A cor mais gelada

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Aquele líquido no copo, gritos que podiam ser ouvidos de longe. Parte da minha vida. Não existe família sem problemas. O dilema dos nossos laços é a infeliz da bebida. Da cor do Sol, mas ao invés de trazer a luz, o calor; traz a intriga, o gelo e a tristeza. E nela o único homem da casa se afunda, afunda cada vez mais. A idade chega, a consciência não. Será que um tampão está em seus ouvidos e ninguém vê?

No tal dia em que a paciência está no limite, a mais velha da casa quebra o vidro sagrado do mais velho e, então: o estopim. O desespero visto nos olhos das mulheres da casa. O que fazer? Será que chegou o fim da dor?
NÃO

O homem entrou no quarto. Parecendo arrependido. Será? Tinha pegado um caco de vidro da sagrada garrafa e, minutos depois, saiu do quarto. Enquanto isso, as mulheres se encolhiam no sofá chorando.

Ele saiu com um pano no pulso, o mesmo estava avermelhado. Um vermelho amargo. No susto de todas, escutou-se o barulho do carro derrapando que se foi. A segunda mais velha ligou para a irmã do homem...

Muitos anos se passaram. E a família continua junta. Todos: a mãe, filha mais velha, o pai, que narra essa história e a sagrada. Onde está a consciência de que as coisas mais importantes do homem deveriam ser suas mulheres e não a bebida? Será que ele se sente tão mal por estar perto de sua família? Será que ele precisa sair da realidade para se afastar cada vez mais de nossos laços?
Não sei. Mas gostaria de....


* Este texto não é de minha autoria, mas de um dos integrantes da Oficina de Leitura da obra “Vermelho amargo”, de Bartolomeu Campos de Queirós. 
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