Frases da lua

"Senti falta da crônica na última semana, Alfredo. O que aconteceu?" Eis uma dessas indagações inesperadas de um leitor anônimo no meio de um sábado cheio de provas, textos para editar e uma vontade louca de ler uma antologia de contos africanos.  
O que responder para esse leitor? Como ser direto nesses territórios da subjetividade? Seria possível, em 140 caracteres, falar a respeito da falta de uma crônica? Fui seco, agora reconheço. "Na próxima semana você terá a resposta". Ele deu o troco com "ok" seco, seguido de um "aguardarei". Fim de papo. 

Ilustre BC, esta crônica é dedicada ao Senhor: fiquei lisonjeado com o contato, não podia imaginar que algum leitor pudesse sentir falta das crônicas de quinta-feira. Como sabe, não escrevo para nenhum jornal, muito menos para alguma revista. Não recebo um pagamento específico como cronista, entende? Meu compromisso é com os leitores dos contos, das narrativas infantis; com os seguidores (anônimos ou não) deste blog. Nesse sentido, ressalto que tenho enorme respeito por esse público, compreende? Por isso mesmo não saio compartilhando quaisquer opiniões, impressões vazias. Chega de reflexos, ruídos e velocidade. Trata-se da simples questão do respeito com essas pessoas que me leem, pessoas como o senhor que dão atenção para aquilo que escrevo; pessoas que tiram alguns minutos do dia para ler estas linhas. 


A questão, caro B.C, é que venho lançando sementes em outras terras. Era, ainda é, tempo de plantio; porém eu estava semeando de maneira incorreta. Eu não estava respeitando o poder que há nas sementes, raízes. Depois de uma conversa demorada (via telefone) com a matriarca da comunidade, ela disse: "primeiro, você precisa prestar mais atenção no escuro do céu, menino; é preciso redescobrir as frases da lua". Ao final da lição, enfatizou: "há sementes-sementes devem ser plantadas na lua nova, e há as raízes...mandioca, cenoura, tudo que desce, busca o solo, é na minguante. 

Fiquei com aquelas imagens todas e fui separar o que gostaria de plantar direito. E no pé da história eu descobri que o maior desafio é plantar estações nessas frases da lua que, segundo a matriarca, iluminam todas as fases da nossa vida. Assim que tiver alguma colheita, o senhor saberá, em primeira mão. Com essas searas, fiquei devendo a crônica daquela semana. Perdoe-me. 

Uma última pergunta: o que o senhor anda plantando por aí? 
     
  
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