de quebra um Gregório de Matos



Para Victor Fagundes e Gabriel Cunha


Há um povo que não assiste à programação da tv aberta e nem por lá transita. Há artistas de rua, com fama pra lua que a mídia não descobriu, por quem ainda não se interessou e a grande emissora não devorou. 

Há comediantes sendo estragados pela gigante, porque a novelinha sustenta as contas do final do mês. A criatividade e a ousadia ficaram no cheque especial. 

Há atores de teatro de segunda a segunda com a bunda no texto, no banco do ônibus, vendendo a janta para comprar o almoço .

Ele, na moral, usando o império para fazer nome (mais) e público, o ingresso está caro e problema é de quem paga.

Há quem paga sem entender o que há no show. Estão construindo mais um shopping na minha cidade e há quem diga que não somos de nada nesses espaços que são a ilusão de todos. 

Crucifixo fixo no corpo carente dos ignorados.

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