Crônica com rock

Um desafio. Encarei, na raça, graça dos solos, polos da solidão. Interpretar uma letra de rock, brevemente. Convido-o para viajar, ouvindo o enigmático som.
A letra “Voices”, do Dream Theater, é uma sombra colorida. O monólogo poético é composto a partir das vozes sugeridas, ouvidas pelo eu lírico. As recorrentes perguntas somadas ao imperativo das forças estranhas reforçam o grito das contradições, marcadas por símbolos como: anjo, aranha, Judas, Demônio.
Trata-se de uma representação surreal das vozes de todos os pesadelos em cena. Talvez, quem sabe, a intencionalidade maior do grupo. A imagem que perpassa a composição é do delírio de fragmentos, reflexos inimagináveis da voz poética que se multiplica.
Judas no teto como aranha no cenário do caos de uma ressurreição que não acontecerá, por isso o demônio está na cama do eu lírico?
Não.
Ele grita de tanto silêncio. Silêncio do roubo no crucifixo dilacerado. Sim. O Jardim do Éden era já regado de exaltação e apagado pelo ritmo depressivo.
O tédio de domingo é universal. A letra do rock confirma o desânimo e a escuridão melancólica desse primeiro dia que repete, repete com medo. O medo da esperança do que não virá.

Vozes.
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