrentar o vento dessa noite.
–
Meus Deus! E agora?
–
Vamos ter que bolar um plano antes da nossa filha acordar. Vamos pra perto da
cama dela.
–
Assim, talvez, a gente diga: “Filha, sabe aquele Papai Noel bonitinho que você
ganhou ontem e estava dentro daquela bola de vidro transparente? Bem, fofinha,
nessa noite, ele...
Ontem
não escrevi nada para ser postado aqui no blog. Acabei me engarnachando num artigo
sobre especialistas da área de Educação, menino, que só Deus vendo, viu?
Ah,
quando vou publicar esse texto de ontem? Será na hora certa. O título
provisório do texto é Café amargo com os
especialistas. Nele questiono muitas propostas, iniciativas. Na verdade,
só entre a gente aqui: há muito tempo eu estava com vontade de disparar aquelas
reflexões.
Esperei
por mais sete anos um ilustrador que topasse ser meu parceiro nas atividades
aqui do blog. Claro que nunca procurei,
pois achava que esse tipo de parceria deveria surgir naturalmente. Assim está
rolando.
Não
adianta forçar nada. Parceria precisa rimar com sintonia. É preciso surgir
afinidade das ideias, reciprocidade compreende?
Ficaria
aqui horas aqui tratando desse assunto, mas não posso, pois atividades
escolares estão me aguardando ansiosamente.
Venho
com novidade! Estou muito contente porque a partir de agora minhas migalhas
serão ilustradas! Isso mesmo: todas as minhas crônicas de quinta-feira contarão
com os traços da artista Marci N.!
Marci
N. é paulistana, mora em Minas Gerais há uns 20 anos. Ela desenha
desde criança. Na adolescência já fazia ilustrações por encomenda. Estudou arte
e design na PANAMERICANA. É formada em Jornalismo e sempre procurou
conciliar a arte com as atividades que desenvolve. Ao longo da pandemia, vem
criando lindas aquarelas, como esta que está ilustrando este post.
Para
marcar o início da nossa parceria, Marci N. ilustrou a crônica “Uma quinta
estação” do dia 03 de dezembro. Caso queira conferir o trabalho da artista e a
migalha deste que vos escreve, segue o link:
Eu até
estava apreciando a ideia de deixar o cabelo crescer. A Menina do Baú Vermelho
estava festiva com a ideia. Claro que meu cabelo nunca terá aqueles os cachos cheios
de brilho. Ela puxou as madeixas, a cor dos olhos, o jeito da mãe (Graças a
Deus por isso).
Meu
cabelo já foi de tudo nessa vida. Ainda criança, com o rosto carregado daquelas
pintinhas miúdas, meu cabelo era da cor de ferrugem. Chamavam-me de russo como
consolo. Depois que fui entender a diferença entre russo e ruço. Os primos e
amigos dos tempos do primário foram bastante generosos. Meu cabelo era
encardido.
Com o
tempo ele ficou castanho, depois atingiu um tom quase preto. Um tom caminhando
para o escuro. Isso durou pouco também, pois antes dos vinte anos, uns fios
brancos vieram para morar de vez na minha cabeça. E aqui se multiplicaram de
forma assustadora. Como consolo do cunhado, sempre ouço: “Pelo menos você ainda
tem cabelo”, uma gargalhada e, na sequência, ele alisa com orgulho parte da
careca.
Já
pintei meu cabelo de amarelo, na empolgação de um Carnaval dos anos 90. Tive a
honra de zerá-lo, quando passei no vestibular, lá no início do século (Acho que
nem existe isso mais de raspar a cabeça) Fui de uma ponta à outra.
Mais
recentemente, no contexto da pandemia, cheguei a propor que só cortaria o
cabelo com o retorno das aulas presenciais, ou com a descoberta da vacina.
Assim, variei a relação com esses fios, ao longo desses anos que brotaram em
2020. A experiência capilar chegou ao fim.
Bem,
mas não acabou a esperança na descoberta oficial da vacina para a Covid-19. O
desejo de retorno às aulas presenciais em 2021 está cada dia mais vivo, cheio
de cores.
Assim,
em um exercício de confiança, fé, esperança, quero lhe fazer um convite: que
tal se a gente pudesse cultivar uma quinta estação? Sim, aqui, entre a
primavera e o verão, e se criássemos essa estação?
Uma
estação que refletisse as cores de todas as outras, que juntasse todos os fios
para (reconstruir) os laços familiares que se perderam, romperam ao longo
desses anos polares. Uma estação que venha renovar nossa paciência para com o
outro, que nos permita ouvir, antes de julgar, compreender, antes de atacar,
agredir com ofensas. A sincera estação da mesa, da roda de conversas, dos
sorrisos e da liberdade para falar das coisas boas desse mundo, dessa vida.
Para entrar
nessa estação, já vou cortar o cabelo, mudar o visual. Bora?!
Nas
palavras do grande Vander Lee, que Deus o tenha em seus acordes e letras:
Há tempos eu não sentia o doce da
primavera como o desse novembro que se vai nessa segunda-feira.
Com Deus, nosso Senhor, vamos
todos receber o dezembro com a esperança de que os nossos pratos sejam menos atravessados
por desespero na hora das refeições.
Que a gente possa receber as
manhãs, ao canto de tantas aves que eu pensava não existir mais na nossa
quebrada: o bulício dos pardais em todas as esquinas, a festa das maritacas que
seguem em direção da Lagoa da Pampulha e, claro, as andorinhas que fazem fila
no fio à espera da quebra do vento.
Enquanto aqui escrevo, porque é o
dia da semana que mais me atrai, muitas ideias vão ganhando forma a cada linha.
Essa é uma da s vantagens, caro D, de deitar-se no Word algumas intuições, uns
desejos disfarçados de necessidade, os comentários inúteis a quaisquer outros
leitores. Só interessam àqueles seguidores curiosos ou que estão em busca de novidade,
de curiosidade a respeito daquilo que ando aprontando. Só que ando aprontando
nada não.
Venho aprendendo a esconder
minhas insatisfações na vírgula das conversas fiadas pelo discurso do atraso.
Outro dia veio à minha casa um
montador de tela, aqueles emaranhados brancos que levam segurança para as
janelas, que lembram a rede que faz companhia para as traves e o travessão da
quadra ou do campo de futebol. O moço das redes, simpatia só que a gente vai
logo oferecendo café e suco, confessou-me: “desde que que parei de reclamar
minha vida passou a render mais”. Com ele aprendi que reclamação é fio sem
ponta, quanto mais a gente o procura, mais a gente se perde, não no problema em
si; perdemos a paciência, a tranquilidade, a amizade e diria mesmo que até a
oportunidade de recomeçar. Que em dezembro a gente possa recomeçar.
Salve! Salve! É com muita alegria e gratidão que compartilho minha participação no programa “Versos e preces”. Tive a honra de conhecer e ser acompanhado pelo músico Matheus Luna.
Na oportunidade, falei um pouco do processo de criação, dos livros "Um estranho para o céu" e "Garimpo das bolhas de sabão". Foi um bate-papo muito leve, com músicas de altíssima qualidade. Segue um trecho da entrevista
Quando
resolver fazer uma reforma, pense nesses elementos essenciais, nessas verdades:
os
valores nunca fecham, pois, um serviço puxa outro que puxa outro;
prepare-se
para assustar com a diferença de preço de um estabelecimento para outro e
também se cuide para lidar com os vendedores e entregadores, nem todos são
confiáveis;
você
vai passar muita raiva, principalmente, com o pedreiro. Ah, disso ninguém
escapa.
Agora,
prepare-se emocionalmente para lidar com sua esposa, seu esposo. Reforma é de
pirar o cabeção de qualquer um, caro D.
Só
quem faz sabe o que enfrentamos. Estou escrevendo agora para não criar
transtornos com o final da minha reforma, mas como é desgastante. Deus do Céu!!!
Caro D, nesse final de semana me
dei ao luxo de partir para uma leitura totalmente inédita.
Antes não era tarde, de Pedro Gonzaga
Parti para um livro ainda
lacrado, crônicas de um escritor de quem eu nem nunca havia falado. Não se foi a
fotografia da capa, o título poético, as cores. Não sei mesmo.
Não sei se pelo fato de o autor
ser poeta, músico, tradutor. Só sei que as crônicas me acertaram em cheio, Caro
D. A abordagem dos temas, as imagens poéticas, o olhar crítico e estranho para
o cotidiano.
Gostei tanto que parti para o
Instagram para saber se o escritor estava por lá. E estava. Agora nos
conhecemos. Gostei tanto que o marquei em um post que compartilhei com meus
seguidores. Gostei tanto que quero trabalhar algumas crônicas em sala de
aula.
Há tempos não me envolvia assim
com um livro. Questão de luxo nesses tempos de pandemia, viu?
Hoje é Feriado de Finados, mas
não resisti ficar longe de ti, companheiro.
Chego da caminhada, cheio de ideias, de temas para pesquisar.
Temas? Nada de importante para o
mundo das urgências, o universo das demandas do imediato.
Gosto de assuntos que me levam a
todos os lugares, em especial, o lugar do Nenhum. Lá onde a curva acena para o
presente e o futuro estrala suas retas.
Em breve, quero pesquisar um
pouco sobre as espécies de sabiá. Assim, voltarei a sonhar com aquelas estações
que roem o arame da gaiola do mercado.
Caro D, você sentiu minha falta
ontem? Vai ver que não, né? Não foi por esquecimento, mas pelo excesso de
tarefas. Que professor não virou um tarefeiro nesses últimos sete meses?
Tenha paciência comigo, meu
parceiro. Vai chegar a hora que a gente vai se encontrar todos os dias. Não
posso prometer quando. Não prometo mais nada.
Em tempos de campanha política, a
gente tem que afastar essas palavras dos rastros do cotidiano. Vai que
vira praga desses vilões que aí estão?
Faltando 12 minutos para a
última reunião do dia, sento-me à frente do computador.
A única coisa que gostaria de
fazer lá por pelos próximos 90 minutos, no mínimo, era escrever, reescrever, desligar-me
por completo da rotina, essa “máquina de moer gente”.
Apenas.
Mas querer isso é muito, no
contexto em que estamos inseridos, meu caro D.
Ontem, tive uma baita dor de cabeça,
fui dormir mais cedo, não consegui me madrugar para aa caminhada. Eu ainda
estava zonzo.
Ainda havia aula para preparar,
ministrar, e-mail para responder. À tarde, levei minha filha para a aula de
música, depois busquei o videogame, natação, feira, natação de novo.
A tarde voou. Eu quase não
arrastei pelo chão das atividades.
Em menos de cinco minutos, a
reunião. Que Deus nos proteja e que lá eu possa me desligar um pouco das
tarefas.