Viagem


Por Vitor Loureiro
Algo inimaginável, sem nexo
Vê-lo da forma que o vejo agora
Não lhe reconheço bem, embora
Seja nada mais que meu reflexo.

Seus dogmas, suas crenças, seja o que for
Compreendia, mas não mais compreendo
Como é que suportas tamanha dor?
Como fez de algo curto, algo extenso?

Ou sou eu? Me encarando penso
Ó mestre, tutor, grandioso tempo 
Que coração atualmente esquento?

Até mentiras que ontem contei
Se apossaram do meu pensamento
Para aonde foi a tal pose de rei?
Cadê as ambições que tanto tento?

Seria "ele" ou "eu"? "Isso" ou "aquilo"?
É feliz ou triste? Morto ou vivo?
Mar de rosas? Coroa de espinhos?
Vítima dele, tempo maldito.

Com certeza, essas coisas diria
Se enfrentasse tamanha confusão, 
Se voltasse a pensar assim, e, então,
Questões como essas questionaria.

Passado obscuro que em mim reside...
Cruel castigo seria isso
Se eu voltasse assim, sem muito aviso,
A ver-me com os olhos que um dia tive.


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