8. Três desafios

Olá! Olá! Neste oitavo post da série vou discorrer brevemente sobre a seguinte questão: o trabalho com Literatura é um desafio. Para início de conversa, não falo da perspectiva do escritor, das editoras ou dos livreiros; mas sim da pouca experiência como professor, do trabalho com adolescentes e jovens.

Embora possa lhe parecer simplista, o que tenho a dizer não foi baseado em nenhuma pesquisa, muito menos conta com estudos profundos de décadas sobre o assunto.  Reitero meu lugar: falarei da minha trajetória de professor de leituras no Ensino Médio.   

O primeiro desafio que enfrentamos é o da definição de Literatura. Leva-se um bom tempo para que o aluno compreenda que Literatura é uma arte. Isto é, que o texto literário lida com a subjetividade, com os elementos da conotação, que é como a pintura, a música, a escultura, entre outras modalidades. Sem contar que há alguns colegas (professores) que tratam a Literatura como submatéria. Isso acontece praticamente em todas as escolas. Lamentável!

O segundo desafio diz respeito ao desconhecimento dos escritores e poetas brasileiros. Como assim? É verdade! O preconceito começa no momento da indicação dos livros ao longo das etapas. “Esse autor é brasileiro?” Não é preciso descrever a reação de um jovem de quatorze quinze anos, quando respondo sim. Acompanho esse quadro anos há anos. Essa reação automática reforça a mesma linha em relação ao que povo falava do cinema nacional. Soma-se a isso ao grande número de enlatados, best sellers e uns tais de yotubers.
  
O terceiro desafio que muito se relaciona com a telona vem de uma frase que insisto com os alunos: Literatura não é Netflix, é melhor, é superior! O desencontro de mundos (dos seriados X livros indicados) é notório quando refutam a sugestão de livros. “Nossa, professor, não tinha como indicar um livro com mais ação, emoção, aventura, não?” Não, meu caro, o tempo da literatura é outro, é você quem faz (ou não) – respondi ao estudante que nunca havia falado em “no tal do Ariano Suassuna”.

Agora, você deve estar se perguntando: o que fazer diante desses desafios? Para o primeiro, tenho apresentado a literatura com ternura, afeto, reflexão, viagem, denúncia e identidade. Quanto ao segundo desafio, reforço que nunca é tarde para conhecer nossos escritores e poetas e que nós temos muito que apreender com todos eles, em especial, com os poetas. Em relação ao terceiro e último, confesso que depois que o aluno se torna um leitor, ele é o protagonista, o vilão, a mocinha, o patrão, o bandido. É também o diretor, o roteirista, o figurinista, o compositor da trilha sonora. É o mundo em palavras.

Nossa! Estendi-me por demais. Sei que há outros tantos desafios que não caberiam aqui. Ficam para uma próxima. Até lá. Boa leitura!

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