O espiral da ironia

Fotografia de Lucas Magalhães e Maria Luiza Nogueira 
Marco Túlio Damas Chaves 

O que é aquilo jogado no meio da rua?

 O que é aquela que anda nua?

 O que é aquilo que revira o lixo?

 O que é aquele que vive como bicho?

Vivemos na sociedade do dedo, onde o dedo que se aponta e julga as pessoas, é o mesmo que se posiciona em frente à boca para pedir silêncio quando somos contrariados, em um espiral de ironia.

Vivemos na sociedade da luxúria e do consumo, onde a sua carne “modificada” por N procedimentos estéticos vale mais do que você cultiva dentro de seu intelecto.

Vivemos na sociedade de massa, onde todos andam no mesmo rumo e sentido e o “louco”, “revoltado”, “vagabundo”, “Marginal” ou “bandido” que tenta fugir do padrão é “emancipado” pela “Pátria amada, mãe gentil” que insiste em olhar apenas para seus filhos que aceitam suas ordens sem contestar, também conhecidos como: “Batedores de Carimbo”.

 Vivemos em tantas sociedades e ao mesmo tempo não vivemos em nenhuma.

 “Loucos” são aquele que não se contentaram em ser mais um, quiseram ser um, e acabarão como nenhum, dentro de um padrão que mais pode ser interpretado como : “Ou dá, ou desce” ou  “Escreveu não leu, pau comeu”.

Somos apenas vítimas de uma sociedade de “falsos ricos” que crescem com uma viseira que os direciona para frente, mas continuam com seus pés fixos em uma pobreza de espírito que influencia mais do que a si mesmos, gerando um efeito dominó que atinge até mesmo as futuras gerações.

“Estude, não vai querer ser um vagabundo como ele”.

“Vai querer viver de migalhas, sendo obrigado a catar lixo para tomar um cafezinho QUANDO possível?”

Por que não estudar para fazer um mundo melhor para ele? Por que não ajudá-lo?

Bobo é aquele que deseja um “Bom Dia” para um diferente que está levando a vida de acordo com o que lhe foi proporcionado, afinal de contas, os segundos que podem ser perdidos com isso contarão e muito no bolso do patrão.

Bobo é aquele que tem empatia pela necessidade do outro, porque tudo é na base do OLHO POR OLHO, DENTE POR DENTE, SE VOCÊ NÃO TEM, APENAS SE CONTENTE.

Viemos do nada, vivemos de nada e em breve voltaremos para o nada.

Crédito: trabalho desenvolvido para a disciplina de Literatura, 2.º Ano, com a coordenação da professora Virgínia Costa


+