9.Tribo da Sensibilidade


Demorei algum tempo para descobrir a palavra, a expressão que nos une. Espere um pouco, não se assuste, leitor(a). Você não está diante de uma de minhas crônicas de quinta. É quarta-feira, e você está na penúltima postagem da série “Conversa sobre leitura”.  

Um dos motivos que me levou a criar essa série especial de postagens foi a oportunidade de tratar desses assuntos que, às vezes, não tenho tempo para falar em sala de aula, em bate-papo, ou nos corredores do cotidiano. 

E o assunto deste post é: a necessidade de compartilhar nossas impressões de leitura. 

Para os tímidos, introspectivos ou para os leitores mais extrovertidos, a situação se repete; pois ao concluir a leitura de um livro, queremos compartilhar aquela experiência com alguém. Fato. 
Trecho do romance "Grande sertão: veredas" 
Recordo-me da cena de minha namorada (esposa-namorada), nos tempos de cursinho. Assim que terminou de ler o clássico “Grande sertão: veredas”, ficou em êxtase. Como não ficar?

No ano passado, uma aluna se queixou da falta de pessoas com quem pudesse compartilhar suas leituras. “Ah, professor, meu amigos não gostam muito de ler, entende? Fico como a chata da história.”

Entende muito bem esse quadro. Sempre há muito que contar, comentar, descrever e descobri na leitura de um livro. “Hoje todo livro literário me alfabetiza”, afirmava Bartolomeu Campos de Queirós.

Para todos nós que somos leitores, poetas, escritores, pintores, bailarinos na fantasia, no palco da imaginação – membros da Tribo da Sensibilidade (eis a expressão que no une, indicada no início deste texto). A expressão é do célebre José Saramago, escritor português. Só nos resta uma saída, companheiros: criar um Clube de Leitura! O que acha da ideia?



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