sexta-feira, 28 de setembro de 2018

um bosque que se chama Solidão

A releitura de uma determinada obra é sempre mais esclarecedora do que o primeiro contato. E a riqueza de um texto literário está justamente nas infinitas possibilidades de interpretação que oferece aos leitores. É essa fonte inesgotável que transforma uma obra em um clássico. Ou, no mínimo, uma referência. Sempre foi assim. Não há novidade.
Por quantas dezenas de anos “Dom Casmurro” iluminará as páginas do Realismo captado por Machado de Assis? Há como pensar a configuração da mulher na literatura brasileira sem se encantar com as dissimulações de Capitu?  
E por falar em mulheres e literatura, ela não pode ficar de fora. Quem? Clarice na teia! Diga-se de passagem, que a obra “Todos os contos”, que venceu um importante prêmio nos Estados Unidos, em 2015, vem dando o que falar entre os fãs. 
          Em breve, vou conhecer esse maravilhoso acervo; mas até mergulhar nesses mares, comunico-lhe que andei esfarelando algumas crônicas da autora nos últimos anos. 
         Os leitores das antigas sabem disso. Não minto. Sou clariciano e pronto. Qual é mesmo o nome da minha caçula? Está explicado. Porque, como sabe, (ou vai saber um dia) Clarice é personagem, escritora e uma das figuras mais ecléticas da nossa literatura. Uma amiga disse que Clarice é rainha (dá licença, meu?) em outras palavras, estamos falando de uma escritora clássica.    
Bem, tenho que alertá-lo(a): o que lê nessas modestas linhas é uma espécie de delírio noturno na janela do cotidiano. É que quando leio os textos dessa autora, sinto-me dentro de um sonho. É como se estivesse ora dentro de uma pintura de Salvador Dalí, ora na serenidade das pinceladas de Monet. 
Sinto-me tateando agulhas no silêncio da tarde. Parece que ela tinha uma câmera capturando nossos dilemas e intimidades o tempo todo. 
         Às vezes, fico procurando abrigo nos braços do amigo mais próximo. Será que devíamos ter amigos em todos os lugares? Ou seria um amigo para todos os lugares?    

E você quer saber por quê? (Hora de ler em voz alta)

Clarice me ensinou que há um vazio em todos nós. A solidão é o que une a humanidade. Certo. No universo somos apenas uma unidade. Verdade. Verso único, íntimo, prosa leve no breve grafite que risca a realidade.
 A solidão está em todos nós. E é só com o outro que podemos enfrentá-la. Para isso, foi preciso muita gente: toda Humanidade. Precisamos do outro para compreender o mundo. Precisamos amar o outro e, assim, transcenderemos o Universo. 
   
Informação desprezível da crônica (Leia-a, se quiser)

 – É nisso que dá ficar lendo clássicos! O menino ficou proético – comentou tia Cristina (aquela da sarradinha no ar, lembra?), que agora passou a ler todas as crônicas antes da publicação.




domingo, 2 de setembro de 2018

Retalhos


O livro desse mês foge um pouco dos padrões dos que já foram indicados: Retalhos, de Craig Thompson, é um romance em quadrinhos que te prende do início ao fim. O autor é o responsável por narrar episódios da sua própria história, tendo como início sua relação com o irmão, a família e a religião e conta tudo de maneira amigável, o que faz você sentir simpatia por ele.

Todos esses aspectos são alterados quando Craig vai para um acampamento da igreja e conhece Rainá, uma garota que foge de todas as suas crenças. Lá, eles passam um tempo junto e Craig se apaixona pela primeira vista por ela.

Raina vive em uma situação complicada. Seus pais acabaram de se separar e seus irmãos não conseguem aceitar. Ela nunca foi uma garota religiosa e é em Craig que ela encontra um porto seguro. Os garotos passam as férias juntos, mas o final é surpreendente.
Particularmente, nunca havia me apaixonado tanto por histórias em quadrinhos como essa. Quando vi o livro pela primeira vez, acreditei que por ser muito grande seria uma leitura densa, mas ao iniciar não consegui mais parar. É uma história não convencional, que ao mesmo tempo entretém e faz pensar. O autor possui outras histórias em quadrinho que também recomendo.

Ótima leitura a todos.

Emanuelle Silva