Jardins: um livro que espalha arco-íris

Livro. Presente. Uma prece.
            Crônica, ensaio, relato, depoimento ou até onde vai o pensamento. E o pensamento vai para longe, muito longe... para bem perto do sim.
            Leia estas linhas como quiser, caro leitor. Não sei que gênero é este que escrevo. Não queira saber.
            Quero que saiba somente que vou discorrer sobre folhas, cores, raízes, botões, pétalas; sobre flores: “Jardins”, da poetisa Roseana Murray e do ilustrador Roger Mello.
     
A obra “Jardins chegou presenteando minha tarde, aliás, a tarde de todos os familiares. Ouvi minha esposa e filha mais velha dizerem ao mesmo tempo, no mesmo ritmo e encanto: que livro lindo! Mas foi Clarice quem desfez o laço do livro-presente. Naquela hora fiquei sem palavras...
            Recordo-me que logo em seguida fiz questão de enviar uma mensagem para a poetisa agradecendo-lhe pelos títulos autografados. Ela deve ter percebido o quanto fiquei admirado com os tesouros; MAS o que Roseana Murray não sabia era que sua obra  “Jardins” havia me tocado profundamente, “pegado de jeito”, como se diz no sertão. Agora, Roseana e você, leitor, vão entender um pouco o que  passei.
            Sabe quando a gente é menino e ganha um presente, um prêmio e quer sair correndo para contar pra todo mundo? É a necessidade que mora na eternidade de compartilhar o belo. È que a gente num dá conta de reunir, sozinho, as palavras e imagens para descrever todas aquelas sensações praticamente inenarráveis. Foi o que senti e é o que você sentirá o dia em que entrar em contato com essa obra.   
            “Jardinsé um livro que espalha arco-íris, enchendo de brisa a vista da gente. Compreende? O tempo todo o leitor é convidado a percorrer um labirinto de cores, a se encantar com o recinto das flores.
            Nesse maravilhoso passeio, Roseana Murray nos ensina que “Para que o dia / seja todo de estrelas / e magia, / estranhas flores / ao pé da estrada.”
            A gente descobre também que  “Na teia do dia / as flores pousam, / aranhas de lua.”
            A cama é de sombra. E num demora muito pra gente se sentir no “Pais das Flores”.
           “Jardins” me proporcionou uma espécie de leitura sagrada, uma prece de gratidão. Desliguei-me por completo das obrigações diárias só para apreciar, em silêncio, o som de cada verso, a poesia de cada desenho e dos artistas o empenho e o talento de nos presentear com suas paixões: flores.
            Impossível não suspirar diante de tanta beleza. Impossível não dizer que  "Jardinsé um dos livros mais encantadores que li em toda minha vida. 
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