Livre é abelha

A vida dos artistas, de maneira geral, conta com fases distintas ou não. Isso deveria correr conosco. Talvez ocorra, mas com os artistas é mais visível. Há outros divisores de água. Tudo trans-parece em ciclos de sucessivas descobertas, semelhante ao que trans-corre com a poesia.

Mia Couto, romancista moçambicano, diz certa vez que está a descobrir escritor em cada livro que escreve. Para Manoel de Barros, “poesia a gente não descreve, poesia a gente descobre”. E assim, esse mestre nos leva ao reino de suas palavras:

“Visão é recurso da imaginação para
dar às palavras novas liberdades?”

Com essa poética indagação, epígrafe do livro “Livre é abelha”, venho dizer aos seguidores do blog que a poesia de Amanda Ribeiro nos conduz à descoberta de ritmos, jogos de palavras, trocadilhos diversos nos reversos do cotidiano.

Suas abelhinhas se misturam com as linhas que costuram o tempo, pois seus cantos nos ajudam a compreender a partitura do vento.

Se alguém me perguntar qual é a canção do vento, Amanda, direi que não sei. Sei que é poesia. Disso você sabe, Manoel sabe, Líria sabe, a abelhinha sabe. E o leitor? Bem, o leitor  poderá descobrir diante do voo das abelhas.


Voltando ao início do texto – ciclo – há uns fios de cabelos brancos deste que escreve. Orgulhosamente, posso dizer que fui professor da poeta Amanda Ribeiro. E é ela a primeira ex-aluna a publicar um livro. Eu os demais ex-professores de Linguagens, em especial, temos orgulho de dizer que ficamos contentes com o lançamento da obra “Livre é abelha”.

escrevidão

nem tudo que eu escrevo eu vivi
quem escreve precisa mentir
minto tanto que quando leio
essas linhas metalambidas
esqueço que as escrevi
(p.24)

Recordo-me de uma estudante que se encantou com a poesia desde muito cedo (acredito), desde as cantigas trovadorescas, aluna que percorria o livro didático em atrás de poemas e dos dilemas em versos. Aquela aluna, hoje, professora! Aquela leitora de poesias, hoje, poeta!

Amanda Ribeiro, que o voo dessas abelhinhas possa te levar a outros campos, poesias e flores. Em outras palavras, queremos mais versos, poemas, queremos mais livros.

sobre voar

asa: palíndromo
que nos leva
e traz de volta


Título: Livre é abelha
Poeta: Amanda Ribeiro
Editora: Impressões de Minas

Crédito da pintura:
https://s3-sa-east-.amazonaws.com/odebate/destaque_editoria/IMG_8100_dic_bt%20120cmX%20270cm%202015%20%20%20Paralelo%20Cor.JPG
    

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