Outros ventos ou a crônica da vitória


Era a manhã em chuva de um sábado de primavera. Dia da Feira do Conhecimento. Outro vento. Ciências Exatas, Humanas, experimentos, jogos, demonstrações, práticas de muitas teorias ensinadas e discutidas na sala de aula e laboratório.

Outro vento.

Naquela manhã tive o privilégio de conhecer a família de um dos meus alunos. A família: um casal de dentistas, um garotinho e um jovem que adora fotografia. Os dois filhos estudam violino. Os pais desses anjos são apaixonados pela música. O pai chegou a dizer que eles escutam música o tempo inteiro.

Outro vento.

Contaram-me de uma experiência riquíssima. Vou tratá-la aqui como um jogo que ninguém perde e todos ganham. Vou tentar representá-lo como uma espécie de casa com janelas sempre abertas. Essa casa poderia ser, quem sabe, a mente humana. Ideias para ventilar todas as estações.

Outro vento?
Contaram-me que um certo dia eles disputaram, em volta da mesa, nos cantos da sala, nos oceanos da casa, quem conseguiria indicar a música mais emocionante de todos os tempos. "Agora quem vai conseguir superar minha música?" À medida que as canções ritmavam o tempo daquela família, seus integrantes desenrolavam suas justificativas, tornando o “jogo” ainda mais difícil. Um desafio que garantia o gosto de vitória a todos que ali estavam.

Imagino que do clássico, rock, bossa nova, MPB, aos mais variados estilos, a lembrança se fez um rio na dança da memória, da história dos pais. E, sem dúvida, lançou outros caminhos na vida daquelas crianças.

Outro vento! Aquela família do meu aluno lançou outro vento na minha vida.  
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