Rosas: um dia para sempre



Isabella Martins*

Rosas azuis, festa, 15 anos, tudo muito perfeito. Um sonho sendo realizado. Para todos os lados, uma decoração, convidados, sorrisos, vestidos, ternos e gravatas

Em casa, uma correria só: maquiagem pra lá, cabelos sendo feitos pra cá. E lá estava ela, minha flor, minha vó. Ou melhor, bisavó...estava toda feliz, pois sua neta. Não, sua bisneta ia completar seus tão desejados 15 anos. Parecia uma rainha, como estava linda ela... Tão feliz...

Na festa, coração acelerado. Batia como nunca havia feito antes. “Festa de princesa!”, todos disseram. Na recepção, acompanhavam-me meu pai e minha mãe. A única coisa que eu conseguia dizer naquele momento ao meu pai era que eu estava nervosa. Tremendo de nervosa, para ser mais específica.

Foram entrando mais e mais pessoas, mas quem eu queria ainda não tinha chegado. E a ansiedade tomava conta de mim. Uma sensação boa, digamos. Eis que ele chega. Meu Deus, tão lindo... Mal sabia eu que tinha uma surpresa para mim...

Chegou a hora! Chamaram-me para subir para me trocar. Meu Deus, minhas mãos começaram a suar e meus pés começaram a ficar gelados. Silêncio dentro de mim...

Resta apenas eu e minha mãe. Anuncia-se a minha valsa. Um, resta apenas eu agora. Minha música... A tão escolhida música começou a tocar. E, então, eu saí. Minha mãe a minha espera me entregou a meu par.

Começou a valsa, um por um ia dançando.Chega ele, com seu sorriso que amo tanto, mal eu sabia o que me esperava....Naquele momento, só existia eu e ele. Ninguém mais. Era como se restassem apenas nós dois no salão, só nós dois... Por uma fração de segundos, senti-me num sonho; um sonho que eu nunca mais queria acordar.

Acaba valsa, mas ele tinha uma surpresa para mim, uma surpresa linda, uma aliança. Ele se agachou, duas mãos trêmulas (a minha e a dele) e colocou a surpresa no meu dedo. Fiquei imensamente feliz...

Balada, curtição, casal se beijando, luzes, músicas, fumaça, danças engraçadas com pessoas sorrindo.


Mas tudo contém um “porém”. Rosas negras no dia 29 de junho... É como se de um dia para o outro, sorrisos, festas, vestidos fossem embora.

Minha flor, minha tão amada bisavó,tinha acabado de brigar/discutir comigo.  Minutos depois, ela vai para o hospital, com uns sintomas e um mal estar que eu julgaria bobos.

No dia seguinte, eu também passei mal, mas de cólica.Deitada em uma cama de hospital, recebo seu telefonema: “ô, minha vó, mesmo no seu estado, você consegue me dizer que me ama e até fazer uma brincadeira.”

Dia 29 de junho, você se foi tão serena, tão serena como seus gestos, tão serena como era seu jeito de ser.Agora, não digo mais que sua presença não reside mais aqui em casa, reside sim: na sua família e no seu jardim cheio de flores como você...

Imagens disponíveis em: <www.lojadasmudasesementes.com.br> e <http://imagens.mdig.com.br>

 O presente texto é resultado das oficinas de leitura e criação literária da obra “Vermelho amargo”, de Bartolomeu Campos de Queirós. Atualmente, Isabella Martins é aluna do 3.º Ano do Ensino Médio. 

+