medo de virar zumbi

Não tenho vergonha de escancarar um bom dia para os alunos do terceirão, em plena segunda-feira. Tenho alegria, sabe? Enche-me de satisfação levar um pouco de energia positiva para rapaziada. O mundo está cheio de problemas. Tanto que cada um de nós tem um monte deles, não é mesmo?
Disse segunda, mas o mesmo pode ser estendido para os outros dias da semana e para as outras séries. E fico mais contente por afirmar isso, depois de o aluno Arthur Henrique ter observado essa minha atitude naquelas primeiras horas do dia. Ao postar uma mensagem, no meu niver, ele descreveu “essa mania”. A Rafaela Madureira, aluna da mesma sala, já falou que chego “assim meio elétrico”.   
E por que faço essas coisas? É o que você saberá nas próximas linhas. Bem, se estiver disposto, claro, a conhecer as razões deste estranho que vos escreve.
Antes, tenho que abrir o jogo: ser desse modo tem lá umas interpretações equivocadas. Não é moleza, viu?
Primeiro, tem gente pensando que saio assim, cumprimentando a galera todo dia, (assim do nada), porque vou me candidatar para vereador ou qualquer cargo da política.
Segundo, as pessoas mais desconfiadas imaginam que vou pedir alguma coisa em troca, ou melhor: vou pedir dinheiro emprestado.
Pow! Pow! Pow!
Pensaram errado. Não nasci para a carreira da política e quando peço dinheiro emprestado, não costumo pagar. Por isso parei de pegar dinheiro com os amigos. Amigo é amigo.
Brincadeira à parte (acho que não estou devendo grana pra nenhum dos meus amigos), vamos ao comportamento que queima nosso humor.
Você trabalha no mesmo lugar que a pessoa há anos, ela sabe seu nome, mas é como você simplesmente não existisse. Isso é fogo!
Há aquele colega para quem você capricha no cumprimento (bom dia!, boa tarde! boa noite!) e o tal sujeito lhe ignora na alta. Isso é fogo!
E o tratamento vip de alguns médicos? Médico que mal-mal dá bom dia; mal-mal toca em seu corpo, mal-mal utiliza os equipamentos (fiquei de cara o dia que um “doutor” utilizou a lanterna do celular para “consultar” a garganta minha esposa)); mal-mal despacha uma receita. Bem-bem, você sabe: isso é fogo!
Fogo mesmo. Depois dessas e outras situações que surgiram na sua mente, ao ler esta crônica, confesso que devemos apagar esse tipo de fogo (aliás, gelo) das nossas relações cotidianas:
– Aqui não é a Zumbilândia, meu querido.
– Saia desse corpo que não te pertence.
– Acorda pra vida, criatura!
– Olhe pra mim. Olhe pra mim. Estou aqui. Estamos no mesmo lugar
Agora vocês entenderam porque sou assim meio esquisito no dia a dia.
Ainda não?
Vou lhe contar um segredinho: morro de medo de virar um

Zumbi.
... farelos por aí ...
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