2 tempos ou a crônica das aparências

           
Tá osso, mano. Tá difícil demais pra “pegar” alguma mina. Cê deve tá aí pensando que eu tô de brincadeira, véi.
            – Desembola melhor essa ideia aí, C.
            O lance é ter like, mano! Dependendo de quantos likes o cara tiver no Instagram, pode desistir. Tipo uns 350 pra começar, devagar. Com esse número, cê num faz nem cócegas. A garota olha seu perfil, suas fotos e vaza. Num rola nada.
            – Conversando com meu coroa, ele disse que isso não é de hoje. Na década de 1970 só pegava muitas mulheres quem tinha um Opala ou um Maverick.
            – E hoje? Precisa ter um Instagram e pronto?
            – Isso não basta, véi. Tem a famosa tríade do sucesso que o cara arrebenta...
            – É uma fórmula especial?
            – Basta ter um Iphone 7, com capinha vermelha de preferência + duas fotos na praia + uns 1500 seguidores. Pronto! Não tem pra ninguém. Sai de perto porque cara assim pega a mina que quiser. Falo a verdade.  
     

            Cê tá no rolê, assim de quebra, de repente o cara tira um Iphone e coloca sobre a mesa. Rapidinho, mano, as minas mudam de ideia a seu respeito. Vão chegando perto do cara, esperando a oportunidade pra fazer uma selfie. Depois disso, ih, tá no papo.
            – Ah, tem uns caras também que exageram, né? Além de ter a tríade do sucesso, tem a coragem de exibir uma foto na praia tocando violão. Esse é do tipo que tem um harém todo final de semana.
            Um papo legal, do tipo inteligente, não cola, fessô. Pra mina, cê vai ser visto como um chato. Ela não vai te seguir. É a vida.
– Pensei que só Enem excluía os pobres ultimamente...
– Pensou errado, my brother. Mas isso é assunto pra outra hora.  
– Quando?
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