a casa de cera

É todo dia o mesmo trapo. Tá limpinho, viu? Quando chego da escola, como o que sobra, quando sobra, né? 
Vou e lavo, ponho pra secar, à noite recolho, depois de pegar no batente. É assim. Duas peças: uma pra estudar e outra pro serviço.

— Os outros irmãos?

— Elisa e o pequeno Nelson vão bem. “Arranjando-se como podem”, assim diria dona Iridinha.     

— A outra?

— Jana se casou. Foi morar longe. Deu sorte de encontrar um moço bão e mais ou menos de vida, viu?

Jana pediu e ele deu esta casa pra nós. Não pega fogo, mas se deixar...unh! derrete a gente. Em dia de sol quente ninguém pode ficar nela muito tempo, viu? O telhado é baixo e de zinco, sapeca demais, dá dor de cabeça, tonteira.

A casa de cera é mais pra gente dormir.  


... farelos por aí ...

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