4. Ler três livros ao mesmo tempo?


Olá! Alguns leitores puxaram minha orelha, no in box, em relação ao post da última semana. Disseram que o texto ficou muito curto, que o assunto merecia mais atenção. Fui até acusado de estar “fugindo da raia”, ao tratar do tempo para a leitura.  Aqui estamos. Hora de continuar a discussão da última semana.

Para início de conversa, dificilmente passo um dia sem ler alguma linha literária. Minha casa, por exemplo, é o retrato fiel dos Livros em todo lugar. Não vou mentir, pois em relação aos livros, a casa está sempre uma bagunça. E eu curto bastante essa desordem.

Há livros para estudar, discutir, analisar e levar para sala de aula. Há obras que leio por prazer. E outros que faço questão de compartilhar aqui no blog. Em síntese, minha vida é totalmente dedicada aos livros: seja como educador, escritor e produtor cultural. Mas aí você deve estar se perguntando: como conseguir tempo para tudo isso?

A resposta é simples: eu não consigo. Eu venho construindo esse tempo ao longo dos anos. Não há mágica mirabolante para isso. É questão de um pouco de disciplina. Como faço?

Penso que cada gênero textual exige um tipo diferenciado de contato, porém muitas pessoas não compreendem isso. Não se lê um livro de contos, crônicas ou poemas de “cabo a rabo” em uma “única sentada”, como se lê um romance.
As narrativas curtas e os textos em verso exigem uma capacidade maior de abstração. Nesse caso, leia um texto, ou no máximo, dois por dia. Já reparou que seu professor de Língua Portuguesa/Literatura gasta praticamente uma aula em um texto? Minha recomendação é: livros de contos, poemas ou crônicas precisam de agenda. Ou então, deixe-os sempre à vista, pois o tempinho que surgir você vai lá e lê... Por outro lado, ressalto que as narrativas longas (novelas e romances) consomem mais tempo. Nesse caso, é preciso ser ainda mais focado.

Pode lhe parecer absurdo, mas o que quero dizer com tudo isso é que você pode ler com competência e aproveitamento até três livros de uma vez.  Espere aí, eu não estou me referindo à possibilidade de você devorar três tijolos, como “Grande sertão: veredas”, de João Guimarães Rosa, um volume da obra “As crônicas de gelo e fogo”, de George R.R. Martin, e “Cem anos de solidão”, de Gabriel García Márquez, ao mesmo tempo. Sem chance.

Mas você pode ler ao mesmo tempo o romance Ponciá Vicêncio, de Conceição Evaristo, o livro de poemas Fruto ao ponto, de Roseana Murray, e o de contos Doze Reis e A Moça no Labirinto do Vento, de Marina Colasanti.

Foi assim que me tornei esse leitor (in)disciplinado. Mas você não tem que ser assim, de repente só de ler um livro por prazer a cada mês fará todo diferença ao final de um, dois anos.
Chegará uma hora que você não vai querer ficar sem ler por um dia. Se tiver um tempinho em casa, na escola ou no trabalho, vai procurar um título e vai se desligar deste mundo. Como diz o poeta Sérgio Vaz: “Quem lê enxerga melhor”. Bora olhar o mundo de outras formas?

Se você leu até aqui, se é um leitor voraz, se acredita no poder transformador da leitura e acha útil esta iniciativa, compartilhe este post.           

Boa leitura!


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