disparos no frescor da ignorância


– Tá pensando o quê? É claro que tu não vai me identificar. Só apareço nas épocas de eleição para constar nas estatísticas da pobreza e fortalecer o discurso do político que quer acabar com a pobreza, tá ligado?


– Você não tá ligado mermo. Passa todos os dias e olha como se a gente fosse de outro mundo. Tá pensando o quê, mano? E se fosse e eu lhe mandasse um f.?


– Outro mundo é o Carvalho que deu nome pro morro onde a rapaziada aqui mora e só de pensar que a gente reside na favela, cê fica aí pensando que tudo é novela, que ninguém morre de graça na quebrada. Tem muita gente inocente morrendo aqui em cima, tá ligado?


– Claro que não, ocê é muita patricinha pra saber que seu discurso insensato não vai separar inocência de estatísticas e noticiários e um bando de otários falando das paradas que não sabem.


– Mauricinhos, não foi nada não, viu? Somos filhos da rua, somos invisíveis. E “beijinho no ombro para os desavisados”.


... farelos por aí ...


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