Não quero acordar

Não. Eu não queria voltar pro Brasil. Queria continuar turistando por lá. Caraca, véi! New York é sensacional! Cê ia pirar naquela cidade, fessô. Pode parecer que tô exagerando, mas não mesmo. Melhor parada da minha vida.
Foi da hora demais. Perdi a conta das baladas que participei. (Mentira) Dei rolê todas as noites. Num perdi nada. Bastava alguém mandar mensagens no celular... pá! Eu confirmava e colava mesmo. (Será?)
Cê num vai acreditar, meu. Eu não arredei o pé de casa nessas últimas semanas. Coloquei todas as férias em dia. Fechei com a Netflix. Nesse friozinho então, eu lá debaixo das cobertas, assistindo temporada atrás de temporada. Nunca tinha esgotada uma série inteira. “Vamu saí, Fernanda?” Que nada, a companhia dos seriados foi a melhor.   
Ah, foi tipo família. Rotina que a gente esquece na correria do ano: almoçar com os avós, passear com os cães, fazer exames periódicos, pegar uma cineminha de quebra com as amigas e boys de plantão. O saldo foi positivo, pois peguei uns três garotos. (Ui) Logo eu que sou tímida, tipo santa, recatada da turma. (Sei)
Tô no 3ºÃO, fessô, então cê sabe como é, né? Que o Ensino Médio é assim ó: no 1.º Ano cê assusta, leva algumas porradas, tá ligado? Matéria pra c. (foi mal aí). No 2.º, a gente relaxa, tá tipo familiarizado, entende? E no 3.º a galera pra Porto Seguro em julho. Cê num vai querer que eu conte os detalhes das baladas de Porto... (Melhor não).
Colé, fessô. Lembrei do cê na hora. Fui pra Paraty. Apareci num vídeo do Lázaro Ramos. (Que inveja!)
Isso não foi nada, meu queridinho. Fui pra Argentina e visitei o museu onde está a obra Abaporu, de Tarsila do Amaral, xia... uma obra que foi comprada por mais de um milhão e meio de dólares na época.  Khaled também foi pra lá, disse que até dançou tango. Sou fã daquele fessô.
Quinta-feira, mano? Série mesmo. Voltamos a trabalhar no dia 31 do mês passado e até hoje não consegui me sintonizar a esse mundo que algumas pessoas insistem em dizer que é REAL (Depois daquela palhaçada em Brasília). Ah, pare de torturar. Eu estive em Ozark, roubamos oito milhões de dólares só em uma temporada. Descobri que minha vida estava uma merda, sem sabor. Meu sócio e a namorada foram assassinados, o detetive particular contou que a esposa estava me corneando. Quando fui procurar o sacana, só encontrei o fantasma dele.  Tive que sair às pressas de Chicago.
– Saia desse computador, Alfredo. Daqui a pouco sua aula começa. Você não pode se atrasar.

Eu adoro o retorno. O mês de agosto voa. 
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