A menina de ouro


Pedro Paulo

Estude e seja uma boa garota”. Era isso que escutava de sua mãe e era isso que se esforçava a fazer. Tirava notas boas, era linda e educada, a menina exemplar, a número 1. Número 1. Era isso que era, a número 1, ou será um número 1? Sempre obedecia sem questionar, mas quem era ela? Eu não sei, sua mãe não sabe, ninguém sabe, talvez nem ela.  Um dia um amigo meu que queria ser tão inteligente como ela tirou uma nota maior que a dela. Ela perdeu média.  “Queria que minha filha fosse tão inteligente quanto você”, disse a mãe ao meu amigo. Foi aí que ele percebeu o que aconteceu, a mentira que nos fazem acreditar e essa ilusão que os números são muito importantes na nossa vida, que eles medem nossa inteligência. Percebeu que não importa se a filha vai bem, enquanto ela tiver números está bom e quando não tiver, não está mais. Pobre menina que não tem ambições, menina que não tem nome, menina número 1.

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