silêncio para o Rosa

Esperei uns oito meses por essa data, por esse momento. O dia de trabalhar mais uma vez com a obra Primeiras estórias, de João Guimarães Rosa. Um desafio a ser levado no fio dos 50 minutos.

Tenho um problema em relação à leitura compartilhada desses gênios. Qual?

Só consigo ler em voz alta, relendo à mineira, sentindo o ritmo das várias vidas presentes em cada vocábulo, um parecer que é, mas nunca o todo e sempre: a surpresa na releitura.

Primeiro, os alunos leram, de modo descompromissado, silenciosamente. Leram. Uma cena linda. Trinta e três jovens desvendando alguns segredos da trajetória de Sorôco, sua mãe, sua filha. 


Depois, eu releio, em voz alta. Ninguém atrapalha, nenhuma conversa paralela. Aquilo é mágico. O prazer do texto. Na sequência, as impressões, o é não é e deixou de ser para ser outro.

Bate o sinal, mas eu queria mais e acredito que eles também. De repente, encontro uma aluna no corredor: "O que achou do primeiro conto do Rosa?"

"A sensação de que ficou muito para ser retirado."

Não preciso de mais nada nesta data esperada, na introdução ao estudo do gênio, pois a aluna já entendeu o que é ler um clássico.

... farelos por aí ...

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