A cachorra da minha vida


Biju entrou para nossa vida em janeiro de 2007. Chegou com poucos meses de vida. Veio tímida, demonstrava-se uma figura comportada, delicada.

Biju não oferecia nenhum risco aos moradores do prédio onde morávamos no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte. Seus gestos eram de puro encanto. 

Biju chamava atenção das crianças na rua. Todos queriam apreciar aquele pelo branquinho da poodle que, numa tarde especial, enquanto seu dono tirava uma soneca, destruiu os óculos, triturando suas lentes devagarzinho. A cada ronco, um pedacinho era apreciado.
Na adolescência Biju sofreu muito. Um veterinário mal preparado (há um monte por aí) quase despachou nossa cadela para o céu. Ainda bem que o santo dos animais (qual é mesmo?) a protegeu. Vai ver que ele sabia que a cachorra nos traria muitas alegrias.

Por conta do meu sogro, Biju passou a odiar pessoas com sapatos fechados e botas pretas sapateando o chão, provocando-a. Ela não perdoa mesmo, rosna e parte pra cima dos engraçadinhos... com os dentes à mostra fica irreconhecível.

Em uma dessas façanhas, Biju encrespou com a funcionária dos Correios e quase levamos um processo. Bastava ouvir o som da bota da moça chegando ao portão, ela logo se transformava em uma espécie de dragão.

Ah, na fase adulta, Biju nos decepcionou muito, ao arrumar seu primeiro namorado. Ela escolheu o Bidu, o cachorro mais feio da rua. Aquele projeto de porco espinho perdido na mata. Ô cão arrebentado, gente! O bicho tinha cor de sujeira. Era do tipo que se achava o tal. Tomei antipatia dele. Nunca o respeitei como pai dos primeiros filhotes da Biju.

Filhotes? Sim, dos três só restou uma fêmea que foi doada para minha sobrinha e recebeu o criativo nome de “Me Leva”. Coitada, viveu pouco. Foi levada por uma Pitbull da vizinha.

Se você pensa que a Biju parou por aí, ui, está muito enganado. Recentemente veio a Sonequita, versão mais assustadora da mãe. Prova disso é que Biju já é avó. Sério mesmo...

Mas isso não é tudo. Nossa poodle continua passando o rodo geral. Com seu último assanhamento, trouxe dois vira-latas pra morar na nossa rua. São os novos guardiões do pedaço. Começaram com uma caixa de papelão, restos de comida, carinhos espontâneos, entre outros mimos. E assim os cães não vão mais embora. Se a gente vai à padaria, eles vão atrás. Vamos comprar frutas e legumes, eles nos fazem companhia. Brincam, brigam, mas não dão adeus...

De vez em quando, olho pra Biju estirada no chão da sala, e falo: viu só o que cê arrumou ? Agora o povo fica pensando que a culpa foi nossa que te deixou namorando por aí.

Imagem disponível em: http:<www.petvale.com.br>

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