Lendo Barba Azul


“Há muito tempo, em uma época obscura da história, existiu um homem que tudo possuía. Sua riqueza era imensa e todos os seus desejos eram realizados.” Assim começa um dos contos infantis de que mais curto: Barba Azul, de Charles Perrault.   

Recentemente tive a oportunidade de apresentar esse clássico para Cecília, A menina do Baú Vermelho. Essa viagem foi possível graças à leitura da belíssima obra Barbazul, publicada pela Aletria, editora de Belo Horizonte, no ano de 2017. 
Assim que recebi o exemplar das mãos da consultora Vânia Diniz, em uma feira de livros, a Cecília ficou curiosa para saber qual era tal história do senhor Barba Azul. Numa tardes dessas aí de julho, fiz o convite a minha filha: “Vamos ler juntos esse livro?” O sim veio mais rápido do que o pensamento.

Primeiro aquela sensação que todos os leitores curtem de montão, retiramos o plástico, sentimos o cheiro de livro novo (1ª edição por sinal). Depois aquela folheada, como quem diz coisas do tipo: é verdade mesmo que estou diante de um livro novinho? Que ilustrações maneiras?

“Pai, começa logo!” Era A menina do Baú Vermelho que não mais aguentava mais de ansiedade. Pronto! Comecei a ler obra em alto e bom tom. Já nas primeiras cenas, aliás, de cara, a descrição do protagonista fisgou de vez a ouvinte.

“Por que ninguém chegava perto dele? Era só por que ele tinha uma barba azul? Vai ver que ele era muito bonito!” Ah, isso eu não sei, temos que esperar pra ver. Os olhos da Cecília brilhavam a cada virar de página, a cada ilustração. Entre um espanto e outro, claro, pedia para que ela lesse um trechinho.

“Eu não estou com medo não, pai.” Quando ouvi essa história pela primeira vez, fiquei borrando, viu? “Ah, mas você sempre foi frouxo!” Ah, menina isso é coisa lá que se diz? “Foi a vovó que me contou que você sempre foi medroso”.  Uma história puxando a outra até que ela voltou ao enredo:

“Pai, cê entraria no quarto proibido, como a esposa dela está querendo fazer?

Com essa pergunta, senti que minha parceira tinha capturado a alma do conto. Os riscos da curiosidade. O que estaria por detrás daquela porta que precisava de uma chave estranha?

Não. Claro que não vamos revelar o final da história. Spoiler aqui é crime (risos), mas confesso que se trata de uma experiência muito rica ler essa versão com uma criança aí na casa dos seus oito, nove anos. Certamente você correrá o risco de ouvir um suspiro semelhante ao daquela tarde:

“Nossa! Já acabou? Que história legal!”     

Por mais leitura em família!   

Um forte abraço,

Cecília e do Alfredo


Título: Barbazul* 
Adaptação e ilustração: Anabella López
Tradução: Susana Ventura
Editora: Aletria 


*Curiosidade: a alteração da grafia do nome Barba Azul para Barbazul , segundo, Anabella López, foi uma “escolha estética inspirada pela energia animalesca do personagem, transmutado em bicho-homem”. (Nota da editora)

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