Prantos de pânico

O choro da criança de uns cinco, seis anos competia com a voz da incômoda sirene do nosso desconsolo. Era uma menina, linda criança, em pânico e na esperança de que tudo aquilo não passasse de um engano. Não era engano. Ela gritava.
— O que foi?  O que está acontecendo com o meu pai? O que está acontecendo, papai?
— Calma, minha pequena...
— Pai. Aquele moço está com uma arma apontada pro senhor. Pai? Pai?
— “Desce do carro. Seus documentos. Mãos no vidro.”
Em prantos, a menina desespero passou para o banco da frente, saiu sem ser notada pelos policiais. Seu grito ecoava na quadra inteira que desceu para ver o que estava acontecendo.
— Para onde vão levar o senhor, pai? Eu também vou junto....
— “Não vai não, menina insolente”.
Um policial agindo de modo correto, conforme o procedimento padrão: prendendo o ladrão; o outro, sem preparo para lidar com a situação de ter que enfrentar a filha do bandido em plena explosão. Solidão.
Não se sabem de onde, muito menos como desceu o morro uma senhora com túnica marrom, que pronunciava as palavras no meio tom. Ela abraçou a criança, juntou seus pertences e a levou para um abrigo.
Depois de assistir ao acontecimento, não consegui dormir. E só encontro um pouco de abrigo, após escrever este relato.

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