sábado, 15 de agosto de 2020

foi por impulso



Há sessenta dias não escrevo uma linha.

Hoje por impulso, pelos ventos de um adágio do Ferreira Gullar, fui atirado, jogado na rua. Você está se perguntando: “Como assim?”

Só foi assistir aos vídeos no meio da manhã, entre prova para elaborar, casa para arrumar e outras mil e uma tarefas...

Bem, eu não sei explicar o porquê, o que rolou, nem quero.  

Verdade: eu senti uma vontade enorme de registrar uns GRITOS.  

Em silêncio, desci a escada do barracão, corri em direção ao portão. Pá! Eu estava na RUA!  E só foi um grito.

Não tinha ninguém para ouvir. Ai! E como aquilo me fez bem. Tive a impressão de sair de um banho lento e gostoso, daqueles que lavam a alma, sabe?  

De vez em quando um ou outro carro passava e eu ia atravessando as frases do poeta.

Que realidade estou inventando? Por que um verso é capaz de provocar tudo isso em plena manhã?

 Insight? Impulso? Arte. Pulso.

Peço licença, mas agora vou ali comprar um apontador e mais lápis. Tenho que transcrever a página deste dia que nos escreve.

Por que?

“Eu escrevo porque tenho o prazer de manifestar uma coisa que eu descobri”



... farelos por aí ...