Brechó Souvenir

Por Sílvia e Ana Borges
É poesia que dança.
É o lugar onde o piegas é aceito e o romantismo é tido como o sentimento regente da composição.
É sobre acreditar no amor, por mais ingênuo que isso possa parecer.
É umas daquelas histórias que ninguém acredita que realmente aconteceu.
É o olho que pede, dá, nega e recebe.
É o desejo que mata e ironicamente morre.
É a cumplicidade de um segredo e a aflição da insuficiência. Uma vida idealizada que não durou o bastante para se concretizar, ficou guardada do lado esquerdo do peito junto com a lembrança do perfume dele.
É o coração que lhe foi entregue repetidas vezes, e se viu batendo acelerado no compasso passional de sua respiração.
É a incerteza de que ele estaria do outro lado assim que ela olhasse.
É o medo de perdê-lo e, com isso, ela mesma se perdeu, no questionamento incessante da veracidade de suas palavras;  na conjugação da ausência para a segunda pessoa do singular: tu e na criação de imagens de casais que eles nunca seriam. Ela insiste na teoria de que ele criou expectativas demais e ela não soube lidar com tudo aquilo. Ela nunca admitiu, mas sabia que eles errantes no uso do verbo amar. Não que eles não se amasse, ao contrário, creio que era tamanho sentimento que não coube no corpo.
Mas as memórias se mantém vivas, nos fios dos tecidos que um dia vestiram sonhos, nas melodias francesas que trilharam o clichê de suas vidas e em cartas que espremiam as tantas palavras quando a saudade já apertava demais. 
É sobre entrega, alma e conexão.
É sobre o sentimento mais mundano de todos, o amor.
É sobre as pequeninices que formam a singularidade do ser, e a certeza de que ela não é nada se não forem todos.
É sobre ressignificar um abraço, as mãos dadas, o sopro e o silêncio.
É sobre um terno e um vestido de noiva que nunca disseram “sim” um para o outro

O Brechó Souvenir é sobre sair do teatro acreditando que em La Vie en Rose
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